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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

DISCOS FAVORITOS DO MINERVA POP EM 2009

Bom, depois de publicarmos (aqui e aqui) algumas listas de melhores discos do ano elaboradas pelo staff de renomadas revistas ou sites especializados, agora chegou a vez de listarmos nossos preferidos.

Notem que não é uma lista de melhores, mas sim a relação do que mais gostamos de ouvir dentre os lançamentos de 2009.

Optamos por não fazer uma lista com filmes, preferindo fazer um post específico com uma abordagem mais ampla e listando nossos favoritos da década. Quantos aos livros, outro assunto recorrente aqui no blog, não dava para fazer uma lista com dez lançamentos de 2009, porque muita coisa do que lemos no ano não foi exatamente lançada em 2009.

De qualquer forma, a relação dos discos saiu e está aí embaixo para vocês darem uma olhada. Na verdade são duas listas, uma elaborada por mim e a outra pelo Anselmo, pois conforme vocês podem ver, não houve chance de unificação (somente 2 discos emplacaram nas duas listas). Mas a controvérsia, é justamente a graça destas listas.
As duas são boas e vale a pena dar uma conferida nos discos.

Muitos dos artistas citados têm posts específicos aqui no Minerva Pop e nos casos onde existe alguma mídia relacionada a estes discos, eu deixei o link do post para facilitar.


Discos favoritos em 2009, por Sandro:
1) Manic Street Preachers - "Journal For Plague Lovers" (vídeo aqui)
2) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz" (vídeo aqui)
3) PJ Harvey and John Parish - "A Woman A Man Walked By" (vídeo aqui)
4) Morrissey - "Years of Refusal" (vídeo abaixo)
5) Sonic Youth - "The Eternal" (vídeo aqui, música aqui)
6) New Model Army - "Today Is a Good Day" (vídeo aqui)
7) A Camp - "Colonia" (vídeo aqui)
8) Placebo - "Battle For he Sun" (vídeo abaixo)
9) Florence and The Machine - "Lungs" (vídeo abaixo)
10) The Asteroids Galaxy Tour - "Fruit" (vídeo aqui)

Discos favoritos em 2009, por Anselmo:
1) Pearl Jam - "Backspacer" (vídeo aqui)
2) Rancid - "Let the Dominoes Fall" (vídeo abaixo)
3) Yeah Yeah Yeahs - "It´s Blitz!" (vídeo aqui)
4) Morrissey - "Years of Refusal" (vídeo abaixo)
5) Alice in Chains - "Black Gives Way to Blue"
6) Kasabian - "West Ryder Pauper Lunatic Asylum" (vídeo abaixo)
7) Slayer - "World Painted Blood"
8) Depeche Mode - "Sounds of the Universe" (vídeo aqui)
9) Bob Dylan - "Together Through Life" (vídeo abaixo)
10) Sepultura - "A-Lex"











terça-feira, 29 de dezembro de 2009

MELHORES DISCOS DE 2009 - VÍDEOS

Conforme prometi, vou deixar alguns vídeos dos trabalhos eleitos pelos críticos dos mais importantes meios de comunicação do mundo como os melhores de 2009.Escolhi os que mais apareceram nas listas pesquisadas aqui pelo Minerva Pop.

O primeiro é com a banda mais citada em todas as listas. O Animal Collective teve seu disco "Merriweather Post Pavilion" no top ten de 14 das 16 listas pesquisadas, sendo que em 5 delas foi escolhido o disco do ano. Deixei a música "What Woul I Want Sky", mas já aviso que o som dos caras não é nada fácil. Particularmente nunca me comoveu e não figura entre meus preferidos. O detalhe desta música é que o vocal começa só aos 4 minutos...


O segundo traz a música do ano na minha opinião. É "Zero" do Yeah Yeah Yeahs, que teve seu disco "It's Blitz" no top ten em 10 das 16 listas. Já vou adiantar que na minha lista de preferidos do ano, está no tof five!


O terceiro também traz uma banda que teve seu disco citado no top ten de 10 das 16 listas. Trata-se dos franceses do Phoenix com seu "Wolfgang Amadeus Phoenix". Confesso que não conhecia a banda antes deste disco, mas quando o peguei, alguns meses atrás, fiquei meio viciado. É muito bom. A música é "Lisztomania".


O quarto é da maior sensação do momento no mundo indie. Trata-se da banda inglesa The xx, que com seu primeiro disco homônimo, já figurou no top ten de 8 listas de melhores do ano, ficando em primeiro lugar na opinião do respeitado jornal britânico, The Guardian. Preciso ouvir mais. Hojé eu acho apenas bacana. A música é "Crystalised".


O quinto é com a música "While You Wait For The Others" da banda norte-americana Grizzy Bear, que teve seu "Veckatimest" no top ten de 9 das 16 listas pesquisadas pelo Minerva Pop. Eu já tinha ouvido falar, mas nunca parei para escutar. Fiz isso só esta semana e tive uma boa primeira impressão.



Sandro

domingo, 27 de dezembro de 2009

MELHORES DISCOS DE 2009 - OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS

Já escrevi aqui outras vezes que sou chegado em listas. Gosto de fazer, mas gosto muito de ver a dos outros também. Enquanto o Minerva Pop não publica sua lista de favoritos de 2009, vou deixar por aqui o resultado de uma pesquisa que eu fiz em vários sites especializados.

Considerando que grande parte do que lemos na mídia brasileira é "chupado" destas fontes e que nossos especialistas brasucas são fortemente influenciados por estes veículos de comunicação, certamente você verá o que está aí embaixo em muitas listas divulgadas aqui no Brasil.

Tem de tudo, alguma coisas desconhecidas e descartáveis, outras novidades de muita qualidade, além de uma pequena participação de artistas consagrados. Particularmente a que achei mais a legal foi a da revista britânica Q, pois me pareceu menos afetada.

A grande maioria elenca mais de 10 discos, os respectivos sites mostram as listas completas (exceção a Uncut e Mojo ,que peguei na versão impressa), por esta razão, vale a visita como curiosidade. Se conhecer alguma relevante que ficou de fora, manda para a gente (a Blender e a Filter ainda não publicaram suas listas) completar.


Agora, as listas:

New Musical Express
1) The Horrors - "Primary Colours"
2) The XX - "The xx"
3) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
4) Wild Beasts - "Two Dancers"
5) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
6) Grizzly Bear - "Veckatimest"
7) The Big Pink - "A Brief History of Love"
8) Fuck Buttons - "Tarot Sport"
9) Fever Ray - "Fever Ray"
10) Jamie T - "Kings and Queens"

Spin
1) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
2) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
3) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
4) Grizzly Bear - "Veckatimest"
5) Girls - "Album"
6) Bat For Lashes - "Two Suns"
7) Mos Def - "The Ecstatic"
8) Florence and The Machine - "Lungs"
9) Drake - "So Far Gone"
10) The Dead Weather - "Horebound"

Q Magazine
1) Kasabian - "West Ryder Pauper Lunatic Asylum"
2) Florence and The Machine - "Lungs"
3) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
4) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
5) Manic Street Preachers - "Journal For Plague Lovers"
6) Artic Monkeys - "Humbug"
7) Muse - "The Resistance"
8) Lily Allen - "It's Not me, It's You"
9) U2 - "No Line on the Horizon"
10) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"

Uncut
1) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
2) Super Furruy Animals - "Dark Days / Light Years"
3) Dirty Projectors - "Bitte Orca"
4) Bob Dylan - "Together Through Life"
5) Wild Beasts - "Two Dancers"
6) The XX - "The xx"
7) Wilco - "Wilco (The Album)"
8) Grizzly Bear - "Veckatimest"
9) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
10) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"

Rolling Stone
1) U2 - "No Line on the Horizon"
2) Bruce Springsteen - "Working on a Dream"
3) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
4) Jay Z - "The Blueprint 3"
5) Green Day - "21st Century Breakdown"
6) Dirty Projectors - "Bitte Orca"
7) Necko Case - "Middle Cyclone"
8) The Dream - "Love vs Eternal"
9) The XX - "The xx"
10) Sonic Youth - "The Eternal"

Mojo
1) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
2) Bill Calahan - "Sometimes I Wish I Were an Eagle"
3) Richard Hawley - "Truelove Gutter"
4) The Horrors - "Primary Colours"
5) Tinariwen - "Imidiwan: Companions"
6) Bob Dylan - "Together Through Life"
7) Florence and The Machine - "Lungs"
8) Fuck Buttons - "Tarot Sport"
9) Madness - "The Liberty of Nolton Folgate"
10) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"

