minervapop

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BOTINADA - A Origem Do Punk no Brasil

Acabei de assistir ao documentário "Botinada: a origem do punk no Brasil", produzido por Gastão Moreira e lançado pela ST2 em 2006, e como diz o próprio idealizador: “Foram quatro anos de pesquisa, 77 pessoas entrevistadas, milhares de horas nas ilhas de edição, 200 horas de vídeo e muitas imagens raras e inéditas compiladas pela primeira vez.”

O documentário conta com imagens raras de apresentações inusitadas do Cólera tocando em um programa da TV Tupi, os Inocentes anarquizando o Gallery em 1982, e entrevistas mostrando como estão os protagonistas nos dias de hoje, jornalistas, escritores, e pessoas em geral que apoiaram o movimento Punk.

Mostra as diferenças que haviam, e talvez permaneçam até hoje, entre o pessoal de São Paulo e do Grande ABC, além do pessoal de Brasília que reividica o pioneirismo do movimento. (Desculpe, mas ver o pessoal do Aborto Elétrico falar isso parece piada!)

As festas na Carolina, reunião no Largo São Bento, na Galeria do Rock, shows históricos em porões de padaria e as “Festas Punk das fitas K-7”,o famoso show “Começo do Fim do Mundo”, tá tudo lá, é só conferir.

Na minha opinião esse movimento nada mais era do que um grupo de garotos de periferia que no fundo queriam mostrar pra sociedade que existiam, que tinham necessidades, e dentre elas a diversão, mas descobriram que só isso não era o suficiente, precisavam ir além.

Eram meninos e meninas que não entendiam e nem se importavam que o Sex Pistols, os Ramones, o Clash, atrás de toda aquele discurso de “movimento” e “revolta” tinham um empresário, uma gravadora, e precisavam girar a máquina do show business, ganhar dinheiro e se firmarem na mídia, porém e isso poucos “sacaram”. Talvez só os mais espertos e talentosos, como o Clemente e o João Gordo.

O documentário é bom e recomendo.


Anselmo





BILL GRAHAM APRESENTA - PARA ENTENDER O INÍCIO DO SHOW BUSINESS


Como vocês já devem ter percebido, o assunto shows (leia mais aqui) é recorrente em nosso blog. Afinal, para amantes da música, o show é o momento em que o artista se expõe ao seu público totalmente despido da proteção que um bom estúdio e um bom produtor musical podem trazer. É a chamada hora da verdade.

Claro que as performances ao vivo não tornam melhores ou piores os trabalhos criados e gravados em estúdio, pois mesmo quem opta por não fazer shows ou mesmo tem apenas apresentações medianas, pode criar obras musicais relevantes.

Este post também é sobre shows. Porém não escreverei sobre um artista. A figura citada no título, não cantava, não tocava e não compunha. Bill Graham foi simplesmente o maior produtor de shows de todos os tempos. É o que afirma o jornalista norte-americano Robert Greenfield (ex-editor da revista Rolling Stone), co-autor da biografia desta fera dos bastidores. E é sobre esta biografia que vou escrever hoje.

O livro "Bill Graham apresenta: Minha vida dentro e fora do rock", foi lançado originalmente em 1992 lá na gringa e no final do ano passado aqui no Brasil pela editora Barracuda.

Na época do lançamento, lembro que fiquei bastante interessado em ler sobre um cara com tantas histórias sobre os bastidores da música. Adiei um pouco, até que neste ano, comprei e li a obra. Acabei me surpreendendo, pois o livro é bem melhor do que eu esperava.

Para começar, esta biografia é bem completa (são 555 páginas) é não se resume somente na fase de Bill na indústria do entretenimento. Praticamente 30% do livro é dedicado em contar como o pobre garoto alemão de origem russa, que era judeu, conseguiu escapar da caçada nazista com apenas quatro anos de idade, pagando o preço de ter sido separado de sua mãe e irmãs, vagando por diversos países da Europa até chegar de navio aos EUA, sozinho e sem falar uma palavra em inglês. É uma história de vida que só por esta parte já merecia ser lida. Os relatos trazem de forma muito explícita os horrores pelo qual passaram suas irmãs, que separadamente também conseguiram sobreviver e fugir da morte (sua mãe não teve a mesma sorte). Uma delas, inclusive foi prisioneira num campo de concentração.

Depois o livro nos conta, nas próprias palavras de Bill, seu drama para conseguir ser adotado, sua infancia e adolescência nas ruas do Bronx em Nova Iorque, suas peripécias no período que trabalhou como garçom, até a descoberta da profissão de promotor de shows, que ele reinventou e transformou em algo tão importante quanto o artista (pelo menos em termos de indústria).

Bill mostrou a todos que era possível ganhar um dinheiro considerável fazendo shows de qualidade e respeitando o público. Ele mostrou o caminho para que a coisa se tornasse uma indústria. Foi o primero cara a realmente se preocupar com o local dos shows, com a iluminação, com o equipamento de som, com os horários.

Oficializou todo este cuidado montando a lendária casa de shows Fillmore West em São Francisco e depois a Fillmore East em Nova Iorque. As passagens onde ele conta os esforços para conseguir abrir estes espaços são deliciosas. Tocaram nestes locais praticamente todas as bandas de alguma relevância no meio musical durante os anos 60 e 70. As razões e a forma com que Bill teve que fechar as casas anos depois também são contadas em detalhes e ilustram bem como funcionam as coisas no mundo dos negócios.

Provavelmente você já deve ter ouvido algum disco ou assistido algum vídeo gravado num dos Fillmore. Só de albuns ao vivo gravados lá foram quase cem.

Depois de fechar as casas (Bill ainda teve outra chamada Winterland, muito famosa também), Graham dedicou-se a organizar grandes turnês pelos EUA, passando a ser um gerenciador de shows grandiosos. Só como exemplo, ele organizou junto com o Bob Geldof o festival Live Aid (como, eles conta no livro).

E dá-lhe histórias e mais histórias sobre o show business. São passagens de artistas como Santana, Grateful Dead, Bob Dylan, Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, The Who, Led Zeppelin, Eric Clapton, Bob Geldof, Neil Young, Graham Nash e muitos outros, contadas as vezes por eles mesmos, as vezes por Bill, as vezes por pessoas que estavam próximas e viveram aquela fase.

Cito três. A antalógica treta de sua equipe com a trupe que acompanhava o Led Zeppelin numa turnê norte-americana (coincidentemente a última vez que tocaram nos EUA). As difíceis negociações para ser o responsável pela turnê dos Rolling Stones nos EUA que são contadas em detalhes, com alto tom de dramaticidade. E o fascínio de Bill com a ascenção de Otis Reding (escrevi isso no posto sobre o Otis, aqui). E tem muito mais.

Há espaço ainda para a opinião as vezes não tão boa dos concorrentes e adversários. Há espaço para tratar da ausência de Graham como marido e pai. Há espaço para as frustrações.

Nem tudo é alegria no livro, que termina contando a forma trágica como Bill morreu em 1991, saindo de um show num helicóptero que devido a uma forte chuva caiu no meio do caminho e a repercussão e comoção que esta notícia causou no meio dos artistas que aprenderam a respeitar Bill Graham no decorrer de sua vida vencedora.

Uma coisa interessante, é que o livro todo foi editado em forma de depoimentos na primeira pessoa (estilo "Mate-me, por Favor", post aqui), organizados de um jeito a permitr que a história seja contada de forma ágil e linear. Foram centenas de entrevistas feitas por Robert Greenfield , sendo grande parte relatos do próprio Bill. Este formato facilita a leitura, impedindo que fique maçante.

Só mais dois detalhes. O nome do livro é baseado nos letreiros dos shows que Graham organizava, onde sempre antes do nome do artista, em letras não menores do que o grande nome da noite, aparecia "Bill Graham Presents:".
Outra coisa legal é que esta biografia tem um prefácio muito bacana escrito pelo Peter Townshend.

Enfim, um livro delicioso que merece se lido. Para quem gosta muito de música então, é fundamental. Serve para entendermos como foi o início desta imensa indústria que gera tantos milhões de dólares a cada ano. Recomendo.


Sandro

sábado, 28 de novembro de 2009

AC/DC NO BRASIL - Black Ice Tour - Estádio do Morumbi - São Paulo, 27 de Novembro de 2009


Desde a confirmação de que o AC/DC viria ao Brasil com sua turnê mundial “Black Ice”, nós do Minerva Pop vínhamos acompanhando e mantendo o Blog atualizado com as informações referentes ao Show. Pois bem, ontem a apresentação aconteceu e estávamos lá para conferir.

