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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

IRA! - PORQUE DÁ PARA OUVIR ROCK EM PORTUGUÊS


Este post dedicado a uma banda brasileira de que gosto muito, também é uma pequena provocação ao parceiro de blog Anselmo. É que em seu post intitulado "Brasileiro é papagaio de americano" (leia aqui) e nos comentários do post sobre o futuro do rock brasileiro (leia aqui), o Ira! foi citado como uma mera cópia do The Who.

Não concordo. O The Who é sim, uma influência assumida pela banda paulistana, mas entendo que não dá para cravar como uma cópia, principalmente analisando toda a carreira dos caras. Isso não quer dizer que o grupo tenha sido inovador (poucos o são), pois sua sonoridade sempre foi calcada num rock simples e belas baladas, mas na minha opinião a banda evoluiu num sentido que trouxe uma maturidade e identidade própria a sua música.

Apesar de gostar muito de seus primeiros trabalhos na década de 80 ("Mudança de Comportamento" de 1985, "Vivendo e não Aprendendo" de 1986 e "Psicoacústica" de 1988) prefiro a fase da década de 90, onde discos não tão inspirados ("Meninos da Rua Paulo" de 1991 e "Música Calma para Pessoas Nervosas" de 1993) são intercalados com discos muito bons ("Clandestino" de 1990, "7" de 1996, "Você Não Sabe Quem Eu Sou" de 1998 e o disco de covers "Isso é Amor" de 1999), com a diferença que a pegada ao vivo da banda tornou-se ainda mais vigorosa. A categoria de Edgard Scandurra, o carisma absurdo do vocalista Nasi e a segurança do baixista Ricardo Gaspa e do baterista André Jung amadureceu com o tempo e eles passaram a dar ainda mais vida as canções clássicas do início de carreira.

Só que nesta época o Ira! já estava fora do mainstream brasileiro, (chegaram a ter a música "Flores em Você" como tema de novela), queda que teve início com o lançamento do excelente album "Psicoacústica", incompreendido pelo grande público.

Com o ostracismo, foram algumas tentativas da volta por cima, que só ocorreu com o lançamento em 2004 de um disco acústivo gravado para a MTV numa manjada fórmula de sucesso garantido pela gravadora (deu certo até com a droga dos Titãs).

Em 2007, saiu o último trabalho da banda, chamado "Invisível DJ", que eu gostei bastante e recomendo. Neste mesmo ano, sérios desentendimentos entre os integrantes levaram o Ira! a encerrar as atividades (houve uma tentativa de levarem um trio sem o Nasi prontamente renegada pelos fãs).

Enfim, acho gostoso poder ouvir música que gostamos em nossa língua natal, poder cantar durante um show inteiro sem precisar decorar as letras gringas. E convenhamos que isso não é lá tarefa fácil aqui no Brasil, principalmente se você não gosta (detesta?) de mpb ou outros "preciosos" estilos musicais oriundos destas terras.

Abaixo os vídeos com as músicas "Flerte Fatal" (versão do "Acustico MTV"), "Eu vou tentar" (do disco "Invisível DJ") e "Milhas e Milhas" (do regular "Entre seus Rins" de 2001). Peço atenção especial aos dois primeiros, dirigidos brilhantemente pelo Selton Melo.

PS: Gosto muito mais de Irá do que de The Who!


Sandro









IRA! - PORQUE DÁ PARA OUVIR ROCK EM PORTUGUÊS


Este post dedicado a uma banda brasileira de que gosto muito, também é uma pequena provocação ao parceiro de blog Anselmo. É que em seu post intitulado "Brasileiro é papagaio de americano" (leia aqui) e nos comentários do post sobre o futuro do rock brasileiro (leia aqui), o Ira! foi citado como uma mera cópia do The Who.

Não concordo. O The Who é sim, uma influência assumida pela banda paulistana, mas entendo que não dá para cravar como uma cópia, principalmente analisando toda a carreira dos caras. Isso não quer dizer que o grupo tenha sido inovador (poucos o são), pois sua sonoridade sempre foi calcada num rock simples e belas baladas, mas na minha opinião a banda evoluiu num sentido que trouxe uma maturidade e identidade própria a sua música.

