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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

50 ANOS A MIL - Biografia do Lobão


E não é que chegando o Natal as editoras estão lançando uma série interessante de livros sobre Músicos e Bandas Pop?! Eu acho bem legal, pena que não vou conseguir ler todos esses registros e biografias de uma vez, porém posso comentá-los.

Alguns que pude conferir nas livrarias são, “Bowie – A Biografia” de Marc Spitz, “VIDA” de Keith Richards, “Só Garotos” de Patti Smith, “Eu Sou OZZY” de Ozzy Osbourne, “Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra” de Mick Wall (sobre o Led Zeppelin).

Mas diante de tantos livros sobre “bandas gringas” um título sobre um artista nacional chamou minha atenção, “ 50 ANOS A MIL” (Nova Fronteira) de autoria de Lobão e o jornalista Claudio Tognolli.

João Luíz Woerdenbag Filho, carioca, nascido em 11 de outubro de 1957, começou a carreira aos 17 anos, e de seus primeiros trabalhos podemos citar a banda "Vímana" com Lulu Santos, Ritchie, Luis Paulo e Fernando Gama. Tem um registro da banda no filme “Ritmo Alucinante” (1975). Fundou a Blitz com Evandro Mesquita, até iniciar a sua carreira solo em 1982 com “Cena de Cinema”, onde se consagrou na geração dos anos 80 do tal “Rock Nacional”.

Acredito que relatos sobre as desavensas com figuras como Caetano Veloso, onde teve a troca de farpas das canções "Rock'n Raul" (que fala em "lobo bolo"), e a resposta "Para o mano Caetano". E a “treta” com Herbert Vianna devido ao suposto plágio de "Cena de cinema" feita pelos Paralamas com "Cinema mudo".

Em 2005, Lobão inicia sua trajetória televisiva com o programa “Saca Rolha”, na PlayTV, junto com Marcelo Tas e a modelo Mariana Weickert. Como é do conhecimento de todos, hoje o cantor trabalha como apresentador na MTV, moderando o programa MTV Debate e apresentando o programa Lobotomia.

Ainda não comecei a ler o livro, porém assim que terminar volto aqui no Blog para comentar mais sobre a vida desse “artista multimídia brasileiro”.


Anselmo

50 ANOS A MIL - Biografia do Lobão


E não é que chegando o Natal as editoras estão lançando uma série interessante de livros sobre Músicos e Bandas Pop?! Eu acho bem legal, pena que não vou conseguir ler todos esses registros e biografias de uma vez, porém posso comentá-los.

Alguns que pude conferir nas livrarias são, “Bowie – A Biografia” de Marc Spitz, “VIDA” de Keith Richards, “Só Garotos” de Patti Smith, “Eu Sou OZZY” de Ozzy Osbourne, “Quando Os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra” de Mick Wall (sobre o Led Zeppelin).

Mas diante de tantos livros sobre “bandas gringas” um título sobre um artista nacional chamou minha atenção, “ 50 ANOS A MIL” (Nova Fronteira) de autoria de Lobão e o jornalista Claudio Tognolli.

João Luíz Woerdenbag Filho, carioca, nascido em 11 de outubro de 1957, começou a carreira aos 17 anos, e de seus primeiros trabalhos podemos citar a banda "Vímana" com Lulu Santos, Ritchie, Luis Paulo e Fernando Gama. Tem um registro da banda no filme “Ritmo Alucinante” (1975). Fundou a Blitz com Evandro Mesquita, até iniciar a sua carreira solo em 1982 com “Cena de Cinema”, onde se consagrou na geração dos anos 80 do tal “Rock Nacional”.

Acredito que relatos sobre as desavensas com figuras como Caetano Veloso, onde teve a troca de farpas das canções "Rock'n Raul" (que fala em "lobo bolo"), e a resposta "Para o mano Caetano". E a “treta” com Herbert Vianna devido ao suposto plágio de "Cena de cinema" feita pelos Paralamas com "Cinema mudo".

