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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO - O FINAL DA TRILOGIA SOBRE ZÉ DO CAIXÃO

Em tempos da chegada do filme "Colin" (leia aqui) aos cinemas brasileiros e numa sexta feira 13, quero escrever sobre o Zé do Caixão. Muita coisa se comenta a respeito deste mítico personagem e alguns chegam até mesmo a confundir o criador José Mojica Marins com a criatura.

Na minha opinião, Mojica é simplesmente genial. Figura de suma importância na história do cinema brasileiro, com seu jeito todo peculiar de fazer cinema. Um cara de origem humilde que mesmo sem conhecimento teórico, realizou filmes tidos como referência mundial para o chamado terror "B". Menosprezado por parte do grande público, é respeitadíssimo no meio cinematográfico nacional e internacional.

Mas irei tratar sobre a história deste grande cineasta (ou seria um louco?) em outra ocasião. Sua biografia intitulada "Maldito" escrita pelo André Barcisnki e pelo Ivan Finotti será filmada e em breve poderemos ver nas telas a saga deste grande homem. São mais de 30 filmes e muita coisa para contar.

Hoje eu quero falar sobre o último filme da trilogia com o personagem Zé do Caixão, que saiu este ano em DVD. Chama-se "Encarnação do Demônio".

Esta trilogia foi iniciada em 1964 com o filme "A meia-noite levarei sua alma", onde o coveiro de uma pequena cidade do interior, conhecido como Zé do Caixão é ao mesmo tempo temido e odiado pelos moradores do local. Ele é obsecado em gerar um filho perfeito, porém descobre que sua mulher não pode engravidar. Revoltado, entende que Teresinha, a mulher de seu amigo, deveria ser a geradora da criança e decide violentá-la para conseguir o que quer. Ele só não contava com o fato de que, desgostosa e desesperada com a possibilidade de ter engravidado, a mulher decide se suicidar, impossibilitando o plano de Zé. O personagem é extremamente cruel e sádico e passa o filme todo fazendo maldades com os demais personagens.

Em 1967 foi lançada a segunda parte da trilogia, chamada "Esta noite encarnarei teu cadáver". Desta vez Zé do Caixão está ainda mais enlouquecido e continua sua busca pela mulher ideal para gerar seu filho perfeito. Pare ele, a mulher não pode ter medo de nada, pois ao sentir medo, mostra que não é digna. Então os testes para encontrá-la são bem pesados (se é que você me entende).

Mojica sempre teve em mente que a saga do personagem deveria ser contada numa trilogia, porém os anos foram passando, o cineasta sofrendo cada vez mais com a censura do regime militar até que veio um período de ostracismo, onde Mojica era visto apenas como uma figura folclórica que não era levada muito a sério. Sem oportunidades para filmar, o sonho de finalizar a trilogia ia ficando cada vez mais distante.

A maré começou a mudar nos anos 90, quando seus filmes foram descobertos pelo público norte-americano aficcionado por filmes de terror de baixo orçamento. No meio destes novos fãs muita gente importante manisfestou sua admiração por seu trabalho, como Steven Spilberg, para citar um bem famoso. Nesta época, Mojica (conhecido lá como Coffin Joe) participou ativamente de festivais e convenções nos EUA, ganhando certa notoriedade. Isso fez com que as muitas pessoas aqui do Brasil se lembrassem da importância de sua obra e regatassem um pouco sua moral, lhe dando o devido respeito.

Mesmo assim, Mojica só conseguiu por em prática seu plano de terminar a citada trilogia em 2007. Mas o importante é que conseguiu.

Em 2008 foi lançado "A Encarnação do Demônio". No filme, depois de 40 anos preso (tempo real entre as filmagens), Zé do Caixão é solto. Com um histórico de muitas mortes na cadeia durante todos estes anos de prisão, ele continua com a mesma maldade de sempre e ainda planeja a geração do tão sonhado filho. Seu fiel escudeiro Bruno, já pré-selecionou uma equipe de quatro servos que irão ajudá-lo na tarefa do recrutamento das candidatas. O local para os "testes" também já está preparado e se parece bastante com um castelo de horrores.