Quem acompanha esse tipo de evento sabe que existe toda uma preparação e longa jornada até chegarmos ao local do show. Ainda mais no Brasil e especialmente na cidade de São Paulo, que o trânsito numa sexta-feira á tarde não é nada fácil (ainda mais em época de chuva).

Para evitarmos os potenciais problemas com o trânsito, segurança e excessos com bebidas alcoólicas, eu junto com um grupo de amigos decidimos alugar uma “van” e irmos juntos ao estádio. Infelizmente a cidade de São Paulo, salvo algumas exceções, não tem ainda uma boa estrutura de “acesso” para Mega-Concertos, quem saiu tarde de casa ou do trabalho “sofreu” para chegar ao local do show e encontrar um bom lugar para estacionar o carro. Por isso, tenho certeza que contratar um transporte coletivo para ir até o show, foi a melhor decisão.

O show pra nós começou mais cedo, pois como decidimos entrar no estádio somente quando o show estivesse próximo para começar, pudemos ser testemunhas da chegada da banda ao estádio com os batedores da policia militar.

Depois de toda essa “estratégia logística”, quando entramos no estádio do Morumbi, aí a coisa mudou de figura, coisa de primeiro mundo. Indicação de acesso, posto médico, posto de venda de “merchandise” da banda, banheiros, e bebida. Claro que quando se tem um aglomerado com Ca. 30.000 pessoas numa área equivalente a um “campo de futebol”, a educação e paciência das pessoas tem que prevalecer, caso contrário a coisa não funciona.

Outra fato que chamou a atenção foi à média de idade do público, em torno de 25 anos. Deve ser essa explicação dos ingressos terem acabado tão rápido na sexta-feira do dia 01 de outubro, o pessoal mais velho que estava trabalhando só podia comprar no final de semana, e no sábado dia 2, os ingressos já haviam esgotado (claro que também tem o fator das vendas terem ocorrido em todo o Brasil).

A produção e toda a estrutura de palco foram impecáveis, tudo exatamente igual ao que foi feito na turnê americana. Iluminação, telão digital, efeitos especiais, e a qualidade de som impecável (teve um pequeno deslize no começo, o qual foi logo corrigido).

Assitimos a parte do show de abertura do Nasi (ex-Ira!), onde pudemos ouvir as versões de Raul Seixas de “Mosca na Sopa” e “Sociedade Alternativa” e ao cover dos Stooges “I Wanna Be Your Dog”, esses dois últimos com Andreas Kisser nas guitarras.

O show do AC/DC tem início com uma introdução de quase 3 minutos (vide abaixo), onde uma “locomotiva desgovernada” faz seu trajeto em direção ao local do show. No clímax da animação a banda começa detonando com “Rock´n´Roll Train”, com Angus usando seu uniforme escolar na cor verde e gravata com tons de amarelo.

Na seqüência Brian Johnson anunciou: “Essa é da época de Bon Scott”. Mandaram “Hell ain´t a Bad Place to Be”. Música que faz uma alusão do inferno com uma mulher problemática.

Back in Black, Dirty Deeds Done Dirty Cheap, Shot Down In Flames, Big Jack, Thunderstruck, Black Ice, até o curto ritual de “streap-tease” de Angus Young em “The Jack”.

Não havia tempo nem pra respirar, a porradaria continuou com a hipnótica “Hells Bells”, ganharam ainda mais o público com “Shot to Thrill”, o telão mostrou mais uma animação com “War Machine”, e a partir daí só foi “Som Pra Gente Grande”, “Dog Eat Dog”, “You Shock Me All Night Long, o trem pegou fogo novamente em “T.N.T.”, a Rosie gigante subiu ao palco em “Whole Lotta Rosie”. Desse momento em diante o show chegou ao seu ápice.

Durante a canção “Let There Be Rock”, o telão foi passando um filme com a capa de todos os álbuns do AC/DC, com Bon Scott em várias delas, o que se tornou em uma homenagem “silenciosa” ao primeiro “frontman” da banda (Dave Evans não vale).

O “encore” contou com “Highway To Hell” e a avassaladora “For Those About To Rock (We Salute You), com os canhões saudando a platéia.

Assim que a banda deixou o palco, uma queima de fogos de artifício iluminou o céu e todo o estádio do Morumbi, fechando a noite.

Quando o show acabou, e as luzes do estádio acenderam, eu estava com um corte na testa, dor nas pernas e nos joelhos, e um torcicolo de tanto agitar a cabeça. A idade chega e vai pesando, fazer o que?!

O show foi demais, realizei mais um sonho como grande admirador da banda que sou, foram duas horas “cravadas” do mais puro e honesto Rock´n´Roll.

Não há mais nada a dizer. We Salute You!

Anselmo





sexta-feira, 27 de novembro de 2009

LET THERE BE ROCK - O Mais Importante do AC/DC

Por estar prestes a assistir ao show da minha banda de Rock preferida, no estádio do Morumbi em São Paulo, o "post" de hoje é sobre o mais importante álbum da discografia dos irmãos Young, “Let There Be Rock” (1977).

Pra quem gosta de AC/DC a primeira reação a essa afirmação é de achar que estou “maluco” ou “equivocado”, porque todo mundo sabe que o “Back in Black” (1980) é que teve maior vendagem e firmou a banda no mercado americano e mundial. Até o “Highway to Hell” (1979) é mais lembrado nesse aspecto. Por isso gostaria de explicar porque tenho essa opinião.

Os discos do início da carreira do AC/DC são muito bons, sem dúvida. Canções como “It´s a Long Way To The Top”, “T.N.T.”, “The Jack”, “Problem Child”, “Dirty Deeds Done Dirty Cheap”, “Live Wire”, “Rocker”, estão todas nos primeiros álbuns. Porém acho que os integrantes da banda e os produtores, ainda tinham uma postura musical muito regional, não havia a “pegada” que consagrou o AC/DC como os mestres do “High Voltage”. E isso veio a se concretizar na sonoridade do “Let There Be Rock”, lançado em 1977.

Na verdade existem duas versões do álbum, a “Australiana” lançada pela Albert Productions, e versão “Internacional” modificada e lançada pela Atlantic Records em Junho 1977. Na primeira temos a musica “Crabsody In Blue”, e na segunda essa faixa foi substituída por “Problem Child” (originalmente lançada no álbum “Dirty Deeds...” em 1976).

Outra questão interessante é que esse é o último álbum com o melhor “original line-up” da banda, o qual tinha Mark Evans no baixo. Evans saiu do AC/DC devido a diferenças com Angus, porém devemos ressaltar que ele teve participação na gravação dos grandes clássicos do AC/DC. Continuou sua carreira em bandas de menor expressão e sempre é convidado a participar do “Bom Scott Day” na Australia.

O "upgrade" em energia, agressividade, garra e sonoridade que esse álbum tem em relação aos anteriores é muito forte, basta ouvir para perceber. Acredito que esse foi o fator principal do disco ter conseguido atrair a atenção de “Rockers” e “Punks” sem distinção, em pleno ano de 1977.

A versão internacional traz o “logotipo” oficial da banda pela primeira vez na capa.

Abaixo seguem alguns vídeos com músicas do disco. (Por favor, não deixem de assistir a versão de “Go Down” com Brian Johnson nos vocais, sensacional!)

Anselmo








quinta-feira, 26 de novembro de 2009

GENESIS - ROBERT CRUMB

Acabei de ler "Genesis", o último trabalho de Robert Crumb que levou quatro anos para ser finalizado, o qual é uma adaptação para os quadrinhos do primeiro livro da Bíblia.

Devido a suas obras consagradas como o início na “Zap Comix”, “Mr. Natural”, “Fritz the Cat”, muitos críticos tiveram certa “decepção”, pois esperavam algo mais ácido e provocativo em “Genesis”, mas não é isso que a obra transmite

Porém, no meu ponto de vista, considerando a proposta do trabalho que era “ilustrar um dos livros mais antigos e importantes do mundo”, eu achei o resultado final sensacional.

O cara reproduziu na versão HQ um capítulo da Bíblia, e me desculpem os religiosos mais rigorosos, o texto não é o mais indicado para ser lido em um momento de "descontração e lazer".

Digo que o trabalho é fascinante pelo seguinte, quantas pessoas você conhece que diz: “Cara, hoje vou ler um capítulo da Bíblia inteiro para refrescar a cabeça”? Difícil, não é mesmo!? Pois então, Crumb conseguiu pegar um texto que apesar de muito acessível em grande parte do mundo civilizado, não é muito fácil de ser digerido, e criar algo que desperta profundo interesse para um público extremante exigente com a arte e qualidade de entretenimento, os leitores de quadrinhos. Tenho certeza que até despertará a curiosidade em pessoas que nunca leram a Bíblia (acho que os críticos nem analisaram por essa perspectiva).