Em 2005, Lobão inicia sua trajetória televisiva com o programa “Saca Rolha”, na PlayTV, junto com Marcelo Tas e a modelo Mariana Weickert. Como é do conhecimento de todos, hoje o cantor trabalha como apresentador na MTV, moderando o programa MTV Debate e apresentando o programa Lobotomia.

Ainda não comecei a ler o livro, porém assim que terminar volto aqui no Blog para comentar mais sobre a vida desse “artista multimídia brasileiro”.


Anselmo

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO - BIOGRAFIA POP RECHEADA DE SEXO

Ontem, por puro vacilo acabei deletando um texto que havia escrito sobre o livro "O Doce Veneno do Escorpião". Este livro deu origem a um filme cujo primeiro teaser foi divulgado na semana passada e que eu considerei com o vídeo da semana. Mas antes de chegar no filme, quero contar como encontrei este livro.

De cara, algumas constatações a meu respeito.
Primeiro. Meu hábito (que já virou vício) em acessar a internet não é de longa data. Na verdade sempre fui um cara de parar pouco em casa e o computador não estava entre os meus passatempos preferidos. Minha relação mais próxima com a rede começou a rolar mesmo só em 2006.
Segundo. Nunca gostei de coisa "mainstream". Tinha um pé atrás com músicas que eram hits, filmes que eram sucesso de bilheteria e livros que viravam best sellers. Claro que pesa aí um certo preconceito em não reconhecer méritos na cultura de massa, que nada mais é do que o chamado pop. O tempo já se encarregou de flexibilizar esta minha linha de pensamento e hoje não tenho mais problemas com isso.
Terceiro. Sempre me considerei um cara muito bem informado, hoje com a facilidade da rede, antes através de publicações impressas que lia as pencas.

Citei os fatos acima, para dizer que em 2005 quando "O Doce Veneno do Escorpião" foi publicado pela editora Panda Books eu o comprei praticamente na semana de lançamento. Na época o sucesso que um blog sobre uma garota de programa chamada Bruna Surfistinha fazia na internet já era notícia em bastante lugar. Sem nunca ter entrado no referido site (nunca tinha visitado um blog), eu tinha certeza que o livro com a autobiografia da dona deste blog, a Raquel Pacheco deveria trazer histórias muito interessantes, visto a dificuldade da profissão e a série de passagens e pessoas que a mina deveria ter conhecido. O que eu não tinha a menor idéia é que a obra iria dentro de pouco tempo se tornar um best seller. "O Doce Veneno do Escorpião" vendeu mais de 250.000 cópias.

Quando o oba-oba começou eu já tinha lido e aprovado o livro, que superou e muito minhas expectativas. Literatura pop até o osso e bem escrito. A linguagem simples e a narrativa ágil, leve e despretensiosa fazem com que o leitor praticamente devore a obra.

No livro Raquel conta sua história de menina classe média alta, educada em bons colégios, mas sempre sob uma postura muito rígida de seus pais, que gerava problemas de relacionamento e frustração na então adolescente. Ela intercala estes momentos como Raquel com o nascimento da Bruna Surfistinha, nome de "guerra" batizado por sua primeira cafetina em São Paulo, no privê onde começou a se prostituir após fugir de casa 20 dias antes de completar 18 anos (era 2002). Esta troca de papeís e histórias é feita de maneira competente e flui muito bem, sem deixar cair o ritmo intenso que domina o livro.