Devido aos recursos disponíveis (os filmes anteriores eram amadorismo e improviso puros), esta terceira parte supera e muito as demais no aspecto visual. O diretor soube usar dos avanços da modernidade para rechear o filme de cenas realmente impactantes e fortes. Só para citar um exemplo, numa cena em que uma das atrizes tinha que ser costurada dentro de um porco, a garota surtou e causou um desconforto em toda a equipe de filmagem , fazendo com que parte abandonasse o set meio chocada com a situação. Depois acabou rolando normal.

O que eu particularmente acho que ficou um pouco a desejar foi a montagem. A cargo do Paulo Sacramento (também produtor do filme) ela é meio confusa e com um início muito lento (depois pega!). Minha opinião é que dava para ter conseguido um resultado melhor, até pela competência dos profissionais envolvidos.
Formei esta opinião quando assisti ao filme no cinema. Depois pude compreender melhor a razão quando comprei o DVD (devidamente autogafado pelo mestre!!!) e assisti aos extras. Lá ficamos sabendo que o que prejudicou demais as filmagens foi o fato do ator Jece Valadão, que interpreta o personagem antagonista no enredo, ter morrido durante as filmagens, tendo gravado somente 1/3 de suas cenas. Como não dava para começar tudo de novo e muito menos cancelar o projeto, a adaptação a esta nova realidade mexeu com os caminhos das filmagens e impossibilitou um resultado final perfeito. Esta situação ameniza bastante a crítica, mas independente disso, eles não poderiam ter cortado a cena do velório das velhas cegas!(rsrs).
Uma coisa muito bacana é o desfecho. Gostei muito foi do final, emblemático para a trama.

Enfim, considero um filme muito bom, porém não é o tipo de cinema recomendado a todos os gostos. Se a pessoa não curtir filmes de terror, provavelmente não vai entender e achar tudo muito gratuito. Mesmo assim, para quem não tiver muito problema com cenas de violência extrema, pode ser interessante conhecer um pouco da obra deste fabuloso realizador.

Para finalizar, antes dos trailers (o oficial do Brasil e um para a distribuição internacional, mais longo), deixo algumas opiniões a respeito de José Mojica Marins.

"O maior homem de cinema já surgido no hemisfétrio sul" - Carlos Reichenbach
"De boa fé, troco 20 anos de cinema paulista pelos 20 segundos em que Zé do Caixão, fugindo na floresta de papelão, abre os braços, a capa e grita 'a quem pertence a Terra? a Deus? ao Demônio? Ou aos espríritos desencarnados?' '' - Rogério Sganzerla.
"Um débil mental...Se não fugisse á minha alçada, seria o caso de sugerir sua prisão." - Censor da polícia federal na época da ditadura.


Sandro





ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO - O FINAL DA TRILOGIA SOBRE ZÉ DO CAIXÃO

Em tempos da chegada do filme "Colin" (leia aqui) aos cinemas brasileiros e numa sexta feira 13, quero escrever sobre o Zé do Caixão. Muita coisa se comenta a respeito deste mítico personagem e alguns chegam até mesmo a confundir o criador José Mojica Marins com a criatura.

Na minha opinião, Mojica é simplesmente genial. Figura de suma importância na história do cinema brasileiro, com seu jeito todo peculiar de fazer cinema. Um cara de origem humilde que mesmo sem conhecimento teórico, realizou filmes tidos como referência mundial para o chamado terror "B". Menosprezado por parte do grande público, é respeitadíssimo no meio cinematográfico nacional e internacional.

Mas irei tratar sobre a história deste grande cineasta (ou seria um louco?) em outra ocasião. Sua biografia intitulada "Maldito" escrita pelo André Barcisnki e pelo Ivan Finotti será filmada e em breve poderemos ver nas telas a saga deste grande homem. São mais de 30 filmes e muita coisa para contar.

Hoje eu quero falar sobre o último filme da trilogia com o personagem Zé do Caixão, que saiu este ano em DVD. Chama-se "Encarnação do Demônio".