Pitchfork
1) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
2) Dirty Projectors - "Bitte Orca"
3) The XX - "The xx"
4) The Flaming Lips - "Embryonic"
5) Raeknown - "Only Buit For Cuban Line"
6) Grizzly Bear - "Veckatimest"
7) Bat For Lashes - "Two Suns"
8) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
9) Fever Ray - "Fever Ray"
10) Girls - "Album"

Guardian
1) The XX - "The xx"
2) Fever Ray - "Fever Ray"
3) Wild Beasts - "Two Dancers"
4) Dirty Projectors - "Bitte Orca"
5) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
6) Florence and The Machine - "Lungs"
7) Noah and The Whole - "The First Days of Spring"
8) Micachu and The Shapes - "Jewellery"
9) La Roux - "La Roux"
10) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"

Metacritic
1) Nirvana - "Live at Reading"
2) Leonard Cohen - "Live in London"
3) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
4) Raeknwon - "Only Buit For Cuban Line"
5) Baroness - "Blue Record"
6) Sunn O - "Monoliths And Dimensions"
7) Brad Paisley - "American Saturday Night"
8) Amadou and Mariam - "Welcome to Mali"
9) The Antlers - "Hospice"
10) Manic Street Preachers - "Journal For Plague Lovers"

Billboard (lista dos críticos)
1) Jay Z - "The Blueprint 3"
2) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
3) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
4) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
5) Necko Case - "Middle Cyclone"
6) Wilco - "Wilco (The Album)
7) Dirty Projectors - "Bitte Orca"
8) Pearl Jam - "Backspacer"
9) Grizzly Bear - "Veckatimest"
10) K'Naan - "Troubadour"

Relevant
1) Grizzly Bear - "Veckatimest"
2) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
3) The Avett Brothers - "I and Love and You"
4) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
5) Kid Cudi - "Man on The Moon: The End of the Day"
6) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
7) Passion Pit - "Manners"
8) Paper Route - "Absence"
9) Derek Webb - "Stockholm Syyndrome"
10) Mos Def - " The Ecstatic"

Amazon
1) Grizzly Bear - "Veckatimest"
2) Fanfarlo - "Reservoir"
3) Necko Case - "Middle Cyclone"
4) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
5) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
6) The XX - "The xx"
7) Edward Sharpe and The Magnetic Zeros - "Up From Below"
8) A.A. Bondy - "When The Devil's Loose"
9) The Big Pink - "A Brief History of Love"
10) The Avett Brothers - "I and Love and You"

7 Digital
1) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
2) The Horrors - "Primary Colours"
3) Wild Beasts - "Two Dancers"
4) The XX - "The xx"
5) Major Lazer - "Guns Don't Kill People...Lazers do
6) Grizzly Bear - "Veckatimest"
7) Florence and The Machine - "Lungs"
8) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
9) Heath - "Get Color"
10) Mos Def - "The Ecstatic"

Gigwise
1) Wild Beasts - "Two Dancers"
2) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
3) Fuck Buttons - "Tarot Sport"
4) The Horrors - "Primary Colours"
5) Yeah Yeah Yeahs - "It's Blitz"
6) Grizzly Bear - "Veckatimest"
7) The Maccabees - "Wall of Arms"
8) Fever Ray - "Fever Ray"
9) Royksopp - "Junior"
10)The XX - "The xx"

Paste Magazine
1) The Avett Brothers - "I and Love and You"
2) Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
3) Elvis Perkins in Dearland - "Elvis Perkins in Dearland"
4) The Low Anthem - "Oh My God,Charlie Darwin"
5) David Bazan - "Curse Your Branches"
6) Brandi Carlile - "Give Up The Ghost"
7) The Decemberists - "Hazards of Love"
8) Phoenix - "Wolfgang Amadeus Phoenix"
9) Necko Case - "Middle Cyclone"
10) Frank Turner - "Poetry of The Deed"

All Music Guide (listou os discos em ordem alfabética, escolhi os 10 com + de 4 estrelas)
Animal Collective - "Merriweather Post Pavilion"
Baroness - "Blue Record"
The Black Crowes - "Before the Frost/Until the Freeze"
The Dream - "Love vs Money"
Jarvis Cocker - "Further Complications"
Madness - "The Liberty of Norton Folgate"
Manic Street Preachers - "Journal For Plague Lovers"
Norah Jones - "The Fall"
Sunn O - "Monoliths And Dimensions"
Weezer - "Raditude"

Amanhã eu coloco vídeos de alguns dos listados acima.


Atualização do post em 16.01:

Rolling Stone Brasil - discos internacionais
1) Franz Ferdinand - "Tonight"
2) Them Crooked Vultures - "Them Crooked Vultures"
3) Air - "Love 2"
4) Artic Monkeys - "Humbug"
5) Lily Allen - "It's Not Me, It's You"
6) Leonard Cohen - "Live in London"
7) Black Eyed Peas - "The E.N.D."
8) Norah Jones - "The Fall"
9) U2 - "No Line on the Horizon"
10) Morrissey - "Years of Refusal"

Rolling Stone Brasil - discos nacionais
1) Céu - "Vagarosa"
2) Cidadão Instigado - "Uhuu!"
3) Erasmo Carlos - "Rock 'n' Roll"
4) Arnaldo Antunes - "Iê Iê Iê"
5) Móveis Coloniais de Acaju - "C_mpl_te"
6) Black Drawing Chalks - "Life is a Big Holiday for Us"
7) Mariana Aydar - "Peixes Pássaros Pessoas"
8) Lucas Santana - "Sem Nostalgia"
9) Wado - "Atlântico Negro"
10) Mallu Magalhães - "Mallu Magalhãesl"




Sandro

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

PAPAI NOEL - Gerry Bowler



Desde criança, o período de Natal e Ano Novo é o que eu mais gosto. O sentimento de paz e felicidade que percebo nas pessoas é inspirador. Talvez porque venha acompanhado de uma pausa de final de ano, 13º. Salário, verão, férias, sei lá... mas a atmosfera é bem legal. (Posso afirmar que é o contrário do sentimento que tenho no feriado de Carnaval, por exemplo). Claro que tem pessoas, que por motivos religiosos, não comemoram, respeito.

Para os religiosos protestantes e historiadores de plantão, gostaria de deixar bem claro que conhecemos a origem das festas de final de dezembro. A Saturnália, por exemplo, que durante os cinco dias a partir de 17 de dezembro homenageava Saturno, antiga divindade da agricultura. Casas eram decoradas com velas e folhagens, os amigos trocavam presentes, crianças ganhavam bonequinhos, escravos e senhores trocavam de papel.

Logo após vinha o solstício de inverno, a Brumália, e após a sua introdução no ano 286 d.C., a Festa do Sol Indônito, que era um dia criado para que as pessoas tivessem bons pensamentos sobre o Imperador e estimular o patriotismo. E por fim, na seqüência, as Calendas de Janeiro, que celebravam a entrada de um novo ano.

A partir do século IV mudanças políticas abriram caminho para que o cristianismo se tornasse a princípio uma religião tolerada, e depois considerado crença oficial do Império Romano. Com isso São Máximo de Turim combateu a argumentação contra do teólogo alexandrino Orígenes que não aprovava"as festas". São Máximo, de forma inteligente, defendeu que ao invés de celebrarmos reis terrenos, devemos celebrar com muita felicidade o aniversário de nosso rei eterno, Jesus Cristo.

Isso levou a comemoração aberta do Natal e à escolha do dia 25 de dezembro para realizá-la. É sabido por estudos históricos que Jesus nasceu entre 10 e 24 de agosto, mas eu acho que isso é menos relevante, o importante é o sentimento de fé de cada um, esse negócio de ser contra a data por pontos de vista religiosos, não está com nada. Da mesma forma, não acho legal criticar quem se resguarda no direito de não comemorar nada, cada um que decida o que achar melhor.

Isto posto, gostaria de comentar com vocês sobre um livro bem interessante que aborda um dos personagens mais esperados nesse período de festas. Infelizmente, não estou falando de Jesus Cristo, e sim do mestre de cerimônias, presenteador, garoto propaganda, vendedor de produtos, o nosso querido Papai Noel.

A obra, Papai Noel – Uma Biografia (2007), escrito por Gerry Bowler, foi lançado no Brasil pela Editora Planeta (parte do texto acima foi possível graças a esse livro).

O autor Gerry Bowler é doutor em história pelo King´s College de Londres e leciona na Universidade de Manitoba.

Sendo o livro sobre um personagem fictício, o autor vai demonstrando em cada capítulo como a história da própria civilização vai moldando essa criatura fantástica até a sua imagem final definida pelo sistema capitalista e consumista dos Estados Unidos da América (sim caros amigos, apesar da origem no velho mundo, o bom velhinho é Yankee)!