Devido ao texto que é muito “amarrado”, não é recomendável, nem muito interessante, ler o livro em pouco tempo, ou de uma só vez. O ideal é ler um capítulo ou dois, apreciar as ilustrações, e tentar entender a idéia como um todo.

Apesar de o “livro do Genesis” do antigo testamento abordar temas como assassinato, insesto, traição, guerras, Crumb não explora esse assunto de forma mais provocativa (apesar dele ter confessado que foi difícil), procura sempre manter suas ilustrações fieis ao texto original, tendo como principal guia a tradução do Pentateuco feita por Robert Alter.

Segue abaixo parte da introdução escrita por Robert Crumb em Genesis:
"Se minha interpretação literal e visual do Gênesis ofende alguns leitores, em minha defesa só posso dizer que me aproximei dele como um trabalho meramente ilustrativo, sem intenção de ridicularizar nada nem fazer brincadeiras visuais. Dito isso, sei que não dá para agradar a todo mundo".

Podem comprar pessoal que é muito bom, é Crumb!

Anselmo




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

MORRISSEY - nervoso?

Eu pensei que todo mundo tinha ficado sabendo, mas hoje conversando com o Anselmo sobre o lance do respeito ao público abordado no post sobre o show do Killers (aqui), vi que ele não sabia.
Falo do siricutico que o distinto cantor teve no último dia 07 de novembro, num show em Liverpool. Casa cheia, todos esperavam por um grande show, mas no meio da segunda música, nosso amado Morrissey recebeu uma garrafinha de água na cabeça. O que ele fez? Disse boa noite e foi embora. Não voltou e o show foi cancelado .

Depois disso, já rolou outra encrenca. No dia 17 de novembro, num show em Hamburgo, ele expulsou um fã ("We don't need you, Fuck yourself"). É que ele ficou nervoso porque enquanto ele falava sobre hamburgueres (Morrissey detesta e é radicalmente contra carne), um carinha disse "Fuck You". Pronto, já afetou o cantor. No vídeo, parece que o público já sabendo do histórico recente, começa a gritar seu nome de imediato para evitar do cara ir embora dali também. Desta vez ele continuou.

Adoro o Morrissey, sei que ele é meio rabugento, mas acho que ele está exagerando.
Talvez seja reflexo do susto que ele passou em 25 de outubro, quando teve um colapso (dizem que foi início de infarto) no palco e teve que ser hospitalizado.

Abaixo o vídeo das duas tretas. Quem quiser ouvir uma música inteira recomendo um post dos primórdios do Minerva Pop, ainda em fase de testes e sem divulgação (aqui).




terça-feira, 24 de novembro de 2009

SUPERSUCKERS - FICA PARA A PRÓXIMA (DE NOVO)


Hoje eu ia escrever sobre a banda Supersuckers, que faria shows no Brasil neste próximo final de semana. Seria um no dia 17 em Goiania e outro no dia 28 em São Paulo (Clash Club).

Pois é, seria. Porque recebi hoje a notíca de que a banda não vem mais. O motivo alegado foi o manjado problema com o visto, que segundo o próprio comunicado distribuido para a imprensa poderia ter sido contornado com um pouco mais de boa vontade da banda. O engraçado é que eles já furaram em 2004 com a mesma justificativa.

Sei lá. fica para 2010 (duvido!). Por ora, a decepção.

Para quem não conhece, um vídeo de amostra.


Sandro


MIGUEL E OS DEMÔNIOS - MUTARELLI


Pessoal, acabei de ler o último romance do Lourenço Mutarelli, “Miguel e os Demônios”, lançado em 2009 pela Ed. Companhia Das Letras.

O romance é sobre um policial civil que, além de ter uma vida bastante conturbada, de quebra, se apaixona por um travesti.

O mais “legal” do livro está nas explicações e pistas criadas pelo autor no desenrolar da trama. São como convites para refletirmos sobre outros temas que estão indiretamente contidos no texto.

Mutarelli consegue extrair os mais variados assuntos de toda desgraça que envolve as personagens durante a história, como: explicações filosóficas de Sartre, mitologia grega e romana, tarô, religião, seitas misteriosas, história. Também tem conflitos éticos e comportamento humano.

O livro é excelente, porém como em todos os livros de Mutarelli, não espere nada muito convencional igual aos filmes de Hollywood. Mas isso não importa, de uma forma ou de outra você não ficara decepcionado.

Em resumo, o livro é bom e eu recomendo. Caso alguém estiver sem grana, entre em contato que eu empresto (com a condição de vocês comprarem o original depois).

Segue abaixo um vídeo onde o próprio autor explica seu trabalho.

Anselmo.



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

THE KILLERS NO BRASIL - RESPEITO AO PÚBLICO


Quem foi ontem a Chácara do Jockey em São Paulo assistir ao show da banda norte-americana The Killers presenciou os dois extremos do conceito do que seja respeito ao público.

Explico. Primeiro analisando o lado da organização. Como eu já havia adiantado num post anterior (aqui), o local foi uma péssima escolha. Trata-se de um pasto, parte com uma grama rala e parte de terra mesmo. Por ser muito amplo imagino que seja difícil (mas não impossível) providenciar algo que possa servir como piso para quem paga tão caro pelo ingresso. Como sabemos, num show no Pacaembu ou Morumbi, ninguém pisa no gramado. Existe sempre um piso cobrindo.
Lá não. E com a chuva torrencial que caiu ontem a tarde e a noite (inclusive na hora do show) o pico virou um grande brejo, com lama desde a entrada até a chegada na área da pista, que além da lama em quase toda extensão, estava com partes onde as poças chegavam aos tornozelos das pessoas. Estas poças, acabaram criando espaços vazios no meio do público, por pura falta de condição de permanecer nestas áreas. Não tem nem muito adjetivo, estava um lixo mesmo. Para deixar qualquer um puto.

Agora vem a outra parte. A banda que não tinha nada a ver com a história, fez todos esquecerem a adversidade do local. O Killers ofereceu um espetáculo de respeito ao público, em todos os sentidos.

Os caras nos deram tudo o que se pode esperar de um bom show. Primeiro com um palco lindão decorado com plantas e flores, uma iluminação belíssima e um telão de alta definição no fundo que mostrava imagens sincronizadas com as músicas, faziam com que o aspecto visual fosse impressionante (até momento de chuva de papel picado e cascata de fogos de artifício teve). Depois com um set list muito bem feito, recheado de hits e canções importantes dos três albuns da banda, não limitando o show a uma simples divulgação do último disco "Day & Age". Tudo isso com o ingrediente mais importante, o tesão.

O comprometimento da banda em apresentar um show que possa realmente trazer diversão e prazer para o público é nítido. Há vontade de estar no palco e tocar. Há entrega. Fiquei impressionado com a performance e o carisma do vocalista Brandon Flowers. Destaco ainda o batera Ronnie Vannucci que toca muito.

Definitivamente foi um show de banda grande. Participações de músicos de apoio e uma camada de sintetizadores deram consistência ao som, mantendo-o encorpado em todas as músicas. Confesso, que não esperava nem metade disso. Achei o show espetacular e melhor que todos o que vi no Planeta Terra (post aqui), só para ficar com uma comparação recente. Fui realmente surpreendido de forma positiva por este grandioso show.

O set list foi esse aqui:
"Human" (abertura no pique com o hit do disco Day & Age)
"This Is Your Life" (também do Day & Age)
"Somebody Told Me" (maior hit do disco Hot Fuss)
"For Reasons Unknown" (do disco Sam's Town)
"Bones" (também do Sam's Town)
"The World We Live In" (mais uma do Day & Age)
"Joy Ride" (outra do disco Day & Age)
"Human" (tocada numa versão no piano e só pela metade)
"Bling (Confession of a King)" (está do disco Sam's Town)
"Shadowplay" (cover do Joy Division encontrada na compilação de b-sides Sawdust)
"Smile Like You Mean It" (do disco Hot Fuss, tocada numa versão mais leve, com violão)
"Spaceman" (hit do Day & Age foi um dos pontos altos do show)
"A Dustland Fairytale" (do Day & Age)
"Can't Help Falling in Love" (um pedaço desta cover de Elvis Presley)
"Read My Mind" (também um ponto alto, foi cantada por todos)
"Mr. Brightside" (petardo do Hot Fuss)
"All These Things That I've Done" (também do Hot Fuss, teve o verso I got soul but I'm not a soldier ecoado por todo mundo e um final arrasador com direito a papel picado)
(bis)
"Jenny Was A Friend Of Mine" (do disco Hot Fuss, sem palavras)
"When You Were Young" (disco Sam's Town, fechou com chave de ouro e cascata de fogos num final apoteótico)
Abaixo alguns vídeos retirados do You Tube. Demorei ao máximo para soltar este post esperando mais vídeos que foram sendo disponibilizados a cada hora. Dá para ter um pequena noção.