Esta trilogia foi iniciada em 1964 com o filme "A meia-noite levarei sua alma", onde o coveiro de uma pequena cidade do interior, conhecido como Zé do Caixão é ao mesmo tempo temido e odiado pelos moradores do local. Ele é obsecado em gerar um filho perfeito, porém descobre que sua mulher não pode engravidar. Revoltado, entende que Teresinha, a mulher de seu amigo, deveria ser a geradora da criança e decide violentá-la para conseguir o que quer. Ele só não contava com o fato de que, desgostosa e desesperada com a possibilidade de ter engravidado, a mulher decide se suicidar, impossibilitando o plano de Zé. O personagem é extremamente cruel e sádico e passa o filme todo fazendo maldades com os demais personagens.

Em 1967 foi lançada a segunda parte da trilogia, chamada "Esta noite encarnarei teu cadáver". Desta vez Zé do Caixão está ainda mais enlouquecido e continua sua busca pela mulher ideal para gerar seu filho perfeito. Pare ele, a mulher não pode ter medo de nada, pois ao sentir medo, mostra que não é digna. Então os testes para encontrá-la são bem pesados (se é que você me entende).

Mojica sempre teve em mente que a saga do personagem deveria ser contada numa trilogia, porém os anos foram passando, o cineasta sofrendo cada vez mais com a censura do regime militar até que veio um período de ostracismo, onde Mojica era visto apenas como uma figura folclórica que não era levada muito a sério. Sem oportunidades para filmar, o sonho de finalizar a trilogia ia ficando cada vez mais distante.

A maré começou a mudar nos anos 90, quando seus filmes foram descobertos pelo público norte-americano aficcionado por filmes de terror de baixo orçamento. No meio destes novos fãs muita gente importante manisfestou sua admiração por seu trabalho, como Steven Spilberg, para citar um bem famoso. Nesta época, Mojica (conhecido lá como Coffin Joe) participou ativamente de festivais e convenções nos EUA, ganhando certa notoriedade. Isso fez com que as muitas pessoas aqui do Brasil se lembrassem da importância de sua obra e regatassem um pouco sua moral, lhe dando o devido respeito.

Mesmo assim, Mojica só conseguiu por em prática seu plano de terminar a citada trilogia em 2007. Mas o importante é que conseguiu.

Em 2008 foi lançado "A Encarnação do Demônio". No filme, depois de 40 anos preso (tempo real entre as filmagens), Zé do Caixão é solto. Com um histórico de muitas mortes na cadeia durante todos estes anos de prisão, ele continua com a mesma maldade de sempre e ainda planeja a geração do tão sonhado filho. Seu fiel escudeiro Bruno, já pré-selecionou uma equipe de quatro servos que irão ajudá-lo na tarefa do recrutamento das candidatas. O local para os "testes" também já está preparado e se parece bastante com um castelo de horrores.

Devido aos recursos disponíveis (os filmes anteriores eram amadorismo e improviso puros), esta terceira parte supera e muito as demais no aspecto visual. O diretor soube usar dos avanços da modernidade para rechear o filme de cenas realmente impactantes e fortes. Só para citar um exemplo, numa cena em que uma das atrizes tinha que ser costurada dentro de um porco, a garota surtou e causou um desconforto em toda a equipe de filmagem , fazendo com que parte abandonasse o set meio chocada com a situação. Depois acabou rolando normal.

O que eu particularmente acho que ficou um pouco a desejar foi a montagem. A cargo do Paulo Sacramento (também produtor do filme) ela é meio confusa e com um início muito lento (depois pega!). Minha opinião é que dava para ter conseguido um resultado melhor, até pela competência dos profissionais envolvidos.
Formei esta opinião quando assisti ao filme no cinema. Depois pude compreender melhor a razão quando comprei o DVD (devidamente autogafado pelo mestre!!!) e assisti aos extras. Lá ficamos sabendo que o que prejudicou demais as filmagens foi o fato do ator Jece Valadão, que interpreta o personagem antagonista no enredo, ter morrido durante as filmagens, tendo gravado somente 1/3 de suas cenas. Como não dava para começar tudo de novo e muito menos cancelar o projeto, a adaptação a esta nova realidade mexeu com os caminhos das filmagens e impossibilitou um resultado final perfeito. Esta situação ameniza bastante a crítica, mas independente disso, eles não poderiam ter cortado a cena do velório das velhas cegas!(rsrs).
Uma coisa muito bacana é o desfecho. Gostei muito foi do final, emblemático para a trama.