Somos apresentados a São Nicolau (nasceu em Patara, na Lícia, atual Turquia, santo padroeiro da Rússia que viveu no tempo dos imperadores romanos Diocleciano, Maximiano e Constantino), que no ano de 1100 era o santo mais poderoso do calendário da Igreja, rivalizando apenas com a Virgem Maria. Apesar de o autor ressaltar que sua origem histórica é incerta, após sua morte em 06 de dezembro de 343, várias histórias de milagres já haviam se espalhado pelo povo, sendo que duas são fundamentais na origem do Papai Noel.

Numa delas,quando jovem, evita que um pai entregue as filhas a prostituição e escravidão, atirando sacos de ouro pela janela do pai, durante três noites, tornando-o protetor das donzelas e casamentos profílicos.

Em uma segunda história, já velho, ressuscita três jovens que haviam sido mortos por um perverso estalajadeiro, que pusera seus restos esquartejados dentro de um barril, daí foi considerado protetor dos estudantes e crianças.

Com a sua popularidade na Holanda, no século XVII a veneração de São Nicolau atravessou o Atlântico, até Nova Amsterdã, a colônia que após invasão inglesa se tornou Nova York. Foi retratado em 1809 por um jovem escritor de Nova York chamado Washington Irving, que descreveu São Nicolau voando sobre a cidade num carroção e descendo por chaminés para entregar presentes. De acordo com o autor, que esse foi o momento que São Nicolau trocou a nacionalidade europeia para se tornar americano. (Será que os europeus aceitam isso?)

O autor comenta a primeira descrição do papai Noel como ficou mundialmente conhecido. Isso aconteceu na Harper´s no dia 26 de dezembro de 1857.

Apresenta-nos Thomas Nast (Landau, Alemanha, 27 de setembro de 1840 – Guayaquil, Equador, 07 de setembro de 1902), o responsável pela criação da imagem do Papai Noel conhecida até os dias de hoje (roupas vermelhas com detalhes em branco e cinto preto).

Descreve como os comerciantes tiveram a “sacada” dos primeiros cartões de natal e de usar o Papai Noel como “garoto propaganda”. Relata o primeiro poema de Natal escrito por Clement Clarke Moore (1779-1863) conhecido como "Twas the Night Before Christmas", e também um dos mais declamados (será isso que inspirou Tim Burton para "The Nightmare Before Christmas?)

Mostra em detalhes porque a Coca-Cola foi à empresa que melhor transformou o presenteador num consumidor de produtos com as famosas pinturas do Papai Noel feito por Haddon Sundblom nas campanhas natalinas da década de 30.

A partir daí foram anúncios de armas, bebidas, cigarros, seguros, revistas masculinas como a capa da revista Playboy brasileira de 2000. Até uma mistura de crenças em uma propaganda chamada “Feliz Natalhanukwanzakah” pela Virgin Mobile, o que não foi muito aceita.

Adentramos até o templo do consumismo, os shopping centers, e seus Papais Noéis, no altar como o “santo dos vendedores e das crianças em busca de uma novidade tecnológica como presente”. Porém, a partir desse ponto o autor vai cada vez “entrando de cabeça” na cultura americana, fazendo “paralelo” com a história dos EUA e do próprio Papai Noel, nas guerras, música, cinema, etc., o que torna o livro um pouco cansativo.

O livro traz a idéia do autor sobre o futuro do Papai Noel, onde os pais são os que vão decidir sobre a continuidade da tradição ou não. Eu particularmente acho que isso deva ocorrer como uma evolução natural da sociedade, com certeza a tradição não vai acabar, pode adaptar-se as novas gerações, mas não termina.

Amigos, depois de tanta influência americana, não poderia terminar esse post sem um "marco brasileiro" sobre o Papai Noel, o vídeo "Natal da Turma da Monica" que passava cerca de 4 vezes no mesmo dia pra criançada na década de 70.

Vale a pena lembrar também do CD "Um Natal Bem Brasileiro" lançado pela "biscoito fino" em 2008, com composições de Carlos Galhardo e Adoniran Barbosa.

Vou continuar a “curtir” o Natal com Papai Noel, rena, trenó, ceia, panettone, peru, árvore-de-natal, presépio, enfeites, presentes, cerveja, vinho, família, e não esquecer jamais do aniversariante, que nascendo em 25 de dezembro ou não, está todos os dias comigo ouvindo Rock´n´Roll e iluminado nossos caminhos durante o ano todo

Seguem abaixo, alguns vídeos sobre os temas acima.


Feliz Natal!


Anselmo







quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MERRY CHRISTMAS FROM RAMONES


Bom, para não sair da "semana de Natal" proposta pelo parceiro de blog, que está sendo muito bem sucedida por sinal, contribuo com minha música natalina preferida. Trata-se de "Merry Christmas (I don't Want Fight Tonigth)" gravada pela minha banda de rock predileta, os Ramones, no disco "Brain Drain".

Longe de ser uma das melhores performances da banda, pelo menos traz uma doce mensagem de feliz natal aos fãs no final do vídeo.

Fora isso, deixo também mais dois sons gravados pelo vocalista dos Ramones, o Joey Ramone, em um EP lançado em 2002 especialmente para esta singela época. Trata-se de "Christmas Spirit...In My House".
A primeira música é "Christmas (Baby Please Come Home)" e a outra "What A Wonderful World" (é aquela mesmo!), também gravada em seu único disco solo chamado "Don't Worry About Me".

É isso. Espero ansioso o post que o Anselmo está preparando para fechar a semana (antes acho que ainda sai um sobre a música dos Garotos Podres).
Este clímax é sobre um livro que conta a verdadeira história do Papai Noel. Estou torcendo para que ele faça um postagem longa, porque pelo que ele me adiantou é sensacional.

Sandro






segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

MILAGRE NA RUA 34 - Papai Noel ganha Hollywood

Em continuidade a nossa semana do Natal, não poderia deixar de comentar sobre um dos filmes mais marcantes sobre Papai Noel: “Milagre na Rua 34”(1947).

O que poderia ter mais espírito do Natal do que um Papai Noel que trabalha numa loja de departamentos americana e que é conhecido pelo nome de Kris Kringle? Pois então, “Milagre na Rua 34” é um dos mais reprisados e “refilmados” filmes sobre o Natal.

Nele, o já veterano ator galês Edmund Gween representa o papel de um senhor muito bem educado, sempre risonho, com uma "grande" barriga e barba branca, que é contratado como Papai Noel da loja de departamentos Macy's de New York. Apresenta-se com Kris Kringle, e rapidamente contagia a todos em sua volta com seu espírito de natal, exceto sua chefe, Doris Walker (O'Hara), que sempre ensinou a sua filha Susan (Natalie Wood) a não acreditar em papai noel.

Mas quando Kringle é declarado louco, e enviado a julgamento, todos os que o conheceram tiveram que tomar uma posição, acreditar ou não de que ele era o “verdadeiro” papai Noel.

A partir daí entra o advogado Fred Gayley (John Payne) que, com a ajuda do Correio dos Estatos Unidos, ajuda a convencer o tribunal que Kringle é de fato o Papai Noel. Em contrapartida, Kringle ajuda Fred, Doris e Susie a se tornarem uma família feliz para sempre. (se já existisse a internet, e a "mulecada" com a "cabeça" de hoje, esse Kringle tava perdido).

O filme foi vencedor de 3 Oscars em 1947 por ator coadjuvante, história original e roteiro (E de quebra ajudou a Macy´s a vender muito no Natal de 1940).

Segue abaixo a clássica cena onde o Papai Noel conversa com uma garotinha Holandesa.

Anselmo


sábado, 19 de dezembro de 2009

BRIAN SETZER - Boogie Woogie Christmas


Nem acredito que estamos chegando ao primeiro Natal do Minerva Pop. Apesar de estarmos a pouco tempo com esse “trabalho”, devo confessar que é muito bom chegar próximo á uma data tão importante ainda nessa “pegada forte”.

Conversando com meu “brother Sandro” ontem á noite (primeiramente para parabenizar pelo primoroso “post” sobre Marvin Gaye), disse que iria tentar escrever sobre assuntos com temas natalinos até o dia 25 Dezembro. Sei que é difícil, mas lá vai:

Eu nunca ouvi muito material e trabalhos de “guitarristas virtuose”, acho muito chato (respeitando quem gosta, claro). Porém tem um artista que admiro muito, pelo conjunto de sua obra, o americano Brian Setzer.

Brian Setzer nasceu em Long Island, New York, em 10 de abril de 1959, e junto com Lee Rocker e Slim Jim Phanton, foi responsável pela maior (e isso posso dizer sem medo de errar) banda contemporânea de RockaBilly de todos os tempos, os Stray Cats.

