Em todo esse período de Minerva Pop tem sempre uma pergunta que me faço todos os dias: “Para que um Blog”?
O Sandro quando veio com a proposta (sim pessoal, ele foi o idealizador intelectual no negócio), o objetivo era de criar um espaço para expor nossas idéias, e escrever sobre pessoas e assuntos os quais admiramos.
Apesar do “blog” estar disponível para os mais diversos temas, deu pra perceber que dentre os assuntos abordados temos literatura russa e portuguesa, música inglesa e americana (até clássica), cinema europeu, poesia alemã, seriados de TV, Quadrinhos, e tudo que achamos indispensáveis para “temperar” nosso cotidiano “nada fácil”.
Apesar de curtirmos e acompanharmos tudo de interessante que “rola lá na gringa”, nós sempre procuramos ficar “antenados” com os assuntos referentes ao nosso país, e falando em “temperar” nosso cotidiano, o “post” de hoje é sobre um “Punk Rock Gastronômico” genuinamente brasileiro: Alex Atala.
Milad Alexandre Mack Atala , 42 anos, nascido na cidade de São Paulo, em 3 de junho de 1968, conhecido como Alex Atala, é um chef de cozinha brasileiro, de origem palestina, que nasceu no bairro da Mooca, e foi criado em São Bernardo do Campo.
Atala é um verdadeiro “outsider”, fã de punk rock, que aos quatorze anos de idade saiu de casa e foi trabalhar como DJ no saudoso Rose Bom Bom em São Paulo. Aos dezoito anos, viajou para a Europa como mochileiro. Quando estava na Bélgica, precisava ganhar dinheiro, e por isso começou a pintar paredes. Mas também era necessário um visto, se estudasse ou fizesse um curso já seria suficiente. Um dos amigos que pintavam parede fazia escola de cozinha, e sugiriu que Atala estudasse a matéria. Ele achou interessante e topou a parada. Em pouco tempo, começaram os primeiros “trabalhos” como cozinheiro.
Em uma entrevista concedida no programa de TV “o Estranho Mundo de Zé do Caixão”, Alex comenta (algo assim): “Eu era fã de punk rock, tive que escolher um curso para continuar como estudante na Europa, na verdade não era pra evoluir tanto na gastronomia, mas não tive competência nem pra fazer errado, e o resultado está aí.” (comenta com humor).
De volta a São Paulo, o sucesso veio com o trabalho de renovação de cardápio do extinto restaurante Filomena, onde criou uma entrada de alho assado e outros pratos, como manga grelhada com pimenta branca e molho de maracujá. Nessa época foi eleito o Melhor Jovem Chef pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Diferenciados. Atala também trabalhou no restaurante 72, antes de inaugurar o Namesa, em 1999, restaurante que ainda serve comidas rápidas na região dos Jardins.
Ainda em 1999, Alex Atala e mais dois sócios abriram o restaurante D.O.M. (Deo Optimo Maximo), em pouco tempo tornou-se um sucesso de público e crítica, recebendo diversos prêmios.
Em 2007, o D.O.M. figurou em 40º lugar na lista dos melhores restaurantes do mundo (San Pellegrino World’s 50 Best Restaurants),em 2009 passou à 24ª posição na lista e, em 2010, passou à 18ª posição.
Alex é um grande defensor de nossa culinária regional e trabalha no desenvolvimento de pratos como ingredientes de nosso país, sem dúvida muito rico nesse ponto. Seus pontos de vista, ideais e considerações podem ser conferidos em seus livros: “Por uma Gastronomia Brasileira” (2003), “Com Unhas, Dentes & Cuca” (2008), “Escoffianas Brasileiras” (2008).
Para termos uma idéia da importância de Alex Atala na “cozinha internacional”, ele foi convidado , nesse dia 26 de julho último, a integrar um grupo de chefs que formam o conselho da primeira "universidade gastronômica" da Espanha, que abrirá suas portas em 2011, na cidade de San Sebastián.
Esse "Conselho Internacional" é presidido pelo espanhol Ferrán Adria, do famoso restaurante El Bulli, da Cataluña. Junto com Atala, o grupo é formado com o francês Michel Bras, o inglês Heston Bluementhal (Fat Duck), o dinamarquês René Redzepi, cujo restaurante Noma, em Copenhague, acaba de ser classificado como "a melhor mesa do mundo" pela revista Restaurant, o japonês Yukio Hattori, o peruano Gastón Acurio, o italiano Massimo Botturaz e o americano Dan Barber.
Previsto para iniciar suas atividades em 2011 na Universidade de Mondragón, o "Basque Culinary Center" (Centro Culinário Basco) terá licenciatura em "Artes Culinárias" e mestrado de "inovação e gestão de alta cozinha". Esta será a segunda "universidade de culinária" da Europa, após a Universidade de Ciências Gastronômicas da Itália, criada no Piemonte.
Quando nos deparamos com uma história dessas, algumas considerações nos fazem refletir. Primeiro, que a ousadia e a determinação são fundamentais pra qualquer desafio e objetivos que temos na vida. Segundo, quando decidimos seguir uma profissão, uma carreira, devemos estudar, aperfeiçoar nossos conhecimentos e técnicas sobre o assunto.Terceiro, mas não o último, pra você começar uma “revolução”, na falta de uma guitarra elétrica, um boa refeição já é um bom começo.
Anselmo