Enfim, considero um filme muito bom, porém não é o tipo de cinema recomendado a todos os gostos. Se a pessoa não curtir filmes de terror, provavelmente não vai entender e achar tudo muito gratuito. Mesmo assim, para quem não tiver muito problema com cenas de violência extrema, pode ser interessante conhecer um pouco da obra deste fabuloso realizador.

Para finalizar, antes dos trailers (o oficial do Brasil e um para a distribuição internacional, mais longo), deixo algumas opiniões a respeito de José Mojica Marins.

"O maior homem de cinema já surgido no hemisfétrio sul" - Carlos Reichenbach
"De boa fé, troco 20 anos de cinema paulista pelos 20 segundos em que Zé do Caixão, fugindo na floresta de papelão, abre os braços, a capa e grita 'a quem pertence a Terra? a Deus? ao Demônio? Ou aos espríritos desencarnados?' '' - Rogério Sganzerla.
"Um débil mental...Se não fugisse á minha alçada, seria o caso de sugerir sua prisão." - Censor da polícia federal na época da ditadura.


Sandro





terça-feira, 3 de novembro de 2009

CAMA DE GATO - VALE A PENA ASSISTIR


Nos últimos dias a grande mídia deu bastante espaço para o caso da estudante de uma universidade daqui de São Paulo que foi humilhada pelos demais alunos em razão de estar vestida de forma "inapropriada" (vestido muito curto). Sem entrar no mérito da garota estar certa ou não, me surpreendeu a reação desproporcional que a atitude dela gerou na galera. Justamente num ambiente de universitários, onde as cabeças deveriam ser mais abertas, a indignação exagerada quase fez com que a menina apanhasse. Vendo o vídeo, entendo que faltou só alguém dar o primeiro soco, para desencadear uma provável tragédia. Hoje li que alguns alunos fizeram protestos contra a menina.

Este fato me fez lembrar um excelente filme brasileiro chamado “Cama de Gato”.

Filmado em 2000, no formato de vídeo digital e com um orçamento de apenas R$ 13 mil, "Cama de Gato" foi lançado nos cinemas em 2004. O filme concebido por Alexandre Stockler (responsável pelo argumento, roteiro, direção e produção) é um verdadeiro tapa na cara.

Conta a história de três jovens de classe média alta (vividos por Caio Blat, Rodrigo Bolzan e Calman Baladez) que estão entrando na faculdade e passam por uma fase onde tudo é festa. Com a desculpa da diversão, acham que qualquer coisa vale.

Em determinado momento, incentivado pelos amigos, um deles chama uma colega para sua casa (ela está afim de transar com ele) já com o pensamento de que role um sexo grupal (só de barato). A garota não sabe de nada e quando já está no quarto, sem roupa, os outros dois caras entram em cena para “participar” da brincadeira. A menina diz não e prepara-se para ir embora, quando eles começam a forçar a barra. A coisa vai evoluindo até chegar ao ponto em que vira um estupro. Numa cena pesadíssima e explícita (6 minutos no cinema e quase 17 minutos no DVD), Stockler nos mostra a falta de limites que a “diversão” inconseqüente leva.

Mas a coisa não para por aí. Tentando lutar durante a ação dos jovens, a garota toma uma pancada na cabeça o que faz com que ela apague na hora. Verificando a respiração (ou a falta dela), os três chegam a conclusão de que a menina está morta. O desespero dos três aumenta quando a mãe do morador da casa chega do trabalho. O filho desnorteado tenta em vão manter a mulher no andar de baixo. Não consegue e quando a mãe está subindo as escadas, depara-se com um dos jovens descendo e no susto cai de costas, bate a cabeça num degrau e cai morta.