Mas foram anos 90 que formou a “Big Band” Brian Setzer Orchestra pra regravação o sucesso “Jump Jive an ´Wail" de Louis Prima, do álbum “The Wildest!”de 1957.

Em 2000 tive a oportunidade de conferir a BSO ao vivo em Londres, no Shepherd´s Bush Empire, e posso afirmar que os caras mandam um som “animal”, passando pelo Swing, Big Bands, e sucessos dos Stray Cats.

Após alguns discos de sucesso, em 2002 lançaram “Boogie Woogie Christmas”, álbum conceitual com músicas natalinas. Não sei afirmar se esse trabalho foi conseqüência ou veio depois, mas a BSO é lembrada durante o mês de Dezembro por tocar canções de Natal, e são convidados, em algumas ocasiões, a se apresentarem na cerimônia de iluminação da árvore de natal do Rockefeller Center.

Após esse trabalho “natalino”, ainda vieram “Dig That Crazy Christmas” (2005) e “The Ultimate Christimas Collection” (2008).

Só um aviso, a “sonoridade” extremamente “americana” é percebida nesses trabalhos. Mas e daí? Esse papai-noel vestido com as cores da “coca-cola” que enfeita as casas dos brasileiros, não tem “cara” de baiano ou paulista, não é mesmo?!

Nesse último dia 15 de dezembro, Brian Setzer passou mal e abandonou o palco após a terceira música em um show no Isleta Resort and Casino,na cidade de Albuquerque, no Novo México, EUA. Felizmente passa bem.

Abraços,

Anselmo.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MARVIN GAYE - MÚSICA PARA AMAR


Bom a esta altura, quem acompanha este blog já sabe que gosto muito de soul music (posts aqui). E como já citei anteriormente, dentro das minhas preferências, a santíssima trindade é composta por Otis Redding (post aqui), Solomon Burke (post aqui) e Marvin Gaye.

Faltava escrever algo específico do Gaye, que é na minha opinião o mais impactante quando o assunto é amor. Ao contrário de Otis Redding, por exemplo, Marvin não cai tão bem em casos de fossa ou "dor de cotovelo". O som é suave, porém quase nunca triste. Não há nada mais recomendado para quem está apaixonado, do que ouvir Marvin Gaye. Para mim, sua música está diretamente associada a palavra mágica que é o amor. Claro, o som é bom de qualquer forma, mas pessoas mais sensíveis o recebem como um tesouro.

Um pouco sobre o cara. Marvin Gaye, nasceu em 1939 e começou a cantar desde cedo, além de tocar piano e bateria. Teve o início nesta carreira interrompido por imposição do pai que exigiu que ele se alistasse na Marinha aos 17 anos. Quando voltou as ruas, participou de alguns grupos musicais, até que em 1961, foi contratado por uma gravadora que estava iniciando, mas depois se tornaria uma lenda da black music mundial, a Motown Records.

Apesar de sua estréia não ter sido de grande impacto, já em 1962, ele começou a alcançar sucesso com alguns singles lançados naquele ano. A boa fase continou nos dois anos seguintes e em 1964, sua liberdade dentro da gravadora já era maior, possibilitando que ele opinasse mais sobre os albuns.

Também passou uma fase atendendo pedidos da gravadora para desenvolver duetos com cantoras da Motown, com detaque para a parceira com Tammi Terrell, de longe a melhor e mais intensa (Marvin tinha um amor platônico pela mulher), tragicamente interrompida com uma doença de Tammy que deu os primeiros sinais durante um show dos dois (ela desmaiou em seus braços) em 1967 e terminou com sua morte em 1970 com apenas 24 anos. Este acontecimento abalou demais o cantor, que se afastou da mídia por muitos anos.

No meio de tudo isso, em 1968, acontece o estouro comercial com a música "I Heard It Through the Grapevine". Com mais moral, em 1971 Marvin conseguiu ser o primeiro artista desta gravadora a produzir seu próprio album, saindo daí um clássico absoluto da história da música. Um disco perfeito chamado "What's Going On". Na época até gente da gravadora achou o disco muito diferente dos padrões e o criticou por isso, mas passado os anos, o trabalho se consolidou como uma referência para a soul music.

Em 1973 lançou um dos discos mais sensuais já feitos. Era "Let's Get It On", cuja faixa título é uma de minhas músicas favoritas desde sempre. Música que faz homens e mulheres apaixonados flutuarem ao ouví-la. Sensibilidade extrema e romantismo exalado a cada segundo. Ouçam ela aí embaixo depois.

Foi na primeira metade da década de 70 que Gaye saiu de seu período de reclusão e assumiu de vez o papel de símbolo sexual. Atingiu o ápice e virou praticamente uma unanimidade. Todos eram apaixonados por sua música.

Mas á partir de 1975, problemas familiares como uma sofrida separação da primeira esposa, seguido de outro casamento e outra confusa separação, fizeram com que o ídolo não mantivesse o mesmo nível, apesar de continuar a lançar discos. Foi também a época em que Gaye se afundou de vez na cocaína, complicando ainda mais sua carreira. Marvin Gaye praticamente quebrou financeiramente. Sua má fase culminou com um auto-exilio do cantor na Bélgica, país em que viveu durante um tempo no início dos anos 80.

Em 1982, brigado com a Motown, vai para a CBS e ressurge das cinzas. Lança o ótimo disco "Midnight Love", com o super hit "Sexual Healing". Este trabalho rendeu até o inédito Grammy e fez com que ele retornasse aos EUA em alta, podendo sentir novamente o gosto da fama.

Em sua volta, foi morar com a mãe, com quem mantinha uma forte ligação. Porém apesar da oportunidade de retomar o sucesso na carreira, Marvin não havia conseguido se livrar das drogas e seus estado psicológico não era dos melhores. Para piorar, seu pai com quem manteve uma relação conturbada desde criança, veio morar com eles.

O final desta fase aconteceu no dia 1 de abril de 1984, quando seu pai começou a gritar com sua mãe e Marvin não gostou. Começaram uma discussão e do nada, seu pai, de 70 anos, pegou uma arma e a queima roupa disparou dois tiros contra o filho.

Com sua morte aos 44 anos, era o fim de um gênio chamado Marvin Gaye, cuja música continua encantando e emociando pessoas através dos tempos.

Abaixo três vídeos. "Let's Get It On" na versão de estúdio e somente com a maravilhosa letra. Depois "I Heard It Through the Grapevine" numa apresentação ao vivo m 1968. A seguir "What's Going On", num clip bem bacana e por último "Sexual Healing" no clip lançado na época..


Sandro













quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

PREACHER - Road Story Diabólica.

Hoje estava com dúvida quanto ao tema do “post”, acho que depois de mais um dia de trabalho stressante, as idéias não vem tão facilmente.

Porém, enquanto buscava algo inspirador, olho pra minha estante de livros e me deparo com as Graphic Novels da série “Preacher” lançadas pelo selo Vertigo da DC Comics (voce encontra pela Devir Livraria).

Escrita por Garth Ennis e desenhada por Steve Dillon, essa série é muito irreverente na questão de valores religiosos, éticos, e comportamentais. O texto é muito contundente quanto aos pensamentos, ações, decisões e cotidiano dos personagens. E isso exige uma reflexão do leitor sobre o tema em questão.

Nas histórias tem faroeste, romance policial, horror, humor negro. De fato um pouco de cada coisa, porém interligadas de forma inteligente.

Preacher é sobre a história do ex-pastor Jesse Custer, que após ser possuído por uma entidade sobrenatural , chamada Gênesis (o filho mestiço de um anjo e um demônio), ganha o poder de fazer com que qualquer pessoa o obedeça. Gênesis é fugitiva do Paraíso e por isso procurada pelos anjos. Ao descobrirem que essa entidade esta "fundida" na alma de Jesse Custer, os anjos do céu passam a procurá-lo para eliminá-lo. Quem tem a "missão" de realizar o serviço é o Santo dos Assassinos, que os anjos ressuscitam e enviam para caçá-lo.

Durante determinado momento da trama, onde descobre que Deus teria desistido da humanidade e abandonado o céu, Custer toma a decisão de procurá-lo e cobrar explicações.

Nesse empreitada em busca de Deus, encontra sua ex-namorada, Tulipa e junto dela o personagem mais “legal” da revista, o vampiro irlandês Cassidy. Ambos se tornam companheiros em sua saga, além de ajudarem a fugir dos obstáculos como a polícia , o Santo dos Assassinos e a organização secreta conhecida como o Graal (sem contar o "cara-de-cú").