Os relatos com suas experiências na vida "fácil" são absolutamente despudorados e cheios de detalhes, capazes de constranger os puritanos ou pudicos de plantão. Mais ou menos na metade do livro, Raquel nos conta como nasceu a idéia de criar um blog na internet. Em dezembro de 2003 ela já tinha comprado um computador e tornara-se uma internauta. Solitária, um dia tentou procurar por blogs escritos por garotas de programa como ela, para ver com era a vida de outras meninas com a mesma profissão. Não achou nada. Em nenhum lugar. Decidiu então montar o seu próprio e começou a escrever para valer no começo de 2004. Além de contar um pouco de sua vida, o blog foi sendo direcionado para relatar diariamente todos os programas que Bruna fazia. Preservando a privacidade dos clientes, ela escrevia sobre o que havia feito com cada um, dados físicos das pessoas envolvidas e se ela tinha gostado ou não. Ela até criou cotações para a coisa, classificando em: transa mecânica, namoradinho e putaria.

Bom, a mina bombou na rede e alcançou o segundo lugar no iBest em pouco tempo. Ganhou repercussão e a oportunidade de escrever o livro. Fora isso, como ela mesma conta no final, o trabalho trouxe um namorado que a fez aposentar-se e deixar a profissão.

Sei que a Raquel publicou ainda mais dois livros, chamados "O que Aprendi com Bruna Surfistinha" (de 2006) e "Na Cama com Bruna Surfistinha" (de 2007). Não li nenhum dos dois, confesso que achei que seria mais do mesmo, sem o impacto dos picantes relatos da profissional do sexo descritos no primeiro livro. Podem ser bons, mas eu não conheço.

Este ano terminaram as gravações de "Bruna Surfistinha - O Filme", dirigido por Marcus Baldini. Um pouco mais sobre quem está no filme você lê no post anterior (aqui). Ela ainda mantém um blog no Uol que vale a visita (link aqui).

Em tempo, devo dizer que eu já queria ter escrito sobre este  livro faz algum tempo, mas agora que a garota vai voltar a ficar falada, vale a pena lembrar onde tudo começou. Admiro-a por ter estourado com um blog na internet em tempos bem diferentes dos de hoje e partindo como total desconhecida. Fora o fato da coragem de sua exposição pública.

Recomendo o livro, que serve como um bom entretenimento tocando num assunto tabu, mas que interessa a quase todos.

PS: As últimas 30 páginas do livro (todas em preto) no capítulo intitulado de As histótias proibidas de Bruna Surfistinha são sensacionais.


Sandro


Cansei De Ser Sexy - Music Is My Hot Hot Sex
Found at skreemr.org

O DOCE VENENO DO ESCORPIÃO - BIOGRAFIA POP RECHEADA DE SEXO

Ontem, por puro vacilo acabei deletando um texto que havia escrito sobre o livro "O Doce Veneno do Escorpião". Este livro deu origem a um filme cujo primeiro teaser foi divulgado na semana passada e que eu considerei com o vídeo da semana. Mas antes de chegar no filme, quero contar como encontrei este livro.

De cara, algumas constatações a meu respeito.
Primeiro. Meu hábito (que já virou vício) em acessar a internet não é de longa data. Na verdade sempre fui um cara de parar pouco em casa e o computador não estava entre os meus passatempos preferidos. Minha relação mais próxima com a rede começou a rolar mesmo só em 2006.
Segundo. Nunca gostei de coisa "mainstream". Tinha um pé atrás com músicas que eram hits, filmes que eram sucesso de bilheteria e livros que viravam best sellers. Claro que pesa aí um certo preconceito em não reconhecer méritos na cultura de massa, que nada mais é do que o chamado pop. O tempo já se encarregou de flexibilizar esta minha linha de pensamento e hoje não tenho mais problemas com isso.
Terceiro. Sempre me considerei um cara muito bem informado, hoje com a facilidade da rede, antes através de publicações impressas que lia as pencas.

Citei os fatos acima, para dizer que em 2005 quando "O Doce Veneno do Escorpião" foi publicado pela editora Panda Books eu o comprei praticamente na semana de lançamento. Na época o sucesso que um blog sobre uma garota de programa chamada Bruna Surfistinha fazia na internet já era notícia em bastante lugar. Sem nunca ter entrado no referido site (nunca tinha visitado um blog), eu tinha certeza que o livro com a autobiografia da dona deste blog, a Raquel Pacheco deveria trazer histórias muito interessantes, visto a dificuldade da profissão e a série de passagens e pessoas que a mina deveria ter conhecido. O que eu não tinha a menor idéia é que a obra iria dentro de pouco tempo se tornar um best seller. "O Doce Veneno do Escorpião" vendeu mais de 250.000 cópias.