Sandro





domingo, 22 de novembro de 2009

ÉRIKA MARTINS - DISCO SOLO



Depois de muito tempo a frente do grupo “Penélope”, a cantora Érika Martins lança seu primeiro trabalho solo pela Toca Discos/Warner Music. Gravado no lendário estúdio "Toca Do Bandido", a produção ficou por conta de Carlos Eduardo Miranda, de sua ex-companheira de Penélope, Constança Scofield e Tomás Magno.

O disco tem canções interessantes com “pegada Rock´n´Roll”, mas conduzidas pela voz suave e precisa de Érika. Músicas como “Sacarina”, “Ainda Queima a Esperança”, “Quando Sim Quer Dizer Não”, “Você Tem Muito Que Aprender Sobre As Mulheres”, e a versão da balada “Lento” da cantora mexicana Julieta Venegas, que faz uma participação especial dividindo os vocais com a Érika no CD.

Destaque da parceria com Gabriel Thomaz na composição de várias canções do álbum.

Seguem abaixo alguns vídeos desse novo trabalho.


Anselmo





sábado, 21 de novembro de 2009

THEM CROOKED VULTURES - EU JÁ SABIA


Lá em 20 de agosto, o Anselmo escreveu (aqui) sobre a expectativa em torno do projeto Them Crooked Vultures, composto pelos talentosos Dave Grohl do Foo Fighters na bateria (como nos velhos tempos de Nirvana), Josh Homme do Queens of the Stone Age na guitarra / vocal e John Paul Jones do Led Zeppelin no baixo. Ao vivo eles contam ainda com Alain Johannes (também do QOSA) pegando na guitara.

A série de shows deste super grupo começou em agosto, mas o disco mesmo só saiu agora em novembro.

Antes disso, pude conferir algumas músicas em versões ao vivo gravadas por fãs e deixadas no You Tube, porém somente nesta semana parei para ouvir o disco inteiro.

E dá para usar aquela frase vista em alguns cartazes nos campos de futebol: "Eu já sabia".
É bom, claro. Pelo menos na minha opinião, eles soltaram um dos melhores discos de 2009. Sem decepção, um senhor disco.

É até provável que muitos dos visitantes deste blog mais ligados em rock já tenham escutado o disco, mas em todo caso, resolvi compartilhar com vocês pelo menos cinco das trezes músicas que estão no album.

Vale a pena correr atrás.


Sandro


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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CLARICE - Biografia Made USA

Não é segredo pra ninguém que para um estrangeiro fazer sucesso em Hollywood ou na mídia dos Estados Unidos da América é extremamente difícil.

O público estadunidense não assimila com facilidade artistas de outros países atuando em seus filmes. Por exemplo, os de ascendência latina como a atriz Eva Mendes, a canadense Evangeline Lilly que teve dificuldades para conseguir o “visto de trabalho” para atuar na série LOST, o frustrado de Bruce Lee que foi substituído por David Carradine na série Kung Fu. Teve até ator americano interpretando personagem de outra nacionalidade , como o “Marlon Brando japonês” em “Casa de Chá do Luar de Agosto” e o “Steve Martin Francês” do “Remake” da “Pantera Cor-de-Rosa”.

Está certo que utilizei exemplos de cinema, mas podemos extender para o ramo da música, literatura, de fato o povo americano é muito nacionalista.

Por isso devemos receber com satisfação a notícia do lançamento no Brasil, de “Clarice” (Ed. Cosac Naify), biografia da escritora Clarice Lispector (1920-1977) escrita pelo jornalista americano Benjamin Moser. O mais impressionante é que está na segunda edição nos EUA.

Ucraniana de origem judia (Haia Lispector), e carioca por opção, é um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira. Seus textos seguiam uma linha introspectiva , seu romance “A Paixão segundo G.H.”(1964) é considerado uma de suas mais importantes obras.

Clarisse faleceu de cancer no ovário em 09 de dezembro de 1977, logo após de finalizar “A Hora da Estrela”, obra que virou filme em 1985 dirigido por Suzana Amaral (vide trailer abaixo).

Anselmo



THE KILLERS EM SÃO PAULO - SÓ PARA LEMBRAR


Eu já escrevi sobre o assunto antes, mas não custa lembrar que no próximo sábado a banda norte-americana The Killers tocará aqui em São Paulo. Informações sobre o local e ingressos (ainda estão á venda) encontram-se num post anterior (aqui).

Pesquisando vídeos com performances da banda ao vivo em 2009, como parte do aquecimento, me deu vontade de compartilhar alguns aqui no Minerva Pop. Eu que não estava muito animado para a balada, já entrei no clima e espero presenciar um show bacana neste final de semana.

Depois eu conto como foi.


Sandro






quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O EXORCISTA - Minissérie?

Prezados amigos e leitores, gostaria da opinião de vocês sobre a seguinte questão: Uma obra de arte pode ser “aprimorada” ou “reproduzida numa versão melhor”?

Algum designer gráfico com toda a tecnologia disponível hoje, poderia reproduzir a “Mona Lisa” de Leonardo da Vinci?

Vocês podem imaginar algum produtor musical com o mais moderno equipamento de gravação, reunindo os melhores músicos, conseguir reproduzir o Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles?

Como seria Francis Ford Coppola fazendo um “remake” de Apocalipse Now e substituindo todo aquele cenário que lhe custou a saúde por efeitos especiais digitais?

William Shakespeare escrevendo seus poemas em um notebook e distribuindo-os em versões digitais na internet com figuras 3D animadas, fariam suas obras mais notáveis?

Para todas essas perguntas em aposto que a resposta é não.

Então por que diabos o escritor William Peter Blatty e o diretor William Fredkin vão fazer uma adaptação de um dos maiores clássicos do terror, “O Exorcista”, para a televisão? E o pior de tudo, será uma minissérie, que além de contar com passagens excluídas do filme pode ter ainda um final diferente do original.

Não, não, mil vezes não!

Todas as seqüências foram um “furo n’água”, nenhuma sequer chegou perto da versão original com Max Von Sydow (Padre Merrin).

Não sei quanto a vocês caros colegas, mas eu vou passar bem longe dessa “heresia”.

Talvez o trailer abaixo ajude a expressar meus sentimentos.

Anselmo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PJ HARVEY - UMA DEUSA

Foi escrevendo aqui no Minerva Pop que pude sentir na pele o real significado para a expressão "sem palavras". Apesar de já tê-la repetido outras vezes, nunca tinha me deparado com a dificuldade em achar um forma para expressar minha opinião ou sentimento por algo.

Percebi que acontece quando a gente quer muito falar sobre alguma coisa, mas fica com medo de não ser suficientemente claro a respeito. Tive este tipo de dificuldade quando fui escrever sobre o Manic Street Preachers (aqui), por exemplo. Sobre os Ramones, ainda não consegui nem pensar em como fazer (dada minha adoração pela banda).

Acontece o mesmo quando o assunto é PJ Harvey. Sou fanático por esta cantora inglesa e queria escrever sobre ela desde o início do blog. Mas sempre vinha o dilema. Como descrever o tamanho da minha admiração? Como explicar o quanto esta mulher é talentosa?

Pois hoje resolvi enfrentar e escrever um pouco sobre Polly Jean Harvey. Preferi fazer um breve apanhado de sua trajetória.
Particularmente eu tomei conhecimento do seu trabalho quase em meados dos anos 90, através de um programa de rádio (em breve, mando um post específico) e fiquei de quatro.

Fui atrás (lembremos que não havia esta facilidade da internet) e descobri dois discos. "Dry" de 1992 e "Rid of Me" de 1993. Encomendei os dois, comprovei que a mulher realmente era boa demais e me tornei fã de imediato.