Das edições nacionais encadernadas saíram: A caminho do Texas, Até o Fim do Mundo, Orgulho Americano, Rumo ao Sul, Guerra ao Sol. Todas elas sensacionais.

De todos os “arcos de história”, na minha opinião a melhor é “Tudo em Família”, onde Custer tem um encontro violento e revelador com o seu passado (John Wayne é o mentor de Custer neste episódio).

Com certeza essa é uma saga para Hollywood transformar em filme. Tem sites especializados que dizem que existe um projeto em andamento, e um dos atores cotados é John Cusack, o qual seria legal tanto no papel de Custer ou do vampiro Cassidy. (Mas se for para fazerem igual ao Constantine, que deixem somente na HQ!)

Encontrei dois "videos tributo" feitos por fãs no youtube, com trilha sonora de Johnny Cash, "I've Been Everywhere" e "When the man comes around" , muito apropriado.

Procurem as revistas e os livros, porque Preacher é Foda!

Anselmo



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

JOHN FRUSCIANTE - Até Mais, Peppers!

Que o guitarrista Hillel Slovak foi um grande amigo, contribuiu para a composição de um dos álbuns mais “cool” dos Red Hot Chili Peppers (The Uplift Mofo Party Plan) e sua conturbada morte é sentida até hoje por Anthony Kiedis e Flea , é indiscutível. Porém, também é inegável que John Frusciante ajudou a colocar os Peppers no topo do pop.

Em 1988, aos 18 anos, enquanto ensaiava com o baterista dos Dead Kennedys (D.H. Peligro), John foi descoberto por Flea e convidado a se juntar a banda. O resultado foi o álbum que chamou a atenção do mundo para os Peppers, Mother´s Milk (1989).

A partir daí somente clássicos como Blood Sugar Sex Magic (1991) e após uma longa pausa, devido a sua primeira saída da banda, vem o Californication (1999), seguido por By The Way (2002) e Stadium Arcadium (2006).

Seus trabalhos paralelos renderam a banda Ataxia, seus 13 álbuns solos, dentre eles “The Empyream” lançado no início de 2009.

Infelizmente John Frusciante anunciou sua saída dos Red Hot Chili Peppers em 14 dezembro 2009, o provável substitudo será o parceiro de Ataxia, Josh Klinghoffer.

Vamos aguardar o que reserva 2010 para esse grande músico e compositor.

Seguem vídeos que mostram que o cara sabia o que é Rock´n´Roll.

Anselmo








segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

QUEM SE IMPORTA COM O ROTEIRO DE UM FILME


"Você esqueceu da categoria que me encaixo, a dos que amam roteiros! Eu sou a que presta atenção no diálogo, nas palavras escolhidas, pontuação. Amo filmes em todas as linguas, pra tentar traduzir com a legenda."

O comentário acima foi deixado aqui no Minerva Pop pela amiga e blogueira Lucienne Condé, responsável pelo ótimo blog Primeira Gota. A ocasião foi um post que escrevi (leia aqui) em 04 de dezembro sobre a importância da fotografia no cinema.

Naquele post, eu relacionei algumas categorias de amantes do cinema, desde os mais despreocupados até os mais interessados pela parte técnica. Propositalmente, não mencionei os cinéfilos cujo foco maior ao assistir um filme é a história que está sendo contada, deixando este tema para um post específico. Este aqui.

O roteirista é quem determina o que vai ser contado. O roteiro é o ponto de referência para o preparo de todas as ações que ocorrrem durante a realização de um filme.

Um roteiro pode ser adaptado de um livro, de uma peça, de um conto e esta adaptação pode ser fiel a obra de origem ou ser livre com inserções a gosto do roteirista. Também pode-se desenvolver um roteiro de uma idéia totalmente original, as vezes um simples argumento que o diretor de cinema tenha na cabeça. Mas é o roteiro que vai dar sentido a trama, que vai poder proporcionar uma base para que os atores desenvolvam um bom trabalho e que vai indicar e sugerir ao cineasta e ao diretor de fotografia, o tipo de enquadramento, a divisão em planos, etc.

Ou seja, trabalho de vital importância para o sucesso ou fracasso de uma obra cinematográfica. Por esta razão muitos cineastas preferem escrever seus próprios roteiros, ou encomendá-los sem dar muito espaço para a criação alheia (vide o exemplo do Kubrick em "De Olhos bem Fechados" cujo livro escrito pelo roteirista vou abordar em post específico).

Particularmente eu também costumo prestar muita atenção nos roteiros, analisando se estão bem amarrados e dando muita importância para os diálogos. Tenho este hábito não só em filmes, mas também em programas de TV, teatro e até mesmo em peças publicitárias.

Para não me alongar mais, vou deixar para vocês uns vídeos com um especialista.
Trata-se de Bráulio Mantovani, roteirista de "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" e muitos outros. No primeiro vídeo Bráulio fala sobre o processo criativo, no segundo fala sobre a diferença entre um roteiro adaptado e um original e no terceiro vídeo nos conta uma história interessantíssima sobre o filme "Tropa de Elite", falando como ele e o diretor José Padilha fizeram para trocar o personagem que seria o protagonista da trama (no caso do aspira Matias para o Capitão Nascimento) mesmo depois de toda a filmagem finalizada. Histórico.

E para aqueles que desejam uma abordagem mais didática sobre o tema, recomendo o livro "Da Criação ao Roteiro" de Doc Comparato. Escrito em 1995, já teve uma série de edições e é muito interessante. O autor, uma referência no assunto, nos mostra todas as etapas do complexo processo de desenvolvimento de um roteiro.
Outra grande dica de leitura é o livro "Lições de Roteiristas" de Kevin Conroy Scott, este com o relato de grandes roteiristas do cinema mundial explicando como criaram roteiros de filmes consagrados.

É isso.


Sandro





domingo, 13 de dezembro de 2009

CORAÇÃO ENVENENADO - Dee Dee Ramone

Faz tempo que estou "ensaiando" pra escrever sobre esse livro, mas lá vai.....
“Em respeito à memória de Dee Dee, dedico está edição de seu livro à legião de fãs brasileiros. Espero que vocês apreciem a leitura de sua história e que continuem a adorar a música por aí. Que o legado de Dee Dee esteja sempre com vocês.” – Veronica Kofman.

Com esse “adendo à edição brasileira”, começa a viagem avassaladora pela biografia de Dee Dee Ramone, com Coração Envenenado – Minha Vida Com Os Ramones.

É muito difícil escrever qualquer coisa relacionada aos Ramones, porque você está mexendo com a paixão de milhares de fãs do Brasil e do mundo. Qualquer palavra errada, ou expressão mal pensada podem gerar protestos, discordâncias, reclamações. Mas vou tentar assim mesmo, e como a própria narrativa do livro, vou ser simples e direto no meu relato.

A edição brasileira tem o prefácio primoroso de André Barcinski, admirador declarado da música dos Ramones, que descreve quão peculiar foi à experiência de entrevistar Dee Dee, e de relatos bombásticos do tipo: “Não foi Sid que matou Nancy, todo mundo sabe que foi o traficante dela.” E a “Introdução” da co-autora Veronica Kofman, contanto que Dee Dee demorou cinco anos para escrever a história, e que recebeu dele o primeiro manuscrito.

Eu li ao livro, e decididamente esse não é somente uma narrativa sobre uma banda de rock, na verdade conta a história de um homem, de vida sofrida, amargurada, dura, desafiadora, e que por acaso também fez parte de uma das maiores bandas Rock´n´Roll do Mundo!

O livro começa contando como os pais de Douglas Glen Colvin se conheceram em Berlim após a segunda guerra mundial. O pai com 38 anos e a mãe com dezessete anos. As lembranças de sua infância em Munique, na Alemanha em reconstrução, e de seu primeiro contato com o Rock por intermédio sua mãe.

Segue com a chegada de Dee Dee com a família aos EUA, aos 14 anos de idade. Passa pelo início dos anos 70 em Nova York, com aqueles garotos incorporando o Rock Glitter e Glam. Inclusive havia um em particular, alto e magro, que usava penteado afro vermelho inspirado em Jimi Hendrix, chamado explosion. Seu nome era Joey.

Conforme vai sendo envolvido na história, o leitor se torna testemunha ocular de como é “entrar de cabeça” no excesso, na experiência alucinante do consumo gradativo e evolutivo das drogas, e percebe qual o momento das composições de clássicos como “Questioningly”, 53rd And 3rd”, Loudmouth”, I Don´t Wanna Go Down to the Basement”, “Now I Wanna Sniff Some Glue".