Quando o oba-oba começou eu já tinha lido e aprovado o livro, que superou e muito minhas expectativas. Literatura pop até o osso e bem escrito. A linguagem simples e a narrativa ágil, leve e despretensiosa fazem com que o leitor praticamente devore a obra.

No livro Raquel conta sua história de menina classe média alta, educada em bons colégios, mas sempre sob uma postura muito rígida de seus pais, que gerava problemas de relacionamento e frustração na então adolescente. Ela intercala estes momentos como Raquel com o nascimento da Bruna Surfistinha, nome de "guerra" batizado por sua primeira cafetina em São Paulo, no privê onde começou a se prostituir após fugir de casa 20 dias antes de completar 18 anos (era 2002). Esta troca de papeís e histórias é feita de maneira competente e flui muito bem, sem deixar cair o ritmo intenso que domina o livro.

Os relatos com suas experiências na vida "fácil" são absolutamente despudorados e cheios de detalhes, capazes de constranger os puritanos ou pudicos de plantão. Mais ou menos na metade do livro, Raquel nos conta como nasceu a idéia de criar um blog na internet. Em dezembro de 2003 ela já tinha comprado um computador e tornara-se uma internauta. Solitária, um dia tentou procurar por blogs escritos por garotas de programa como ela, para ver com era a vida de outras meninas com a mesma profissão. Não achou nada. Em nenhum lugar. Decidiu então montar o seu próprio e começou a escrever para valer no começo de 2004. Além de contar um pouco de sua vida, o blog foi sendo direcionado para relatar diariamente todos os programas que Bruna fazia. Preservando a privacidade dos clientes, ela escrevia sobre o que havia feito com cada um, dados físicos das pessoas envolvidas e se ela tinha gostado ou não. Ela até criou cotações para a coisa, classificando em: transa mecânica, namoradinho e putaria.

Bom, a mina bombou na rede e alcançou o segundo lugar no iBest em pouco tempo. Ganhou repercussão e a oportunidade de escrever o livro. Fora isso, como ela mesma conta no final, o trabalho trouxe um namorado que a fez aposentar-se e deixar a profissão.

Sei que a Raquel publicou ainda mais dois livros, chamados "O que Aprendi com Bruna Surfistinha" (de 2006) e "Na Cama com Bruna Surfistinha" (de 2007). Não li nenhum dos dois, confesso que achei que seria mais do mesmo, sem o impacto dos picantes relatos da profissional do sexo descritos no primeiro livro. Podem ser bons, mas eu não conheço.

Este ano terminaram as gravações de "Bruna Surfistinha - O Filme", dirigido por Marcus Baldini. Um pouco mais sobre quem está no filme você lê no post anterior (aqui). Ela ainda mantém um blog no Uol que vale a visita (link aqui).

Em tempo, devo dizer que eu já queria ter escrito sobre este  livro faz algum tempo, mas agora que a garota vai voltar a ficar falada, vale a pena lembrar onde tudo começou. Admiro-a por ter estourado com um blog na internet em tempos bem diferentes dos de hoje e partindo como total desconhecida. Fora o fato da coragem de sua exposição pública.

Recomendo o livro, que serve como um bom entretenimento tocando num assunto tabu, mas que interessa a quase todos.

PS: As últimas 30 páginas do livro (todas em preto) no capítulo intitulado de As histótias proibidas de Bruna Surfistinha são sensacionais.