Logo depois veio o terceiro disco, chamado "To Bring You My Love", de 1995, já com uma repercusão um pouco maior (os vídeos rolavam bastante no extinto Lado B da MTV). Apesar de "Rid of Me" ter sido um sucesso de crítica, este trabalho de 1995 trouxe uma sonoridade menos crua e marcou a entrada da PJ Harvey no hall da grandes cantoras e compositoras do rock alternativo dos anos 90. Ainda é um dos seus melhores discos. Lembro que eu o ouvi sem parar durante meses. Disco lindo.

Em 1996, ela grava junto com Nick Cave um dos melhores duetos que já ouvi, na música "Henry Lee". Esta faixa faz parte do sensacional disco "Murder Ballads" lançado por Cave em 1996. Sua relação com o cantor e compositor australiano vai além da profissional e ela inicia um relacionamento amoroso que chega a durar um bom tempo.

Neste mesmo ano, Harvey lança um trabalho dividido com o músico e amigo John Parish. "Dance Hall at Louse Point", é um bom disco, mas é o que eu menos gosto dentro de sua discografia.

Em 1998 ela retorna com o album "Is This Desire?", mantendo a boa recepção da crítica mas como menos força comercial. Apesar de bom, o disco é um tanto quanto irregular.

Durante o ano de 1999, PJ Harvey muda-se para os EUA e mora por seis meses em New York. Segundo ela mesma, esta sua estadia respirando novos ares, a inspira a compor o disco "Stories From the City, Stories From the Sea", lançado em 2000. Apesar da crítica especializada preferir os primeiros trabalhos, este disco, na minha opinião de fã é sua obra-prima. Resgata sua alma rockeira e sem muita complicação mostra-se um disco perfeito e irretocável do princípio ao fim. Estaria na minha lista dos principais lançamentos da década, fácil. Simplesmente maravilhoso.

Antes de seu próximo trabalho solo, ela participa junto com o pessoal do Queens Of The Stone Age (Josh Homme) do projeto Desert Sessions, que em 2003 gerou o disco "Vols. 9-10". Peso puro que demonstra sua faceta mais agressiva.

"Uh Huh Her", aparece em 2004, ainda com a pegada mais rock que marcara seus últimos trabalhos. Outro ótimo album que recomendo muito.

Em 2007, uma mudança radical. PJ Harvey lança "White Chalk", um disco só de voz e piano, triste por natureza, porém belíssimo. Com o prestígio adquirido ao longo da carreira, ela pode se dar ao luxo de contrariar expectativas e inovar sempre, pois não há cobranças por hits ou lugares nos topos da parada, o que permite trabalhos experimentais como esse.

Agora em 2009, retomando a parceria com John Parish, sai o disco "A Woman a Man Walked By". Grande disco, que num ano carente de bons lançamentos com este pode figurar entre os melhores do ano, pelo menos na opinião deste fã aqui.

Enfim, recomendo a música da PJ Harvey a todos, mesmo aqueles que não curtem muito rock. É uma artista que precisa ser degustada e devidamente experimentada. Grande compositora, com letras sobre a vida, amor, sexo, religião e cantora com forte interpretação, Polly Jean Harvey merece atenção especial.

Após ter selecionado nove vídeos, acabei escolhendo os quatro abaixo para representar o trabalho desta extraordinária mulher. São eles: "Down by The Water" (do dosco "To Bring You My Love"), "Good Fortune" e "A Place Called Home" (ambos do disco "Stories From the City,Stories From The Sea") e "Black Hearted Love" ( deste último disco de 2009).



Sandro















segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CAMILLE SAINT-SAËNS - Danse Macabre

É interessante como o “terror” é um tema que atrai tanta gente. As pessoas pagam para sentir medo, seja com literatura, cinema ou música. O guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler perceberam isso quando deram o nome Black Sabbath para sua banda de rock, inspirado num filme de Mario Bava de 1963. (Qualquer outro nome de bandas, dito góticas, que me venham a memória nesse momento, somente repetem essa idéia).

No entanto, enquanto divagava sobre esse assunto, recordei de uma das figuras culturais francesas mais importantes do sec.19, o compositor, organista e pianista Camille Saint-Saëns (Paris, 9 de outubro de 1835).

Camille foi o menino-prodígio que, admirador de Liszt e Wagner, é chamado de o Mozart francês. Foi uma pessoa feliz, que gostava de viajar, sendo que numa dessas viagens veio a América do Sul onde deu concertos no Rio de Janeiro e São Paulo em 1899. Faleceu em Argel, na Argélia, no dia 16 de dezembro de 1921.

Com certeza vocês devem estar se perguntando, por que estou citando Camille depois de comentar sobre arte e terror? A resposta é simples meus caros amigos, foi dele a obra “Danse Macabre” (1875).

Inspirado no poema de Jean Lahor, (Henri Cazalis), onde numa noite de halloween, à meia-noite, esqueletos comandados pela morte, saem de seus túmulos para um baile em um pátio de igreja (pela primeira vez o xilofone é usado em música clássica), esta é sua sinfonia mais famosa.

Alguns também citam como uma tradição medieval, iconográfica, a Dança Macabra, que foi muito forte no imaginário popular durante os tempos da Peste Negra. A principal mensagem é retratar que no final somos todos iguais. O filme “O Sétimo Selo” (1957) de Ingmar Bergman, termina com a “Dança da Morte”, onde todos os diferentes personagens , guiados pela morte, seguem o mesmo e derradeiro destino (mas este terá um post específico).

Como nosso objetivo final é o entretenimento, deixo abaixo uma versão POP-Cartoon dessa maravilhosa sinfonia, para sua apreciação.

Anselmo


sábado, 14 de novembro de 2009

RENÉ FAVALORO - "Cirurgia de bypass"


Nós sempre abordamos os mais diversos assuntos aqui no Minerva Pop, seja sobre música, literatura, cinema, gastronomia, lazer, etc. E sobre cada um desses temas não escondemos de ninguém que temos nossas referências, nossos ídolos como Iggy Pop, Saramago, Buñuel, Jose Mojica, Alan Moore, Nick Hornby, Ottis Reding, Jack White, e muitos outros onde o resultado final de seu trabalho nos faz muito bem a alma.

Mas como dizem os filósofos “somos um cérebro ligado a um tubo digestivo”, e geralmente quando vivenciamos as situações e momentos prazerosos, nós esquecemos nosso corpo.

Estudamos, trabalhamos como loucos nesse mundo corporativo que consome nossa saúde, ingerimos bebidas alcoólicas, comemos alimentos gordurosos, fumamos, vamos a baladas, nos divertimos até não poder mais em shows e festivais, quando sobra tempo praticamos esporte e até sexo, usamos nosso corpo ao extremo. E somente lembramos dele quando falha alguma coisa, ou quando não temos mais controle sobre determinada situação.

Isso ocorre com qualquer pessoa, até com nossos ídolos, os Ramones, Kurt Cobain, Cássia Eller, Fernando Pessoa, Tim Maia, Freddie Mercury, Petter Sellers, Ian Curtis, dentre outros.

Todas as celebridades citadas anteriormente morreram por problemas diversos como depressão (suicídio), câncer, cirrose, overdose, Imunodeficiência (AIDS), problemas cardíacos.

Mas para todos esses problemas existem pessoas que dedicam uma vida inteira para solucioná-los, que desenvolvem e aprimoram técnicas para termos uma qualidade de vida melhor. Estou falando de uma classe de cientistas ligados a medicina, e gostaria de citar um em especial, RENÉ GERÓNIMO FAVALORO.

René Favaloro nasceu em 14 de julho de 1923 em La Plata na Argentina, foi o primeiro cirurgião que realizou com sucesso a cirurgia de “by pass” da artéria coronária do coração, mas conhecida como “ponte safena”, em 1967 na Cleveland Clinic nos EUA. Em 1970 escreveu o livro Surgical Treatment on Coronary Arteriosclerosis onde descreve a técnica cirúrgica em detalhes.

Seguindo a mesma sorte de alguns de nossos ídolos, René Favaloro suicidou-se em 29 de julho de 2000 em Buenos Aires aos 77 anos, após forte abalo moral e psicológico devido a grave crise financeira de sua Fundação Favarolo (criada em 1975).

Claro que não poderíamos deixar de citar os pioneiros das cirurgias de ponte de safena no Brasil, Dr. Euryclides J. Zerbini e Dr. Adib D. Jatene, em São Paulo, e de Dr. Domingos Junqueira de Moraes e Dr. Waldir Jasbik, no Rio de Janeiro.

Prezamos amigos e leitores do Minerva Pop, o motivo que me levou a escrever sobre esse tema no Blog foi a cirurgia de “ponte safena” a qual meu Pai foi submetido nessa última quinta-feira (12 Novembro), que durou cerca de 5 horas, das 15:00 até 20:30.