Pronto. O inferno está montado. Diante desta inusitada situação, os três começam a discutir que atitude tomar. A trama vira uma espécie de humor negro, porém com uma pesada crítica social, pois durante a discussão sobre o que fazer, percebe-se que a "ficha não cai" e a noção de ética e moral dos personagens passa longe do que, pelo menos em tese, a sociedade espera.

Na sequência, eles optam em queimar o corpo da menina em algum lixão distante. A partir daí segue-se uma série de acontecimentos que vão complicando cada vez mais o caso. O interessante é que durante todas as cenas os personagens exalam preconceito e falta de conexão com a realidade. Sobre o desenrolar do filme eu paro por aqui, para que vocês vejam por si mesmos.

Outro ponto importante, é que o diretor saiu na noite paulistana e gravou uma série de entrevistas com jovens em diferentes situações e lugares. Sem que os mesmos tivessem visto o filme, apenas tendo como informação a história, as respostas dadas por esta galera expõem idéias nebulosas e que também vão contra o preceito de ética da sociedade. Estas entrevistas fazem parte do início e final do filme.

Nos extras do DVD, Stockler coloca uma idéia que achei nteressante. Todo este nosso horror ao que os outros fazem pode ser questionado numa simples reflexão. O que você faria se sua filha fosse estuprada? Que fim você desejaria ao agressor? Agora, se um filho seu estuprasse uma menina, qual seria sua reação? A indignação e revolta seria na mesma proporção?

Enfim, o que posso dizer é que trata-se de um filme absolutamente inovador, que rompe com aquela estética de violência que estamos acostumados a encontar nos cinemas, sempre com as favelas / periferias como pano de fundo. Aqui é a juvenude de classe média alta que está em discussão, uma juventude que apesar de ter tudo na mão muitas vezes não consegue transformar informação em conhecimento.

Quando lançado, "Cama de Gato" dividiu a crítica, que ora o acusava de violência gratuita, ora o achava genial. Não ficou muito tempo em cartaz e a censura de 18 anos atrapalhou bastante a bilheteria, mas na época o site do filme bateu mais de 40 milhões de acessos.

Exibido internacionalmente, ganhou alguns prêmios legais:
Melhor longa-metragem de estréia no festival de Montreal em 2002
Grande prêmio do juri no festival de Seoul em 2003.
Melhor ator para Caio Blat no festival de cinema latino de Nova Yorque em 2003.

Não sei ao certo se é facil achá-lo em locadoras, sei que em algumas lojas virtuais pode-se encontrá-lo num preço médio de R$ 19,00. Eu recomendo o investimento, pois é uma obra que no mínimo não nos deixa passar batidos.

Com informação extra, recentemente o Alexandre Stockler disponibilizou o documentário com as entrevistas gravadas durante a filmagem na íntegra lá no You Tube, dividido em 8 partes. Quem tiver o interesse é só pesquisar como "camadegato.doc".

É isso.

Sandro



CAMA DE GATO - VALE A PENA ASSISTIR


Nos últimos dias a grande mídia deu bastante espaço para o caso da estudante de uma universidade daqui de São Paulo que foi humilhada pelos demais alunos em razão de estar vestida de forma "inapropriada" (vestido muito curto). Sem entrar no mérito da garota estar certa ou não, me surpreendeu a reação desproporcional que a atitude dela gerou na galera. Justamente num ambiente de universitários, onde as cabeças deveriam ser mais abertas, a indignação exagerada quase fez com que a menina apanhasse. Vendo o vídeo, entendo que faltou só alguém dar o primeiro soco, para desencadear uma provável tragédia. Hoje li que alguns alunos fizeram protestos contra a menina.

Este fato me fez lembrar um excelente filme brasileiro chamado “Cama de Gato”.

Filmado em 2000, no formato de vídeo digital e com um orçamento de apenas R$ 13 mil, "Cama de Gato" foi lançado nos cinemas em 2004. O filme concebido por Alexandre Stockler (responsável pelo argumento, roteiro, direção e produção) é um verdadeiro tapa na cara.