Até a formação do grupo não foi fácil, “foi um parto” esses caras se reunirem de fato pra tocar e tirar um som, no começo era Dee Dee no baixo, John na guitarra e Joey na bateria. Demorou até caírem na real e encontrarem Tommy para a função de baterista. Somente depois dos primeiros ensaios, numa conversa com Tommy, que DeeDee sugeriu o nome Ramones. A partir daí aconteceram os primeiros shows no CBGB´s.

Continua com a saga da saída dos Ramones para a Inglaterra de Sex Pistols e do Clash. O passeio por Londres com o co-empresário Danny Fields. A realização juvenil de Dee Dee em comprar os compactos do Dr.Feelgood e do Eddie and the Hot Rods no Camden Market. O encontro com Mick Jones e Paul Simonon, Johnny Rotten e Sid Vicious no primeiro show no pequeno clube Dingwalls. (Percebemos de onde veio a inspiração de jeans sujos e rasgados e a jaqueta de couro preta usada por Sid Vicious).

A experiência de gravar com Phil Spector, a era com a Beggars Banquet, a viagem a America do Sul, a saga da canção “Poison Heart”, a morte do amigo Johnny Thunders, o difícil convívio com os membros da banda, a decadência, a separação e a superação, está tudo registrado, tudo ali NU e CRU.

A última apresentação de Dee Dee com os Ramones foi em 06 de agosto de 1996. Morreu de overdose em 06 de junho de 2002.

O livro conta a história dos Ramones e, portanto, como disse o próprio Dee Dee, não podia haver final feliz.

Pra fechar o post, deixo as palavras de Dee Dee ao no discurso de agradecimento ao entrar para o Rock´n´Roll Hall of Fame em março de 2002:“Eu gostaria de me parabenizar, e agradecer a mim mesmo e dar uns tapinhas nas minhas costas. Valeu, Dee Dee, você é demais."

Para todos aqueles que gostam dos Ramones, que tiveram o privilegio de vê-los em ação ao vivo, ou para as novas gerações que não tiveram essa oportunidade, eu insistentemente recomendo que comprem o livro “Coração Envenenado” lançado pela Editora Barracuda.

Abaixo duas canções compostas por Dee Dee, que falam por sí.


Anselmo







sábado, 12 de dezembro de 2009

METALLICA NO BRASIL - SHOW EXTRA


Apesar de não ser nenhuma novidade para o pessoal que é fã de Rock´n´Roll, o Metallica vai apresentar o show da turnê “World Magnetic” no próximo dia 30 de janeiro no estádio do Morumbi em São Paulo.

Mas o "legal" de tudo isso, é que devido à alta procura por ingressos, a produção do evento decidiu agendar um show extra no dia 31, no próprio estádio do time da capital.

Os ingressos estarão à venda a partir do dia 14 de dezembro, no site http://www.ticketmaster.com.br/, e a partir da 12H na bilheteria no estacionamento anexo do Credicard Hall. A grande “sacada” para os fãs é a Pista Vip, pra quem está disposto a desembolsar R$500, digo que vale muito assistir ao show desse setor.

Pelo que andei pesquisando na internet (e acho que muita gente também), o set list vai ter músicas do disco novo “Death Magnetic”, e clássicos desde o “Kill’em All” até o “Black Album”. Algumas das canções mais frequentes são “That Was Just Your Life”, “The End Of The Line”, “Cyanide”, “One”, “The Day That Never Comes”, “Master Of Puppets”, “Enter Sandman”, e “Seek & Destroy” (essa no encore, que traz variações em cada show).

Espero que toquem o som do vídeo abaixo.

Anselmo



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

SCOTT WEILAND - "Have Yourself a Merry Little Christmas"


Ninguém pode negar que o anúncio da volta às atividades do Stone Temple Pilots para o próximo ano de 2010 foi um presente de Natal antecipado para muitos admiradores de Rock´n´Roll.

Talvez pra aproveitar o momento de exposição na mídia e as festas natalinas, o vocalista Scott Weiland lançou uma versão para a canção “Have Yourself a Merry Little Christimas”, que está à venda no iTunes.

Essa música foi composta por Ralph Blane (letras) e Hugh Martin (melodia) em 1943. Judy Garland cantou a música no musical Meet Me in St. Louis de 1944. Mas foi Frank Sinatra que gravou um versão com a letra modificada que acabou ficando mais conhecida que a original.

Outros artistas como Bob Dylan, Cristina Aguilera, Tori Amos, Sarah McLachlan, Coldplay e The Pretenders também já regravaram a música em outras oportunidades.

“Have Yourself a Merry Little Christimas” é considerada uma das mais tristes canções natalinas já escritas.


Seguem Letra e Vídeo.


Anselmo


Have Yourself A Merry Little Christmas


Have yourself a merry little Christmas,

Let your heart be lightFrom now on,

our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas,

Make the Yule-tide gay,

From now on, our troubles will be miles away.

Here we are as in olden days,Happy golden days of yore.

Faithful friends who are dear to usGather near to us once more.

Through the years We all will be together,

If the Fates allowHang a shining star upon the highest bough.

And have yourself A merry little Christmas now.






PRÓXIMA SEXTA: DEAD FISH E AÇÃO DIRETA - AMIGOS, DIVERSÃO E ROCK


Não sei se acontece com vocês, mas comigo é quase sempre a mesma coisa. Uma correria no final do ano para rever os amigos e suprir ausências que a rotina diária acaba trazendo. O bom é que quase sempre consigo colocar os contatos em dia, geralmente aproveitando encontros de turmas que costuma acontecer nesta época do ano.

Agora na sexta-feira dia 11, vou ter uma destas oportunidades. É que tem show de amigos no Hangar 110 aqui em São Paulo. E show de amigos sempre atraem outros amigos (alguns já vão juntos), portanto é uma ótima chance de rever um monte de camaradas e colocar o papo em dia.

Fora isso, a balada é de primeira!

Tem Dead Fish, que é a melhor banda de hardcore mélodico do Brasil disparado, que está a anos luz destas outras babas que tentam fazer um pseudo-rock (não vale nem a pena citar os nomes). Show energético e público ganho antes mesmo de começar.

E tem Ação Direta, uma verdadeira instituição do hardcore brasileiro, esbanjando integridade nestes 22 anos de estrada e com sua melhor formação desde sempre. Detalhe que o "quase" parceiro de blog, o Pancho, toca na banda, que conta ainda com meu "rock star" preferido, o Gepeto, além do Galo e do Marcão.

Aliás destaco o brother Marcão, que quando assumiu a bateria do Dead Fish em 2008 não saiu do Ação Direta e vai tocar com as duas bandas no mesmo dia. Para quem conhece a força com que o menino desce o braço, dá para imaginar o esforço que vai ser.

A casa abre as 19:00 horas, e a balada deve começar por volta das 20:00 horas. Para que estiver em São Paulo e quiser uma noite mais underground, posso assegurar que é diversão garantida.
Abaixo alguns vídeos para aquecimento.


Sandro









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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

MANIFESTO ARTÍSTICO PELA MELHORA DE MÁRIO BORTOLOTTO E PAZ NA PRAÇA ROOSEVELT


Aos poucos, estou acostumando e usando um pouco mais o Twitter. No início achei meio bobo e não fazia sentido para mim aquele papo de "estou tomando sorvete" ou "vou tomar banho",etc. Mas está melhorando.

No último sábado, neste mesmo Twiter ainda pela manhã, soube da tentativa de assalto no espaço Parlapatões que quase acabou em tragédia com o dramaturgo Mário Bortolotto baleado e hospitalizado (felizmente ele já está melhor). Agora vejo numa mensagem do autor de quadrinhos Rafael Grampá, que na próxima sexta vai rolar no mesmo Espaço Parlapatões, um manifesto de vários artistas com o intuito de angariar fundos para ajudar o Bortolotto na recuperação.

Artistas do nível de Lourenço Mutarelli (posts aqui), Laerte, o próprio Rafael Grampá, Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Coutinho, Angeli, Guazzelli, Fábio Cobiaco, André Kitagawa, Caco Galhardo e Marcelo Campos irão produzir ao vivo 2 mega (palavras do Grampá) telas para serem rifadas na hora. Vai rolar ainda um leilão com obras de vários artistas bacanas e para fechar uma sessão da peça “Brutal” a meia noite com verba revertida.

Fica a dica.

Sandro

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CORINGA - A PIADA MORTAL

A História em Quadrinhos é um dos inúmeros tipos de arte que nós gostamos de "postar" aqui no Blog Minerva Pop, pois é possível combinar roteiro, desenho, cores, argumento, autores ilustres e inusitados, e claro, os personagens.

Dentre todos os personagens existentes neste vasto universo, considerando o "convencional" e o "alternativo", tem um em especial que gostaria de comentar hoje, trata-se do Coringa (Joker).