Na manhã seguinte do dia 13 de novembro, minha mãe recebe o seguinte telefonema ás 7 horas:
- Alô
- Oi, quem fala? Ataíde?
- É, sou eu.
- Mas não era pra você estar em “coma”?
- “Coma” é o caralho, eu estou tomando café, porra!

“Operar é divertido, é uma arte, é ciência e faz bem aos outros” – Euryclides de Jesus Zerbini

A banda de rock argentina Attaque 77 faz uma homenagem para René Favaloro na canção "Western" gravada no álbum "Antihumano"(2004)

Anselmo



sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO - O FINAL DA TRILOGIA SOBRE ZÉ DO CAIXÃO

Em tempos da chegada do filme "Colin" (leia aqui) aos cinemas brasileiros e numa sexta feira 13, quero escrever sobre o Zé do Caixão. Muita coisa se comenta a respeito deste mítico personagem e alguns chegam até mesmo a confundir o criador José Mojica Marins com a criatura.

Na minha opinião, Mojica é simplesmente genial. Figura de suma importância na história do cinema brasileiro, com seu jeito todo peculiar de fazer cinema. Um cara de origem humilde que mesmo sem conhecimento teórico, realizou filmes tidos como referência mundial para o chamado terror "B". Menosprezado por parte do grande público, é respeitadíssimo no meio cinematográfico nacional e internacional.

Mas irei tratar sobre a história deste grande cineasta (ou seria um louco?) em outra ocasião. Sua biografia intitulada "Maldito" escrita pelo André Barcisnki e pelo Ivan Finotti será filmada e em breve poderemos ver nas telas a saga deste grande homem. São mais de 30 filmes e muita coisa para contar.

Hoje eu quero falar sobre o último filme da trilogia com o personagem Zé do Caixão, que saiu este ano em DVD. Chama-se "Encarnação do Demônio".

Esta trilogia foi iniciada em 1964 com o filme "A meia-noite levarei sua alma", onde o coveiro de uma pequena cidade do interior, conhecido como Zé do Caixão é ao mesmo tempo temido e odiado pelos moradores do local. Ele é obsecado em gerar um filho perfeito, porém descobre que sua mulher não pode engravidar. Revoltado, entende que Teresinha, a mulher de seu amigo, deveria ser a geradora da criança e decide violentá-la para conseguir o que quer. Ele só não contava com o fato de que, desgostosa e desesperada com a possibilidade de ter engravidado, a mulher decide se suicidar, impossibilitando o plano de Zé. O personagem é extremamente cruel e sádico e passa o filme todo fazendo maldades com os demais personagens.

Em 1967 foi lançada a segunda parte da trilogia, chamada "Esta noite encarnarei teu cadáver". Desta vez Zé do Caixão está ainda mais enlouquecido e continua sua busca pela mulher ideal para gerar seu filho perfeito. Pare ele, a mulher não pode ter medo de nada, pois ao sentir medo, mostra que não é digna. Então os testes para encontrá-la são bem pesados (se é que você me entende).

Mojica sempre teve em mente que a saga do personagem deveria ser contada numa trilogia, porém os anos foram passando, o cineasta sofrendo cada vez mais com a censura do regime militar até que veio um período de ostracismo, onde Mojica era visto apenas como uma figura folclórica que não era levada muito a sério. Sem oportunidades para filmar, o sonho de finalizar a trilogia ia ficando cada vez mais distante.

A maré começou a mudar nos anos 90, quando seus filmes foram descobertos pelo público norte-americano aficcionado por filmes de terror de baixo orçamento. No meio destes novos fãs muita gente importante manisfestou sua admiração por seu trabalho, como Steven Spilberg, para citar um bem famoso. Nesta época, Mojica (conhecido lá como Coffin Joe) participou ativamente de festivais e convenções nos EUA, ganhando certa notoriedade. Isso fez com que as muitas pessoas aqui do Brasil se lembrassem da importância de sua obra e regatassem um pouco sua moral, lhe dando o devido respeito.

Mesmo assim, Mojica só conseguiu por em prática seu plano de terminar a citada trilogia em 2007. Mas o importante é que conseguiu.

Em 2008 foi lançado "A Encarnação do Demônio". No filme, depois de 40 anos preso (tempo real entre as filmagens), Zé do Caixão é solto. Com um histórico de muitas mortes na cadeia durante todos estes anos de prisão, ele continua com a mesma maldade de sempre e ainda planeja a geração do tão sonhado filho. Seu fiel escudeiro Bruno, já pré-selecionou uma equipe de quatro servos que irão ajudá-lo na tarefa do recrutamento das candidatas. O local para os "testes" também já está preparado e se parece bastante com um castelo de horrores.

Devido aos recursos disponíveis (os filmes anteriores eram amadorismo e improviso puros), esta terceira parte supera e muito as demais no aspecto visual. O diretor soube usar dos avanços da modernidade para rechear o filme de cenas realmente impactantes e fortes. Só para citar um exemplo, numa cena em que uma das atrizes tinha que ser costurada dentro de um porco, a garota surtou e causou um desconforto em toda a equipe de filmagem , fazendo com que parte abandonasse o set meio chocada com a situação. Depois acabou rolando normal.

O que eu particularmente acho que ficou um pouco a desejar foi a montagem. A cargo do Paulo Sacramento (também produtor do filme) ela é meio confusa e com um início muito lento (depois pega!). Minha opinião é que dava para ter conseguido um resultado melhor, até pela competência dos profissionais envolvidos.
Formei esta opinião quando assisti ao filme no cinema. Depois pude compreender melhor a razão quando comprei o DVD (devidamente autogafado pelo mestre!!!) e assisti aos extras. Lá ficamos sabendo que o que prejudicou demais as filmagens foi o fato do ator Jece Valadão, que interpreta o personagem antagonista no enredo, ter morrido durante as filmagens, tendo gravado somente 1/3 de suas cenas. Como não dava para começar tudo de novo e muito menos cancelar o projeto, a adaptação a esta nova realidade mexeu com os caminhos das filmagens e impossibilitou um resultado final perfeito. Esta situação ameniza bastante a crítica, mas independente disso, eles não poderiam ter cortado a cena do velório das velhas cegas!(rsrs).
Uma coisa muito bacana é o desfecho. Gostei muito foi do final, emblemático para a trama.

Enfim, considero um filme muito bom, porém não é o tipo de cinema recomendado a todos os gostos. Se a pessoa não curtir filmes de terror, provavelmente não vai entender e achar tudo muito gratuito. Mesmo assim, para quem não tiver muito problema com cenas de violência extrema, pode ser interessante conhecer um pouco da obra deste fabuloso realizador.

Para finalizar, antes dos trailers (o oficial do Brasil e um para a distribuição internacional, mais longo), deixo algumas opiniões a respeito de José Mojica Marins.

"O maior homem de cinema já surgido no hemisfétrio sul" - Carlos Reichenbach
"De boa fé, troco 20 anos de cinema paulista pelos 20 segundos em que Zé do Caixão, fugindo na floresta de papelão, abre os braços, a capa e grita 'a quem pertence a Terra? a Deus? ao Demônio? Ou aos espríritos desencarnados?' '' - Rogério Sganzerla.
"Um débil mental...Se não fugisse á minha alçada, seria o caso de sugerir sua prisão." - Censor da polícia federal na época da ditadura.


Sandro





quinta-feira, 12 de novembro de 2009

THE ASTEROIDS GALAXY TOUR - EXPERIMENTE


Já faz mais de um ano que quando alguém me pede uma dica de alguma coisa nova em termos musicais eu repito sempre a mesma indicação: The Asteroids Galaxy Tour.

Descobri o som deles por acaso. Era setembro de 2008 e eu estava no site da Apple procurando informações sobre o iPod Touch, quando vi um vídeo que era o comercial de TV usado na divulgação mundial do fantástico aparelhinho. De cara, eu pirei com a trilha sonora do vídeo (30 segundos). Fui atrás e descobri que o som era dos Asteroids Galaxy Tour.

Descobri também que eles são da Dinamarca e que na verdade não trata-se de uma banda, mas sim de uma dupla, formada pela excelente cantora Mette Lindberg e por Lars Iversen, responsável por escrever as músicas, além de tocar baixo e teclado. Este duo, vira uma banda quando apresenta-se ao vivo, incluindo mais quatro componentes que tocam guitarra, bateria, sax e trompete. Inclusive eles abriram vários shows da Amy Winehouse em 2008. Só não sei se eles abriram por causa do vídeo da Apple ou se eles foram parar no vídeo por terem feito estes shows.