Conta a história de três jovens de classe média alta (vividos por Caio Blat, Rodrigo Bolzan e Calman Baladez) que estão entrando na faculdade e passam por uma fase onde tudo é festa. Com a desculpa da diversão, acham que qualquer coisa vale.

Em determinado momento, incentivado pelos amigos, um deles chama uma colega para sua casa (ela está afim de transar com ele) já com o pensamento de que role um sexo grupal (só de barato). A garota não sabe de nada e quando já está no quarto, sem roupa, os outros dois caras entram em cena para “participar” da brincadeira. A menina diz não e prepara-se para ir embora, quando eles começam a forçar a barra. A coisa vai evoluindo até chegar ao ponto em que vira um estupro. Numa cena pesadíssima e explícita (6 minutos no cinema e quase 17 minutos no DVD), Stockler nos mostra a falta de limites que a “diversão” inconseqüente leva.

Mas a coisa não para por aí. Tentando lutar durante a ação dos jovens, a garota toma uma pancada na cabeça o que faz com que ela apague na hora. Verificando a respiração (ou a falta dela), os três chegam a conclusão de que a menina está morta. O desespero dos três aumenta quando a mãe do morador da casa chega do trabalho. O filho desnorteado tenta em vão manter a mulher no andar de baixo. Não consegue e quando a mãe está subindo as escadas, depara-se com um dos jovens descendo e no susto cai de costas, bate a cabeça num degrau e cai morta.

Pronto. O inferno está montado. Diante desta inusitada situação, os três começam a discutir que atitude tomar. A trama vira uma espécie de humor negro, porém com uma pesada crítica social, pois durante a discussão sobre o que fazer, percebe-se que a "ficha não cai" e a noção de ética e moral dos personagens passa longe do que, pelo menos em tese, a sociedade espera.

Na sequência, eles optam em queimar o corpo da menina em algum lixão distante. A partir daí segue-se uma série de acontecimentos que vão complicando cada vez mais o caso. O interessante é que durante todas as cenas os personagens exalam preconceito e falta de conexão com a realidade. Sobre o desenrolar do filme eu paro por aqui, para que vocês vejam por si mesmos.

Outro ponto importante, é que o diretor saiu na noite paulistana e gravou uma série de entrevistas com jovens em diferentes situações e lugares. Sem que os mesmos tivessem visto o filme, apenas tendo como informação a história, as respostas dadas por esta galera expõem idéias nebulosas e que também vão contra o preceito de ética da sociedade. Estas entrevistas fazem parte do início e final do filme.

Nos extras do DVD, Stockler coloca uma idéia que achei nteressante. Todo este nosso horror ao que os outros fazem pode ser questionado numa simples reflexão. O que você faria se sua filha fosse estuprada? Que fim você desejaria ao agressor? Agora, se um filho seu estuprasse uma menina, qual seria sua reação? A indignação e revolta seria na mesma proporção?

Enfim, o que posso dizer é que trata-se de um filme absolutamente inovador, que rompe com aquela estética de violência que estamos acostumados a encontar nos cinemas, sempre com as favelas / periferias como pano de fundo. Aqui é a juvenude de classe média alta que está em discussão, uma juventude que apesar de ter tudo na mão muitas vezes não consegue transformar informação em conhecimento.

Quando lançado, "Cama de Gato" dividiu a crítica, que ora o acusava de violência gratuita, ora o achava genial. Não ficou muito tempo em cartaz e a censura de 18 anos atrapalhou bastante a bilheteria, mas na época o site do filme bateu mais de 40 milhões de acessos.

Exibido internacionalmente, ganhou alguns prêmios legais:
Melhor longa-metragem de estréia no festival de Montreal em 2002
Grande prêmio do juri no festival de Seoul em 2003.
Melhor ator para Caio Blat no festival de cinema latino de Nova Yorque em 2003.