Apesar de gostar muito de seus primeiros trabalhos na década de 80 ("Mudança de Comportamento" de 1985, "Vivendo e não Aprendendo" de 1986 e "Psicoacústica" de 1988) prefiro a fase da década de 90, onde discos não tão inspirados ("Meninos da Rua Paulo" de 1991 e "Música Calma para Pessoas Nervosas" de 1993) são intercalados com discos muito bons ("Clandestino" de 1990, "7" de 1996, "Você Não Sabe Quem Eu Sou" de 1998 e o disco de covers "Isso é Amor" de 1999), com a diferença que a pegada ao vivo da banda tornou-se ainda mais vigorosa. A categoria de Edgard Scandurra, o carisma absurdo do vocalista Nasi e a segurança do baixista Ricardo Gaspa e do baterista André Jung amadureceu com o tempo e eles passaram a dar ainda mais vida as canções clássicas do início de carreira.

Só que nesta época o Ira! já estava fora do mainstream brasileiro, (chegaram a ter a música "Flores em Você" como tema de novela), queda que teve início com o lançamento do excelente album "Psicoacústica", incompreendido pelo grande público.

Com o ostracismo, foram algumas tentativas da volta por cima, que só ocorreu com o lançamento em 2004 de um disco acústivo gravado para a MTV numa manjada fórmula de sucesso garantido pela gravadora (deu certo até com a droga dos Titãs).

Em 2007, saiu o último trabalho da banda, chamado "Invisível DJ", que eu gostei bastante e recomendo. Neste mesmo ano, sérios desentendimentos entre os integrantes levaram o Ira! a encerrar as atividades (houve uma tentativa de levarem um trio sem o Nasi prontamente renegada pelos fãs).

Enfim, acho gostoso poder ouvir música que gostamos em nossa língua natal, poder cantar durante um show inteiro sem precisar decorar as letras gringas. E convenhamos que isso não é lá tarefa fácil aqui no Brasil, principalmente se você não gosta (detesta?) de mpb ou outros "preciosos" estilos musicais oriundos destas terras.

Abaixo os vídeos com as músicas "Flerte Fatal" (versão do "Acustico MTV"), "Eu vou tentar" (do disco "Invisível DJ") e "Milhas e Milhas" (do regular "Entre seus Rins" de 2001). Peço atenção especial aos dois primeiros, dirigidos brilhantemente pelo Selton Melo.

PS: Gosto muito mais de Irá do que de The Who!


Sandro









terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O BANDIDO DA LUZ VERMELHA - UM FAROESTE SOBRE O TERCEIRO MUNDO


O post de hoje é sobre um filme difícil. Indicado para quem quer sair do convencional e experimentar uma narrativa bem diferente do que se vê por aí.

Falo de "O Bandido da Luz Vermelha" de Rogério Sganzerla. O filme de 1968, foi o primeiro do polêmico cineasta paulista que ficou conhecido por cunhar o rótulo cinema marginal, num contra-ponto ao chamado cinema novo, que era a referência do Brasil naquela época.

Tido por muitos como um visionário e um homem a frente de seu tempo, Sganzerla, tinha apenas 22 anos quando realizou o filme, que foi sua primeira experiência cinematográfica com um longa-metragem (antes disso ele era crítico de cinema do Estadão). Apesar de ser um filme do underground, "O Bandido" teve uma boa aceitação de público e fez uma bilheteria razoável. Também ganhou alguns prêmios e posteriormente foi reconhecido como uma obra relevante, não só aqui no Brasil.

O argumento original foi escrito por Sganzerla quando estava na Europa e contava a história de um bandido que aterrorizava uma cidade com seus assaltos e assassinatos. Chegando ao Brasil, ele se deparou com a história real de João Acácio Pereira da Costa, conhecido como Luz Vermelha (sempre usava uma lanterna vermelha em seus crimes) que estava assaltando diversas casas pessoas ricas em São Paulo.