Outra coisa estranha, é que até aquele momento o grupo ainda não tinha nenhum disco lançado, apenas alguns singles. Com o passar dos meses foi ouvindo mais músicas, que foram sendo lançadas aos poucos e gostando cada vez mais do som.

Não dá para explicar muito com palavras o estilo musical deles. É uma mistura de referências, e tem um pouco de tudo. Dance, funk, soul, electro. O que sei é que vale a pena ouvir. Música pop da melhor qualidade e que gruda na cabeça com a primeira audição. Daquelas para se pegar mexendo os pés, cabeça, dedos, sem perceber.

E é por isso que eu indico sempre. Porque independente do gosto musical da pessoa, a chance de vir a gostar é grande (radicalismos a parte, claro).

Somente agora em 2009, o primeiro disco foi lançado. Não sei em que mês "Fruit" saiu, mas eu o peguei apenas na semana passada. Achei bom por inteiro e recomendo. Experimentem o som com as duas músicas mais conhecidas deles que são "Around he Bed" e "The Sun Ain't Shining No More". Como curiosidade, ambém deixei o vídeo do comercial da Apple que me mostrou o delicioso som dos Asteroids Galaxy Tour.

Sandro











quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ANÚNCIO - PEÇA NOVA NO TPA


Amigos, segue abaixo informação sobre a nova peça do Teatro Para Alguém que a Luciana da assessoria de imprensa mandou para o Minerva Pop:

ANÚNCIO ENTRA EM CARTAZ NO TEATRO PARA ALGUÉM

Richard Haber é o autor de Anúncio peça que conta a saga de um homem, vivido por Heitor Goldflus, que no auge dos seus 55 anos de idade - solteiro, desempregado e morando ainda na companhia dos pais -, reúne a família para comunicar uma decisão que irá mudar a sua vida e a de todos os envolvidos.

O espetáculo Anúncio, que traz no elenco Antonio Petrin, Miriam Mehler, Heitor Goldflus e Lulu Pavarin, entra em cartaz no Teatro para Alguém (http://www.teatroparaalguem.com.br/), nesta sexta-feira, 13 de novembro, ao vivo, às 22 horas. A direção é de Danilo Marques e a direção de fotografia é de Nelson Kao e Igor Bineli.

A estreia de Anúncio abre a programação especial do primeiro aniversário do canal de teatro virtual para o mês de novembro.

Anselmo

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ANSELMO DUARTE - PALMA DE OURO

Infelizmente não é novidade pra ninguém, mas não poderíamos deixar passar despercebido o falecimento do grande diretor brasileiro Anselmo Duarte, aos 89 anos, devido a um acidente vascular cerebral. O diretor foi enterrado (domingo) na cidade onde nasceu, Salto - SP.

Anselmo Duarte começou sua carreira como figurante do filme inacabado de Orson Welles no Brasil "It´s All Truth" de 1942, até se tornar um dos principais galãs do cinema nacional na época da Atlândia e Vera Cruz com filmes como “Tico-Tico no Fubá” (1952), “Sinhá Moça” (1953) “Absolutamente Certo” (1957) , “Vereda da Salvação” (1954) dentre outros.

Mas a premiação da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962 por “O Pagador de Promessas” foi um marco, pois ainda é o premio mais importante concedido a um filme nacional , o qual também foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro daquele ano.

O filme conta a história de Zé do Burro, homem simples que é impedido de pagar a promessa que fez a sua “mãe-de-santo”, de entregar uma cruz na igreja de Santa Barbara em Salvador, devido a recusa do padre local. O desenrolar da trama junto com os vários interesses políticos e socias que cercam a personagem é de extrema sensibilidade e inteligencia.

Mas há um ponto interessante na gloriosa história de Anselmo Duarte que, de certa forma parecido com o que aconteceu com Jose Mojica Marins - Zé do Caixão (de acordo com o livro Maldito de André Barcinski), sua carreira entrou em declínio devido a divergências com o pessoal do Cinema Novo.(Qual era a desse pessoal? Com certeza será abordado em um post específico).

Eu particularmente devo agradecer a esse grande artista brasileiro, a inspiração que meu querido pai teve ao escolher meu nome. Obrigado.

Abaixo o trailer do filme “O Pagador de Promessas”, adaptação da peça de Dias Gomes.

Anselmo


domingo, 8 de novembro de 2009

O QUE ACHAMOS DO PLANETA TERRA FESTIVAL


Na noite de ontem aconteceu aqui em São Paulo o festival Planeta Terra, bastante comentado em outros posts aqui do blog (para ler vá ao ícone "shows no Brasil").

Abaixo as impressões do Minerva Pop sobre o festival.

Local: O que parecia uma escolha inusitada, se mostrou uma grata surpresa. O festival soube aproveitar a estrutura do Playcenter para contrariar o que parece ser uma regra em festivais aqui no Brasil, que é a falta de respeito para com o público. Havia espaço suficente para as mais de 15 mil pessoas que estavam lá. A sinalização era boa, havia filas organizadas para a compra de fichas, os bares eram suficientes, nem a cerveja e nem a água acabaram ou estavam quentes no decorrer da noite. Enfim, local e estrutura aprovados.

Organização: Com exceção do show do Primal Scream, onde o ínicio teve um som meio baixo, a qualidade do som foi satisfatória. Os telões instalados também eram de primeira qualidade, transmitindo uma imagem nítida mesmo a distância. A opção de apresentar um programa num estúdio montado lá dentro, durante os intervalos dos shows também foi interessante. Apesar de opiniões pouco relevantes, serviu para o tempo passar e para gerar algumas boas risadas (a repórter perguntando para o Paulo Ricardo se ele estava com vontade de tocar no festival, por exemplo). A pontualidade, também foi louvável, todos os shows começaram exatamente no horário previsto. Bem que eles poderiam ter descolado um pouco o início das duas últimas atrações (Iggy Pop num palco e Ting Tings no outro), propiciando que ao menos conseguíssemos ver um pedaço do show preterido, o que foi impossível. A única crítica fica por conta da eterna truculência da equipe de seguranças. Mostrando o despreparo de costume, os caras espancaram muita gente que subiu ao palco durante o show do Iggy Pop, mesmo com a autorização do cara. É uma tradição que em determinadas músicas, Iggy incite as pessoas a pularem no palco, com tudo voltado ao normal depois. Além de tentarem impedir a subida (em vão), agrediram covardemente as pessoas quando eles já estavam descendo, na paz.

Shows: Vimos 3 inteiros, 20 minutos do Maximo Park, 30 minutos do N.A.S.A e 10 minutos do Copacabana Club (que apesar da boa impressão, devido ao pouco tempo não vamos comentar). Vamos lá:

Maximo Park: Pegamos os últimos 20 vinutos so show de 1 hora que a banda fez. Foi bacana, bom o suficiente para a tarefa deles na noite. que era a de abrir os shows principais. Estavam animados e tentavam interagir e agradar o público presente a todo momento. Não vimos inteiro, mas achamos ok. Nada demais.

Primal Scream: Se fosse para resumir, eu diria que foi um show em mono. E isto significa muito para uma banda totalmente stereo como o Primal Scream. Uma banda com músicas que caem bem quando tocadas em alto volume. A verdade é que faltou massa sonora ao show, já que na nossa opinião, a opção de contar com apenas um guitarrista não funcionou ao vivo. Mesmo com teclados e alguns samples ajudando a base, a potência das músicas foi perdida. Soma-se a isso a ausência de backing vocals (presença constante nas versões de estúdio) e uma frieza acima da média. O Primal Scream parecia incomodado, parecia que os caras estavam brigados entre si. Alguns ingredientes fazem parte da receita certa para um grande show. A atitude da banda em cima do palco, a competência dos integrantes e o repertório. Sabidamente competentes e com um set list de primeira, faltou tesão para que eles fizessem o grande show que todo mundo esperava. Foi um desperdício ver a sequência inicial ("Can't Go Back", "Miss Lucifer", "Country Girl" e "Jailbird") ser tocada de forma quase burocrática. Decepção foi a impressão final, principalmente por termos assistido ao show deles aqui no Brasil em 2004 e sentido do que a banda é capaz. Naquela ocasião, 3 guitarras e uma atitude rock proporcionaram uma apresentação impecável.