Não sei ao certo se é facil achá-lo em locadoras, sei que em algumas lojas virtuais pode-se encontrá-lo num preço médio de R$ 19,00. Eu recomendo o investimento, pois é uma obra que no mínimo não nos deixa passar batidos.

Com informação extra, recentemente o Alexandre Stockler disponibilizou o documentário com as entrevistas gravadas durante a filmagem na íntegra lá no You Tube, dividido em 8 partes. Quem tiver o interesse é só pesquisar como "camadegato.doc".

É isso.

Sandro



terça-feira, 13 de outubro de 2009

BASTARDOS INGLÓRIOS - É SÓ UM FILME DE GUERRA DO TARANTINO?

Bom, a grande maioria de vocês já deve ter ouvido falar do último filme do cineasta Quentin Tarantino. É assunto desde quando estava sendo filmado.

Confesso que não acompanhei muito de perto este processo, optando apenas por aguardar o lançamento oficial. Também não tive a preocupação de ler críticas e buscar mais detalhes sobre o filme antes de assistí-lo.

É um hábito que tenho quando se trata de filmes de diretores que são fundamentais dentro do meu gosto cinematográfico. Faço isso com lançamentos de Martin Scorsese, Roman Polanski, David Cronenberg, David Lynch, Woody Allen, Lars Von Trier, M.Night Shyamalan, Francis Coppola, Clint Eastwood, Fernando Meirelles e mais alguns, Tarantino incluso, é claro.

Não procuro muita informação, fora a básica sobre os filmes. Saiu, vou lá, assisto e tiro minhas próprias conclusões. Para mim existe uma categoria de diretores de cinema que me obrigam a assistí-los independente da obra em questão. Aplico esta regrinha particular faz tempo (em "De Olhos Bem Fechados", por exemplo) e quase sempre dá certo. Não há decepção.

Pois bem, ontem fui ver "Bastardos Inglórios", o chamado "épico de guerra" de Quentin Tarantino. Eu já tinha até comentado sobre ele em um post sobre o impagável vídeo do Selton Melo e Seu Jorge falando só sobre o cara (leia aqui ) e claro, tinha toda uma expectativa para ver se era do mesmo nível de sua filmografia.

A sinopse do Cinemark não anima muito: "Na França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra, grupo de soldados judeus americanos tem como missão espalhar o terror pelo Terceiro Reich". Mas o roteiro é bem mais complexo. Na verdade trata duas narrativas em paralelo, fazendo com que ambas se encontrem somente na parte final do filme.

Em uma delas, a judia Shoshanna (vivida pela atriz francesa Mélanie Laurent), sobrevive a execução de toda sua familía por um oficial da SS e anos depois, quando já é dona de um cinema em Paris, vislumbra a chance de vingar-se do regime nazista em grande estilo.

Na outra narrativa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt, muito bem, como de costume), forma e lidera o grupo que dá nome ao filme e que tem como finalidade exterminar todo nazista que encontrar pela frente. Não sei se precisa dizer, mas a dose de violência empregada pelos Bastardos é altíssima, como era de se esperar de um filme do Tarantino.

Não vou entrar mais em detalhes. Apenas recomendo "Bastardos Inglórios" a todos amigos aqui do blog. O filme é realmente muito bom. Ágil nas cenas de ação, intenso nas cenas com longos diálogos (muitas vezes em francês ou alemão) e com a direção peculiar de Tarantino, ou seja, camera nervosa o tempo todo. O fato é que a tensão e o suspense estão presentes durante toda a trama. Toda cena gera uma expectativa sobre seu desfecho e prende o espectador, que nem sente o tempo passar nas duas horas e meia que fica no cinema.
Preciso ressaltar ainda a atuação do ator austríaco Christoph Waltz que interpreta de forma sublime o coronel nazista Landa (chefe da SS), personagem central e fundamental dentro do roteiro. Vale também lembrar que apesar dos grandes líderes do regime nazista estarem representados no filme, não há nenhuma relação histórica dentro do roteiro, que é uma apenas uma fábula baseada na segunda guerra mundial.