A partir daí, Sganzerla fez um mix entre seu personagem original com o bandido real. O resultado foi um louco que ao longo do filme se questiona frequentemente se é um gênio ou uma besta. Um bandido que ao mesmo tempo que estupra ou mata algumas de suas vítimas, era gentil e conversava numa boa com outras. Coisa de psicopata.

Nitidamente influenciado pelo cineasta norte-americano Orson Welles, Sganzerla utiliza-se de uma linguagem para contar o filme através da imprensa. Porém, diferente de "Cidadão Kane", aqui ele usa dois locutores de rádio sensacionalistas, que participam do filme todo. É inovador, mas chega até a ser meio chato as vezes.

Este grande cineasta teve depois uma bela carreira cinematográfica, mas sempre a margem do suceso comercial, apesar do reconhecimento de seu talento pelo meio e pela crítica. Rogério Sganzerla morreu em janeiro de 2004.

Abaixo, juntando tudo de bom num mesmo lugar, ouvimos a banda paulista Ira! com a música "Rubro Zorro" (escrita em homenagem ao cineasta e ao filme) num vídeo com cenas do filme.

"O Terceiro mundo vai explodir! Quem tiver de sapato, não sobra! Não pode sobrar!"


Sandro




O BANDIDO DA LUZ VERMELHA - UM FAROESTE SOBRE O TERCEIRO MUNDO


O post de hoje é sobre um filme difícil. Indicado para quem quer sair do convencional e experimentar uma narrativa bem diferente do que se vê por aí.

Falo de "O Bandido da Luz Vermelha" de Rogério Sganzerla. O filme de 1968, foi o primeiro do polêmico cineasta paulista que ficou conhecido por cunhar o rótulo cinema marginal, num contra-ponto ao chamado cinema novo, que era a referência do Brasil naquela época.

Tido por muitos como um visionário e um homem a frente de seu tempo, Sganzerla, tinha apenas 22 anos quando realizou o filme, que foi sua primeira experiência cinematográfica com um longa-metragem (antes disso ele era crítico de cinema do Estadão). Apesar de ser um filme do underground, "O Bandido" teve uma boa aceitação de público e fez uma bilheteria razoável. Também ganhou alguns prêmios e posteriormente foi reconhecido como uma obra relevante, não só aqui no Brasil.

O argumento original foi escrito por Sganzerla quando estava na Europa e contava a história de um bandido que aterrorizava uma cidade com seus assaltos e assassinatos. Chegando ao Brasil, ele se deparou com a história real de João Acácio Pereira da Costa, conhecido como Luz Vermelha (sempre usava uma lanterna vermelha em seus crimes) que estava assaltando diversas casas pessoas ricas em São Paulo.

A partir daí, Sganzerla fez um mix entre seu personagem original com o bandido real. O resultado foi um louco que ao longo do filme se questiona frequentemente se é um gênio ou uma besta. Um bandido que ao mesmo tempo que estupra ou mata algumas de suas vítimas, era gentil e conversava numa boa com outras. Coisa de psicopata.

Nitidamente influenciado pelo cineasta norte-americano Orson Welles, Sganzerla utiliza-se de uma linguagem para contar o filme através da imprensa. Porém, diferente de "Cidadão Kane", aqui ele usa dois locutores de rádio sensacionalistas, que participam do filme todo. É inovador, mas chega até a ser meio chato as vezes.

Este grande cineasta teve depois uma bela carreira cinematográfica, mas sempre a margem do suceso comercial, apesar do reconhecimento de seu talento pelo meio e pela crítica. Rogério Sganzerla morreu em janeiro de 2004.

Abaixo, juntando tudo de bom num mesmo lugar, ouvimos a banda paulista Ira! com a música "Rubro Zorro" (escrita em homenagem ao cineasta e ao filme) num vídeo com cenas do filme.

"O Terceiro mundo vai explodir! Quem tiver de sapato, não sobra! Não pode sobrar!"


Sandro




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