Sandro


Cansei De Ser Sexy - Music Is My Hot Hot Sex
Found at skreemr.org

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

BILL GRAHAM APRESENTA - PARA ENTENDER O INÍCIO DO SHOW BUSINESS


Como vocês já devem ter percebido, o assunto shows (leia mais aqui) é recorrente em nosso blog. Afinal, para amantes da música, o show é o momento em que o artista se expõe ao seu público totalmente despido da proteção que um bom estúdio e um bom produtor musical podem trazer. É a chamada hora da verdade.

Claro que as performances ao vivo não tornam melhores ou piores os trabalhos criados e gravados em estúdio, pois mesmo quem opta por não fazer shows ou mesmo tem apenas apresentações medianas, pode criar obras musicais relevantes.

Este post também é sobre shows. Porém não escreverei sobre um artista. A figura citada no título, não cantava, não tocava e não compunha. Bill Graham foi simplesmente o maior produtor de shows de todos os tempos. É o que afirma o jornalista norte-americano Robert Greenfield (ex-editor da revista Rolling Stone), co-autor da biografia desta fera dos bastidores. E é sobre esta biografia que vou escrever hoje.

O livro "Bill Graham apresenta: Minha vida dentro e fora do rock", foi lançado originalmente em 1992 lá na gringa e no final do ano passado aqui no Brasil pela editora Barracuda.

Na época do lançamento, lembro que fiquei bastante interessado em ler sobre um cara com tantas histórias sobre os bastidores da música. Adiei um pouco, até que neste ano, comprei e li a obra. Acabei me surpreendendo, pois o livro é bem melhor do que eu esperava.

Para começar, esta biografia é bem completa (são 555 páginas) é não se resume somente na fase de Bill na indústria do entretenimento. Praticamente 30% do livro é dedicado em contar como o pobre garoto alemão de origem russa, que era judeu, conseguiu escapar da caçada nazista com apenas quatro anos de idade, pagando o preço de ter sido separado de sua mãe e irmãs, vagando por diversos países da Europa até chegar de navio aos EUA, sozinho e sem falar uma palavra em inglês. É uma história de vida que só por esta parte já merecia ser lida. Os relatos trazem de forma muito explícita os horrores pelo qual passaram suas irmãs, que separadamente também conseguiram sobreviver e fugir da morte (sua mãe não teve a mesma sorte). Uma delas, inclusive foi prisioneira num campo de concentração.

Depois o livro nos conta, nas próprias palavras de Bill, seu drama para conseguir ser adotado, sua infancia e adolescência nas ruas do Bronx em Nova Iorque, suas peripécias no período que trabalhou como garçom, até a descoberta da profissão de promotor de shows, que ele reinventou e transformou em algo tão importante quanto o artista (pelo menos em termos de indústria).

Bill mostrou a todos que era possível ganhar um dinheiro considerável fazendo shows de qualidade e respeitando o público. Ele mostrou o caminho para que a coisa se tornasse uma indústria. Foi o primero cara a realmente se preocupar com o local dos shows, com a iluminação, com o equipamento de som, com os horários.

Oficializou todo este cuidado montando a lendária casa de shows Fillmore West em São Francisco e depois a Fillmore East em Nova Iorque. As passagens onde ele conta os esforços para conseguir abrir estes espaços são deliciosas. Tocaram nestes locais praticamente todas as bandas de alguma relevância no meio musical durante os anos 60 e 70. As razões e a forma com que Bill teve que fechar as casas anos depois também são contadas em detalhes e ilustram bem como funcionam as coisas no mundo dos negócios.

Provavelmente você já deve ter ouvido algum disco ou assistido algum vídeo gravado num dos Fillmore. Só de albuns ao vivo gravados lá foram quase cem.

Depois de fechar as casas (Bill ainda teve outra chamada Winterland, muito famosa também), Graham dedicou-se a organizar grandes turnês pelos EUA, passando a ser um gerenciador de shows grandiosos. Só como exemplo, ele organizou junto com o Bob Geldof o festival Live Aid (como, eles conta no livro).