O Coringa foi criado por Bill Finger e Bob Kane com a ajuda de Jerry Robinson, e teve sua estréia na revista Batman #1 em 1940. E deste então foi se tornando um dos personagens mais importantes do Quadrinho Mundial.

Apesar de pertencer a DC Comics e, portanto a uma mídia mais popular que muitas vezes limita o potencial do personagem por uma “lucratividade” maior em seus produtos, esse é o vilão que aleijou a Batgirl (Barbara Gordon), matou o segundo Robin (Jason Todd) e a esposa do Comissário Gordon, e rendeu duas das melhores HQ´s já escritas, sendo, “A Piada Mortal” e “Coringa”.

A Piada Mortal”, publicada em 1988, foi escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Bolland. Nessa história a origem do personagem passa em “flashbacks” enquanto seu plano principal vai se desenrolando.

A idéia do Coringa é provar para o Batman que um indivíduo pode escolher a loucura para evitar uma realidade de sofrimento causada por um forte choque psicológico. O vilão se utiliza do comissário Gordon e sua filha para provar isso. O final é surpreendente mostrando que não existe tanta diferença entre a loucura do “Palhaço do Crime” e do “Cavaleiro das Trevas”.

Coringa”, publicada em 2008, escrita pelo autor de “100 balas” Brian Azzarelo, e desenhada por Lee Bermejo, começa sob o ponto de vista de um bandido “pé-de-chinelo” chamado Jack Frost que tem a incumbência de buscar o Coringa que acabara de ser liberado do Asilo Arkhan. Após sair para as ruas, o vilão parte numa empreitada sangrenta para reconquistar seu território e mostrar quem é o dono do crime na cidade.

Além da loucura da personagem, que permite ao autor expandir as possibilidades de criação, o Coringa não tem superpoderes, e isso faz com que ele esteja em um patamar bem próximo as pessoas comuns. E no meu ponto de vista, esse é o motivo que faz com que os leitores se identifiquem tanto com sua “humanidade”.

Apesar de não ser esse o "foco" do post, não poderia comentar sobre o Coringa sem mencionar a interpretação de Heath Ledger no papel de "Coringa" no filme "Cavaleiro das Trevas" de 2008.

Como não queria terminar o Post sem um som, e não me recordo de nada do Coringa, vai um "Batman Theme" do The Jam só pra "sacanear" o criminoso.


Anselmo


O BANDIDO DA LUZ VERMELHA - UM FAROESTE SOBRE O TERCEIRO MUNDO


O post de hoje é sobre um filme difícil. Indicado para quem quer sair do convencional e experimentar uma narrativa bem diferente do que se vê por aí.

Falo de "O Bandido da Luz Vermelha" de Rogério Sganzerla. O filme de 1968, foi o primeiro do polêmico cineasta paulista que ficou conhecido por cunhar o rótulo cinema marginal, num contra-ponto ao chamado cinema novo, que era a referência do Brasil naquela época.

Tido por muitos como um visionário e um homem a frente de seu tempo, Sganzerla, tinha apenas 22 anos quando realizou o filme, que foi sua primeira experiência cinematográfica com um longa-metragem (antes disso ele era crítico de cinema do Estadão). Apesar de ser um filme do underground, "O Bandido" teve uma boa aceitação de público e fez uma bilheteria razoável. Também ganhou alguns prêmios e posteriormente foi reconhecido como uma obra relevante, não só aqui no Brasil.

O argumento original foi escrito por Sganzerla quando estava na Europa e contava a história de um bandido que aterrorizava uma cidade com seus assaltos e assassinatos. Chegando ao Brasil, ele se deparou com a história real de João Acácio Pereira da Costa, conhecido como Luz Vermelha (sempre usava uma lanterna vermelha em seus crimes) que estava assaltando diversas casas pessoas ricas em São Paulo.

A partir daí, Sganzerla fez um mix entre seu personagem original com o bandido real. O resultado foi um louco que ao longo do filme se questiona frequentemente se é um gênio ou uma besta. Um bandido que ao mesmo tempo que estupra ou mata algumas de suas vítimas, era gentil e conversava numa boa com outras. Coisa de psicopata.

Nitidamente influenciado pelo cineasta norte-americano Orson Welles, Sganzerla utiliza-se de uma linguagem para contar o filme através da imprensa. Porém, diferente de "Cidadão Kane", aqui ele usa dois locutores de rádio sensacionalistas, que participam do filme todo. É inovador, mas chega até a ser meio chato as vezes.

Este grande cineasta teve depois uma bela carreira cinematográfica, mas sempre a margem do suceso comercial, apesar do reconhecimento de seu talento pelo meio e pela crítica. Rogério Sganzerla morreu em janeiro de 2004.

Abaixo, juntando tudo de bom num mesmo lugar, ouvimos a banda paulista Ira! com a música "Rubro Zorro" (escrita em homenagem ao cineasta e ao filme) num vídeo com cenas do filme.

"O Terceiro mundo vai explodir! Quem tiver de sapato, não sobra! Não pode sobrar!"


Sandro




domingo, 6 de dezembro de 2009

R.E.M. - Live At The Olympia

Devo confessar que nunca acompanhei muito de perto a carreira R.E.M., esse grupo americano de Athens (Georgia) que desde 1980 traz o POP para o underground (ou vice-versa?).

Mesmo sabendo dos lançamentos e a evolução do grupo no “show businness”, a sonoridade de Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck, não chamava a minha atenção nos meados dos ano 80, com certeza pelos outros tipos música e artistas que acompanhava.

Porém, com o passar do tempo, a maturidade (junto com a flexibilidade da internet) nos ensina a analisar e “ter mais paciência” para com as canções e trabalhos de alguns artistas, vamos aprendendo a escutar melhor as mensagens e as harmonias (não estou me referindo a virtuose!).

Isto posto, reconheço que cada vez mais estou admirando o trabalho desta banda, acho que o tempo tem um fator inverso nesses caras, vão ficando melhores, não só nas composições, mas também nas idéias. Prova disso é o novo trabalho ao vivo, “Live At The Olympia”, lançado no Brasil pela Warner Music.

Como o próprio Michael Stipe diz no início do show, "This is not a show". Na verdade foram 5 noites no Teatro Olympia em Dublin, Irlanda , nos dias 30 de junho à 5 de julho de 2007 de show/ensaio ao vivo, onde o público teve a oportunidade de conferir as músicas que estavam sendo trabalhadas para o álbum “Accelerate”.

Eu achei a idéia demais, que sorte dos fãs do R.E.M.! Imaginem vocês, ter sua banda preferida mostrando músicas do disco novo, antes de seu lançamento, com você podendo participar disso. Além de “curtir” um show com músicas antigas, lado-B, pouco convencionais, que somente quem acompanha a banda e longa data tem conhecimento. Muito Bom!

Destaque para "Disguised", que é um “esboço” de "Supernatural Superserious", porém mais pesada. Esse show com certeza ajudou canção a ser um single de "Accelerate". Também necessário citar a inédita “Staring Down The Barrel Of The Middle Distance", assim como "On The Fly" (sobra de "Around The Sun").

No exterior também saiu um pacote com o registro do show em DVD, dirigido por Vincent Moon e Jeremiah. Quando sair no Brasil a gente comenta.

Definitivamente é um trabalho para fãs do R.E.M., mas também para quem curte um Rock Pop honesto e inteligente. Eu ouvi e recomendo.

Abaixo uma relação das músicas e dos álbuns onde foram gravadas originalmente.

Anselmo


Disco 1

"Living Well is the Best Revenge" -Acellerate
"Second Guessing" -Reckoning
"Letter Never Sent" -Reckoning
"Staring Down the Barrel of the Middle Distance" -inédita
"Disturbance at the Heron House" -Document
"Mr. Richards" -Accelerate
"Houston"-Accelerate
"New Test Leper" -New Adventures in Hi-Fi
"Cuyahoga" -Life's Rich Pageant
Electrolite -New Adventures in Hi-Fi
Man-Sized Wreath -Accelerate
So. Central Rain (I´m Sorry)"- Reckoning
"On The Fly" -inédita
"Maps and Legends" -Fables of the Reconstruction
"Sitting Still" -Murmur
Driver 8" -Fables of the Reconstruction
"Horse to Water" -Accelerate
"I'm Gonna DJ" -Accelerate
"Circus Envy" -Monster
"These Days" -Life's Rich Pageant

Disco 2

“Drive” -Automatic
"Feeling Gravitys Pull" -Fables Of The Reconstruction
Untill the Day Is Done" -Accelerate
"Accelerate"
"Auctioneer (Another Engine)" -Fables Of The Reconstruction
"Little America" -Chronic Town
"1,000,000" -Chronic Town
Disguised (mais tarde lançada como "Supernatural Superserious") -Accelerate
"The Worst Joke Ever" -Around The Sun
"Welcome to the Occupation" -Document
"Carnival of Sorts (Boxcars)" -Chronic Town
"Harborcoat" Reckoning
"Wolves, Lower" -Chronic Town
"I've Been High" -Reveal
"Kohoutek" -Fables Of The Reconstruction
"West of the Fields" -Murmur
"Pretty Persuasion" -Review
"Romance" -Eponymous
"Gardening at Night" -Chronic Town




sábado, 5 de dezembro de 2009

APPETITE FOR DESTRUCTION - Obra-Prima do Guns'n'Roses

De volta pra casa nesta noite de sexta-feira, depois de uma semana cansativa de trabalho, fiquei pensando no carro qual poderia ser o tema do “post” de hoje. Confesso a você que estava tão “exausto” e cansado que não conseguia imaginar nada de muito interessante.