Sonic Youth: Apesar de "Eternal", o último disco da banda ser muito bom e de sabermos que a turnê atual dos caras está calcada neste trabalho, havia uma torcida particular nossa para que surpreendentemente, eles alterassem o padrão do set list e fizessem um autêntico desfile de clássicos num show especial para o Brasil. Obviamente, isso não aconteceu e o que vimos foi um show muito bom, com a banda em grande noite, transpirando energia em cima do palco, mas com um repertório baseado no "Eternal" (tocaram alguma coisa do DayDream Nation). Tendo como base comparativa os dois shows que vimos da banda, dá para dizer que foi muito melhor do que o de 2005, mas não tão bom quanto o de 2000. De qualquer forma, não dá para reclamar, pois o Sonic Youth mostrou que está em grande forma e fez, sim, um belo show.

Iggy Pop and The Stooges: O rei da noite. Para começar, qualquer músico que inicie um show tendo a oportunidade de mandar "Raw Power" já está com meio caminho andado. Sinceramente não dá para acreditar que o Iggy Pop tenha mais de 60 anos. Sua energia e sua vitalidade são de fazer inveja a qualquer um. Diferente da passagem anterior aqui pelo Brasil em 2005, onde o show foi todo composto por músicas dos dois primeiros albuns dos Stooges (não que isso seja pouca coisa), desta vez com o guitarrista James Willianson substituindo o falecido Ron Ashenton (Iggy dedicou "I Wanna Be Your Dog" para ele), o repertório foi mais eclético, predominando músicas do maravilhoso disco "Raw Power" mas com espaço para clássicos da carreira solo de Iggy como "The Passenger" e "Lust For Life". Para resumir, poderíamos dizer apenas que foi sensacional.

Abaixo alguns momentos do que vimos ontem, em vídeos de boa qualidade que eu encontrei hoje na internet. Um momento antológico, é quando Iggy pede para alguns garotos subirem com ele no palco, e acabam subindo mais de uma centena para curtir "Shake Appeal" junto ao ídolo. Têm ainda a entrevista que uma das repórteres fez com os Stooges depois do show (daquelas que rendiam boas risadas). Dá para ficar com vergonha pela mina, pois sua falta de informação é constrangedora, mas vale para dar uma sacada nos tiozinhos.

Sandro e Anselmo








sábado, 7 de novembro de 2009

GIRL POWER - GAROTAS ROCK´N´ROLL

Como todo garoto brasileiro do início dos anos 80, eu estava ficando cada vez mais deslumbrado com os programas de “vídeo clip” do final de tarde. Era um “barato”, pois sempre um colega ligava pro outro pra avisar quando estava passando algum “vídeo” legal na TV. Caso a gente ligasse a TV e viesse “AC/DC”, “Iron Maiden”, “Judas Priest”, “Black Sabbath”, Led Zeppelin” na tela, não “tinha erro”, os telefones começavam a tocar (aquela época era todo mundo “metal” !)

Certa vez, como sempre de forma inesperada, acho que era por volta de 1984 ou 1985, apareceu um vídeo com uma garota morena, magra, vestida com “jeans”, “jaqueta de couro” e gritando: "I don't give a damn 'bout my reputation"! Era a Joan Jett & the Blackhearts.

A partir daí comecei a me interessar mais por vocalistas femininas, pois acho que elas procuram “se superar” pra mostrar que não devem nada para os garotos.

Eu particularmente acho que a Joan Jett é uma excelente “interprete”, ela tem um estilo peculiar que transforma as músicas. Por exemplo, suas versões de “Do you Wanna Touch” (Gary Glitter), I Love Rock´n´Roll”(The Arrows), “A.C./D.C.”(The Sweet), “Wild One”(Johnny O'Keefe) , superam as originais ( na minha humilde opinião).

Esta para sair um filme que conta a história das “Runaways” (sua banda original) quem fará o papel da Joan Jett será a atriz Kristen Stewart, aquela garotinha do filme Crepúsculo. Joan Jett é a produtora executiva, vamos aguardar.

Na seqüência dessa fase particular da descoberta do talento feminino para o Rock´n´Roll me deparei com a banda inglesa da vocalista e guitarrista Kelly Johnson, a Girlschool, ou as famosas garotas apadrinhadas pelo Motorhead.

Foram dois álbuns que “fizeram minha cabeça” na época, “Demolition” (1980) e o meu preferido “Hit and Run” (1981) com “hits” como “Watch Your Step”, “Hit and Run”, “Kick it Down”. Os posteriores “Screaming Blue Murder” (1982) e “Play Dirt” (1983), não acompanham a mesma pegada.

Em 2000 Kelly descobre que está com câncer e se retira do grupo para fazer o tratamento. Falece em 2007.

Em 2008 as Girlschool lançam o álbum “Legacy”, é bem interessante, mas pra mim é como um “remake” de um filme muito bom.

Outra que não pode faltar nessa nostálgica lembrança é Wendy O. Williams dos Plasmatics. A garota era "foda", tinha atitude, batia de frente com muito "marmanjo" e até tentava dar uma de atriz em "filmes B" como "Reform School Girls" de 1986.

Seu melhor disco com os Plasmatics foi "Coup d'Etat"(1982), que tinha hits como "Put Your Love In Me" e "The Damned" (este último foi regravado bela banda de metal alemã Destruction

Infelizmente, Wendy Williams cometeu suicídio aos 48 anos em 1998. No wikipedia tem o texto do seu bilhete de despedida.

Pode parecer nostálgico demais, coisa de "tiozão", mas quando escuto as "roqueiras" de hoje, devo confessar que fico preocupado. Mas, cada geração tem suas preferências.

Em homenagem as minhas “roqueiras” preferidas, deixo um vídeo de cada.

Anselmo








sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PRIMAL SCREAM, SONIC YOUTH E IGGY POP - PROVÁVEL SET LIST

Faz tempo que venho falando sobre o que vai acontecer no próximo dia 7 aqui no blog. Quem ainda não leu nada é só dar uma olhada no ícone "shows no Brasil".

Como parte dos preparativos, dei uma pesquisada no que as principais bandas do Planeta Terra (festival escolhido pelo Minerva Pop) andam tocando por aí em shows recentes.

Para quem vai, serve para dar uma aquecida, para quem não vai e gosta (tem gente que prefere correr maratona....) ainda dá tempo e para quem não vai porque está longe ou não curte muito o som, serve apenas como informação.
Desculpem o egoismo, mas eu não procurei nada sobre o Faith no More e Jane´s Addiction que tocam no mesmo dia no Maquinaria Festival. Prefiro esquecer para não passar mais raiva com a situação.

Vamos lá.

Primal Scream:
1. Kill All Hippies
2. Can't Go Back (pode ser que esta abra)
3. Miss Lucifer
4. Suicide Sally and Johnny Guitar (pelo show ser mais curto pode ficar de fora)
5. Jailbird
6. Burning Wheel (pelo show ser mais curto pode ficar de fora)
7. Beautiful Future
8. Higher Than The Sun (pelo show ser mais curto pode ficar de fora)
9. Deep Hit of Morning Sun
10. Exterminator
11. Suicide Bomb
12. City
13. Shoot Speed/Kill Light
14. Swastika Eyes
15. Country Girl (as vezes rola no começo)
16. Movin' On Up
Bis:
17. Damaged (pelo show ser mais curto pode ficar de fora)
18. Necro Hex Blues (pelo show ser mais curto pode ficar de fora)
19. Rocks
20. Accelerator

Sonic Youth. Não estão fazendo mais a turnê tocando o lendário disco Daydream Nation. O foco deve estar no disco novo (leia aqui). Tomara que eles mudem tudo e insiram mais clássicos aqui para o Brasil:
1. No Way
2. Sacred Trickster
3. Calming The Snake
4. Walkin Blue
5. Stereo Sanctity (pode ficar de fora)
6. Anti-Orgasm
7. Poison Arrow
8. Antenna
9. Leaky Lifeboat (for Gregory Corso)
10. Silver Rocket
11. Malibu Gas Station
12. What We Know
13. Massage The History
Bis;
14. Tom Violence (nem sempre rola)
15. Cross The Breeze

Iggy and The Stooges. Li em algum lugar que eles iriam tocar o "Raw Power" (leia aqui) na íntegra. Não é o que está rolando lá fora:
1. Loose
2. Down on the street
3. 1969
4. I Wanna Be Your Dog
5. TV Eye
6. Real Cool Time
7. No Fun
8. L.A. Blues
9. Fun House
10. Skull Ring
11. My Idea of Fun
12. Search and Destroy
13. I’ve Got A Right
14. Little Electric Chair

Agora mídia para ilustrar o post. O áudio não está dos dos melhores,porque eu preferi colocar versões ao vivo:



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