E dá-lhe histórias e mais histórias sobre o show business. São passagens de artistas como Santana, Grateful Dead, Bob Dylan, Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, The Who, Led Zeppelin, Eric Clapton, Bob Geldof, Neil Young, Graham Nash e muitos outros, contadas as vezes por eles mesmos, as vezes por Bill, as vezes por pessoas que estavam próximas e viveram aquela fase.

Cito três. A antalógica treta de sua equipe com a trupe que acompanhava o Led Zeppelin numa turnê norte-americana (coincidentemente a última vez que tocaram nos EUA). As difíceis negociações para ser o responsável pela turnê dos Rolling Stones nos EUA que são contadas em detalhes, com alto tom de dramaticidade. E o fascínio de Bill com a ascenção de Otis Reding (escrevi isso no posto sobre o Otis, aqui). E tem muito mais.

Há espaço ainda para a opinião as vezes não tão boa dos concorrentes e adversários. Há espaço para tratar da ausência de Graham como marido e pai. Há espaço para as frustrações.

Nem tudo é alegria no livro, que termina contando a forma trágica como Bill morreu em 1991, saindo de um show num helicóptero que devido a uma forte chuva caiu no meio do caminho e a repercussão e comoção que esta notícia causou no meio dos artistas que aprenderam a respeitar Bill Graham no decorrer de sua vida vencedora.

Uma coisa interessante, é que o livro todo foi editado em forma de depoimentos na primeira pessoa (estilo "Mate-me, por Favor", post aqui), organizados de um jeito a permitr que a história seja contada de forma ágil e linear. Foram centenas de entrevistas feitas por Robert Greenfield , sendo grande parte relatos do próprio Bill. Este formato facilita a leitura, impedindo que fique maçante.

Só mais dois detalhes. O nome do livro é baseado nos letreiros dos shows que Graham organizava, onde sempre antes do nome do artista, em letras não menores do que o grande nome da noite, aparecia "Bill Graham Presents:".
Outra coisa legal é que esta biografia tem um prefácio muito bacana escrito pelo Peter Townshend.

Enfim, um livro delicioso que merece se lido. Para quem gosta muito de música então, é fundamental. Serve para entendermos como foi o início desta imensa indústria que gera tantos milhões de dólares a cada ano. Recomendo.


Sandro

BILL GRAHAM APRESENTA - PARA ENTENDER O INÍCIO DO SHOW BUSINESS


Como vocês já devem ter percebido, o assunto shows (leia mais aqui) é recorrente em nosso blog. Afinal, para amantes da música, o show é o momento em que o artista se expõe ao seu público totalmente despido da proteção que um bom estúdio e um bom produtor musical podem trazer. É a chamada hora da verdade.

Claro que as performances ao vivo não tornam melhores ou piores os trabalhos criados e gravados em estúdio, pois mesmo quem opta por não fazer shows ou mesmo tem apenas apresentações medianas, pode criar obras musicais relevantes.

Este post também é sobre shows. Porém não escreverei sobre um artista. A figura citada no título, não cantava, não tocava e não compunha. Bill Graham foi simplesmente o maior produtor de shows de todos os tempos. É o que afirma o jornalista norte-americano Robert Greenfield (ex-editor da revista Rolling Stone), co-autor da biografia desta fera dos bastidores. E é sobre esta biografia que vou escrever hoje.

O livro "Bill Graham apresenta: Minha vida dentro e fora do rock", foi lançado originalmente em 1992 lá na gringa e no final do ano passado aqui no Brasil pela editora Barracuda.

Na época do lançamento, lembro que fiquei bastante interessado em ler sobre um cara com tantas histórias sobre os bastidores da música. Adiei um pouco, até que neste ano, comprei e li a obra. Acabei me surpreendendo, pois o livro é bem melhor do que eu esperava.