Comecei a mexer em umas caixas de papelão onde guardo alguns discos de vinil antigos, e me deparei com algumas coisas interessantes, mas precisamente do ano de 1987.

Nesse ano acredito que foram lançados três dos melhores discos de “Trash Metal” de todo os tempos, sendo o “Master of Puppets”(Metallica), “Raining Blood”(Slayer) e “Among The Living”(Anthrax).

Das bandas de Rock alternativas ou Pós-Punks temos o “Electric”(Cult), “Echo & the Bunnymen” (album), Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me (The Cure), Ramones “Halfway to Sanity”, “Warehouse: Songs and Stories”(Hüsker Dü), dentre outras.

Porém, tem um disco de 1987 que foi uma “arraso” na época, os mais velhos vão se lembrar com certeza, estou falando do “Appetite For Destruction” do Guns’n’Roses (Tem o do Faster Pussycat que vale a pena conferir também).

Este álbum vendeu 18 milhões de cópias só nos Estados Unidos, e cerca de 28 milhões de cópias no mundo todo, é um marco na história do Rock´n´Roll.

A arte da capa apresenta um desenho de um “Robô-Estrupador” do cartunista Robert Williams, que fora um artista de quadrinhos contemporâneo de Robert Crumb. Essa capa foi censurada em vários países, mas sendo liberada no Brasil.

Muitos acreditam, inclusive eu, que o time de músicos desse álbum são a melhor formação do Guns'n’Roses de todos os tempos, com Izzy Stradlin (guitarra base) e Steven Adler (Bateria).

Na época do lançamento, depois de ficar encalhado algum tempo, a Geffen Records decidiu investir pesado e o disco e a banda foram uma febre. A garotada queria o disco, ou compravam ou pediam emprestado para gravar. Até o famoso show do Ritz de 1988 foi sucesso. Passou na MTV, Rede Bandeirantes, e mais algumas emissoras que não me recordo agora.

Lembro que no MTV Awards de 1989, o Guns’n'Roses “chutou a bunda” do Bon Jovi, dominaram a noite, com direito ao Axl Rose fazer uma Jam com Tom Petty ao final da premiação.

Infelizmente a banda está separada já a bastante tempo, e cada integrante seguiu seu rumo e carreiras profissionais. Digo isso porque o “Chinese Democracy”, apesar de ser um bom trabalho, não pode ser considerado como o Guns’n’Roses que fez aquele enorme sucesso mundial, está mais para banda cover do Axl Rose.

O guitarrista Slash, depois do Slash´s Snake Pit e Velvet Revolver, está preparando seu primeiro disco solo “Slash & Friends, com participação de Ozzy Osbourne, Flea, Iggy Pop, Steven Adler, Alice Cooper, Dave Grohl, e demais ilustres convidados. Quem parece que deu uma resposta negativa foi Jack White, disse que somente participaria do disco para tocar guitarra ou bateria.

O ponto é que Appetite For Destruction só tem música boa, Welcome to the Jungle, It´s So Easy, Paradise City, Sweet Child O’mine, Rocket Queen, etc.

Esse álbum marcou uma época, é excelente do começo ao fim, resgatando o puro Hard Rock, quando ninguém mais ligava tanto pra isso (chora Tracii Guns).

Abaixo deixo tres videos emblemáticos para aquele período: "Paradise City" no Ritz em 1988, a participação de Axl Rose em uma apresentação de Tom Petty no MTV Awards 1989, e Axl e Izzy tocando com os Stones na The Steel Wheels Tour em Dezembro 1989.

Anselmo






sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

QUEM SE IMPORTA COM A FOTOGRAFIA DE UM FILME?


Acredito que quase todos que nos prestigiam com visitas ao blog gostam de cinema. Na verdade é muito difícil encontrar alguém que não goste de filmes. Porém há diferenças entre os apreciadores da chamada sétima arte. Na minha opinião estas diferenças estão no grau de importância que as pessoas dão aos componentes de um filme, o que não necessariamente signifique que alguém seja melhor ou pior por conta disso. São apenas diferenças de intensidade.

Há quem goste de filmes, porém os prefira dublados, não possuindo o interesse em saber nem qual é a lingua falada pelos atores e nem em como é a voz original dos personagens. Assistem aos filmes ou por indicação ou motivados por um trailer / comercial que achem bacana.

Existe a categoria dos que apreciam um filme falado em sua lingua original (com legendas) e que além de indicações de amigos e trailers, costumam seguir recomendações de revistas / sites / jornais.

Depois temos aqueles que se interessam também por saber quem são os atores dos filmes e que muitas vezes são motivados a assistir alguma película devido a participação de um ou outro ídolo. Ainda nesta linha, há quem consiga realmente se interessar e identificar uma boa interpretação.

Daí em diante, a coisa vai ficando mais restrita e encontramos os que dão importância para quem dirige o filme. Querem saber de quem é a direção e esta informação torna-se relevante na decisão de assistir ou não a obra. Podemos dividir esta categoria em diversos níveis, começando pelos admiradoes do Spielberg , passando pelo Tarantino, Kubrick, Kurosawa, Lars Von Trier (só para citar alguns), até chegar em nomes mais obscuros. Neste patamar, já dá para identificar os que são cinéfilos e sentem um grau de intensidade maior com relação ao cinema.

E há os que vão além. São aqueles que se preocupam também com a parte estética e técnica dos filmes, conseguindo identificar por exemplo um boa fotografia.

Quase todo mundo já ouviu falar da fotografia no cinema, nem que seja em críticas mais elaboradas ou em premiações no estilo Oscar. Mas o que é e quem faz esta função dentro da produção de um filme?

É aí que entra o chamado diretor de fotografia. Nesta função, o profissional é responsável pela imagem do filme, que nada mais é do que uma projeção de imagens fotográficas. Sendo mais específico, são 24 fotos ou quadros por segundo que dão a idéia de movimento.

Por esta razão o trabalho de direção de fotografia é extremamente importante dentro da realização de uma obra cinematográfica. O diretor de fotografia, participa do projeto desde a fase de pré-produção e segue a orientação do diretor do filme, que define a forma de filmagem que ele deseja obter como resultado. É um trabalho em conjunto, visando obter um material que vá de encontro com a concepção de filme imaginada pelo cineasta.
Junto com sua equipe, é responsável pela iluminação, pela filmagem propriamente dita (optando pelas diversas maneiras de se fazer isso), pela definição do plano a ser utilizado, pelo foco de cada cena, pela escolha dos equipamentos e materiais á serem utilizados, entre outras coisas.

De todos os que participam das filmagens, talves seja quem mais trabalhe no set. Algumas vezes o próprio diretor de fotografia acumula a função de câmera, em outras há um operador específico que deve ser supervisionado. Existe ainda a necessidade de coordenação de todo o trabalho da equipe, cuidando para que todos os equipamentos sejam usados de maneira a atingir o objetivo.

No Brasil talvez o expoente desta função seja Walter Carvalho, que ao longo de mais de 30 anos, assinou entre outros trabalhos a fotografia de filmes com "Terra Estrangeira" (em preto e branco), "Central do Brasil", "Lavoura Arcaica" (perfeita!), "Madame Satã", "Abril Despedaçado" (sem palavras) "Amarelo Manga", "Carandiru".

Para quem se interessar mais sobre o assunto, eu deixei um vídeo sobre a profissão tirado de uma série sobre a parte técnica do cinema chamada "Créditos". É didático sem ser chato. Também deixei o trailer do filme "Abril Despedaçado" do Walter Salles.

O certo é que sempre que vocês pensarem em como uma cena foi filmada, indiretamente estarão pensando no trabalho do diretor de fotografia.


Sandro











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