Para começar, esta biografia é bem completa (são 555 páginas) é não se resume somente na fase de Bill na indústria do entretenimento. Praticamente 30% do livro é dedicado em contar como o pobre garoto alemão de origem russa, que era judeu, conseguiu escapar da caçada nazista com apenas quatro anos de idade, pagando o preço de ter sido separado de sua mãe e irmãs, vagando por diversos países da Europa até chegar de navio aos EUA, sozinho e sem falar uma palavra em inglês. É uma história de vida que só por esta parte já merecia ser lida. Os relatos trazem de forma muito explícita os horrores pelo qual passaram suas irmãs, que separadamente também conseguiram sobreviver e fugir da morte (sua mãe não teve a mesma sorte). Uma delas, inclusive foi prisioneira num campo de concentração.

Depois o livro nos conta, nas próprias palavras de Bill, seu drama para conseguir ser adotado, sua infancia e adolescência nas ruas do Bronx em Nova Iorque, suas peripécias no período que trabalhou como garçom, até a descoberta da profissão de promotor de shows, que ele reinventou e transformou em algo tão importante quanto o artista (pelo menos em termos de indústria).

Bill mostrou a todos que era possível ganhar um dinheiro considerável fazendo shows de qualidade e respeitando o público. Ele mostrou o caminho para que a coisa se tornasse uma indústria. Foi o primero cara a realmente se preocupar com o local dos shows, com a iluminação, com o equipamento de som, com os horários.

Oficializou todo este cuidado montando a lendária casa de shows Fillmore West em São Francisco e depois a Fillmore East em Nova Iorque. As passagens onde ele conta os esforços para conseguir abrir estes espaços são deliciosas. Tocaram nestes locais praticamente todas as bandas de alguma relevância no meio musical durante os anos 60 e 70. As razões e a forma com que Bill teve que fechar as casas anos depois também são contadas em detalhes e ilustram bem como funcionam as coisas no mundo dos negócios.

Provavelmente você já deve ter ouvido algum disco ou assistido algum vídeo gravado num dos Fillmore. Só de albuns ao vivo gravados lá foram quase cem.

Depois de fechar as casas (Bill ainda teve outra chamada Winterland, muito famosa também), Graham dedicou-se a organizar grandes turnês pelos EUA, passando a ser um gerenciador de shows grandiosos. Só como exemplo, ele organizou junto com o Bob Geldof o festival Live Aid (como, eles conta no livro).

E dá-lhe histórias e mais histórias sobre o show business. São passagens de artistas como Santana, Grateful Dead, Bob Dylan, Rolling Stones, Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, The Who, Led Zeppelin, Eric Clapton, Bob Geldof, Neil Young, Graham Nash e muitos outros, contadas as vezes por eles mesmos, as vezes por Bill, as vezes por pessoas que estavam próximas e viveram aquela fase.

Cito três. A antalógica treta de sua equipe com a trupe que acompanhava o Led Zeppelin numa turnê norte-americana (coincidentemente a última vez que tocaram nos EUA). As difíceis negociações para ser o responsável pela turnê dos Rolling Stones nos EUA que são contadas em detalhes, com alto tom de dramaticidade. E o fascínio de Bill com a ascenção de Otis Reding (escrevi isso no posto sobre o Otis, aqui). E tem muito mais.

Há espaço ainda para a opinião as vezes não tão boa dos concorrentes e adversários. Há espaço para tratar da ausência de Graham como marido e pai. Há espaço para as frustrações.

Nem tudo é alegria no livro, que termina contando a forma trágica como Bill morreu em 1991, saindo de um show num helicóptero que devido a uma forte chuva caiu no meio do caminho e a repercussão e comoção que esta notícia causou no meio dos artistas que aprenderam a respeitar Bill Graham no decorrer de sua vida vencedora.

Uma coisa interessante, é que o livro todo foi editado em forma de depoimentos na primeira pessoa (estilo "Mate-me, por Favor", post aqui), organizados de um jeito a permitr que a história seja contada de forma ágil e linear. Foram centenas de entrevistas feitas por Robert Greenfield , sendo grande parte relatos do próprio Bill. Este formato facilita a leitura, impedindo que fique maçante.

Só mais dois detalhes. O nome do livro é baseado nos letreiros dos shows que Graham organizava, onde sempre antes do nome do artista, em letras não menores do que o grande nome da noite, aparecia "Bill Graham Presents:".
Outra coisa legal é que esta biografia tem um prefácio muito bacana escrito pelo Peter Townshend.

Enfim, um livro delicioso que merece se lido. Para quem gosta muito de música então, é fundamental. Serve para entendermos como foi o início desta imensa indústria que gera tantos milhões de dólares a cada ano. Recomendo.


Sandro

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CLARICE - Biografia Made USA

Não é segredo pra ninguém que para um estrangeiro fazer sucesso em Hollywood ou na mídia dos Estados Unidos da América é extremamente difícil.

O público estadunidense não assimila com facilidade artistas de outros países atuando em seus filmes. Por exemplo, os de ascendência latina como a atriz Eva Mendes, a canadense Evangeline Lilly que teve dificuldades para conseguir o “visto de trabalho” para atuar na série LOST, o frustrado de Bruce Lee que foi substituído por David Carradine na série Kung Fu. Teve até ator americano interpretando personagem de outra nacionalidade , como o “Marlon Brando japonês” em “Casa de Chá do Luar de Agosto” e o “Steve Martin Francês” do “Remake” da “Pantera Cor-de-Rosa”.

Está certo que utilizei exemplos de cinema, mas podemos extender para o ramo da música, literatura, de fato o povo americano é muito nacionalista.

Por isso devemos receber com satisfação a notícia do lançamento no Brasil, de “Clarice” (Ed. Cosac Naify), biografia da escritora Clarice Lispector (1920-1977) escrita pelo jornalista americano Benjamin Moser. O mais impressionante é que está na segunda edição nos EUA.

Ucraniana de origem judia (Haia Lispector), e carioca por opção, é um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira. Seus textos seguiam uma linha introspectiva , seu romance “A Paixão segundo G.H.”(1964) é considerado uma de suas mais importantes obras.

Clarisse faleceu de cancer no ovário em 09 de dezembro de 1977, logo após de finalizar “A Hora da Estrela”, obra que virou filme em 1985 dirigido por Suzana Amaral (vide trailer abaixo).

Anselmo



CLARICE - Biografia Made USA

Não é segredo pra ninguém que para um estrangeiro fazer sucesso em Hollywood ou na mídia dos Estados Unidos da América é extremamente difícil.

O público estadunidense não assimila com facilidade artistas de outros países atuando em seus filmes. Por exemplo, os de ascendência latina como a atriz Eva Mendes, a canadense Evangeline Lilly que teve dificuldades para conseguir o “visto de trabalho” para atuar na série LOST, o frustrado de Bruce Lee que foi substituído por David Carradine na série Kung Fu. Teve até ator americano interpretando personagem de outra nacionalidade , como o “Marlon Brando japonês” em “Casa de Chá do Luar de Agosto” e o “Steve Martin Francês” do “Remake” da “Pantera Cor-de-Rosa”.

Está certo que utilizei exemplos de cinema, mas podemos extender para o ramo da música, literatura, de fato o povo americano é muito nacionalista.

Por isso devemos receber com satisfação a notícia do lançamento no Brasil, de “Clarice” (Ed. Cosac Naify), biografia da escritora Clarice Lispector (1920-1977) escrita pelo jornalista americano Benjamin Moser. O mais impressionante é que está na segunda edição nos EUA.

Ucraniana de origem judia (Haia Lispector), e carioca por opção, é um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira. Seus textos seguiam uma linha introspectiva , seu romance “A Paixão segundo G.H.”(1964) é considerado uma de suas mais importantes obras.

Clarisse faleceu de cancer no ovário em 09 de dezembro de 1977, logo após de finalizar “A Hora da Estrela”, obra que virou filme em 1985 dirigido por Suzana Amaral (vide trailer abaixo).

Anselmo



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