Enfim, o que eu queria dizer quando resolvi escrever este post sobre um filme com grande divulgação na mídia é que "Bastardos Inglórios" é mais do que o filme de guerra do Tarantino. É sim, cinema da mais alta qualidade.


Sandro









BASTARDOS INGLÓRIOS - É SÓ UM FILME DE GUERRA DO TARANTINO?

Bom, a grande maioria de vocês já deve ter ouvido falar do último filme do cineasta Quentin Tarantino. É assunto desde quando estava sendo filmado.

Confesso que não acompanhei muito de perto este processo, optando apenas por aguardar o lançamento oficial. Também não tive a preocupação de ler críticas e buscar mais detalhes sobre o filme antes de assistí-lo.

É um hábito que tenho quando se trata de filmes de diretores que são fundamentais dentro do meu gosto cinematográfico. Faço isso com lançamentos de Martin Scorsese, Roman Polanski, David Cronenberg, David Lynch, Woody Allen, Lars Von Trier, M.Night Shyamalan, Francis Coppola, Clint Eastwood, Fernando Meirelles e mais alguns, Tarantino incluso, é claro.

Não procuro muita informação, fora a básica sobre os filmes. Saiu, vou lá, assisto e tiro minhas próprias conclusões. Para mim existe uma categoria de diretores de cinema que me obrigam a assistí-los independente da obra em questão. Aplico esta regrinha particular faz tempo (em "De Olhos Bem Fechados", por exemplo) e quase sempre dá certo. Não há decepção.

Pois bem, ontem fui ver "Bastardos Inglórios", o chamado "épico de guerra" de Quentin Tarantino. Eu já tinha até comentado sobre ele em um post sobre o impagável vídeo do Selton Melo e Seu Jorge falando só sobre o cara (leia aqui ) e claro, tinha toda uma expectativa para ver se era do mesmo nível de sua filmografia.

A sinopse do Cinemark não anima muito: "Na França ocupada pelos nazistas durante a Segunda Guerra, grupo de soldados judeus americanos tem como missão espalhar o terror pelo Terceiro Reich". Mas o roteiro é bem mais complexo. Na verdade trata duas narrativas em paralelo, fazendo com que ambas se encontrem somente na parte final do filme.

Em uma delas, a judia Shoshanna (vivida pela atriz francesa Mélanie Laurent), sobrevive a execução de toda sua familía por um oficial da SS e anos depois, quando já é dona de um cinema em Paris, vislumbra a chance de vingar-se do regime nazista em grande estilo.

Na outra narrativa, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt, muito bem, como de costume), forma e lidera o grupo que dá nome ao filme e que tem como finalidade exterminar todo nazista que encontrar pela frente. Não sei se precisa dizer, mas a dose de violência empregada pelos Bastardos é altíssima, como era de se esperar de um filme do Tarantino.

Não vou entrar mais em detalhes. Apenas recomendo "Bastardos Inglórios" a todos amigos aqui do blog. O filme é realmente muito bom. Ágil nas cenas de ação, intenso nas cenas com longos diálogos (muitas vezes em francês ou alemão) e com a direção peculiar de Tarantino, ou seja, camera nervosa o tempo todo. O fato é que a tensão e o suspense estão presentes durante toda a trama. Toda cena gera uma expectativa sobre seu desfecho e prende o espectador, que nem sente o tempo passar nas duas horas e meia que fica no cinema.
Preciso ressaltar ainda a atuação do ator austríaco Christoph Waltz que interpreta de forma sublime o coronel nazista Landa (chefe da SS), personagem central e fundamental dentro do roteiro. Vale também lembrar que apesar dos grandes líderes do regime nazista estarem representados no filme, não há nenhuma relação histórica dentro do roteiro, que é uma apenas uma fábula baseada na segunda guerra mundial.

Enfim, o que eu queria dizer quando resolvi escrever este post sobre um filme com grande divulgação na mídia é que "Bastardos Inglórios" é mais do que o filme de guerra do Tarantino. É sim, cinema da mais alta qualidade.


Sandro









segunda-feira, 27 de julho de 2009

ICHI - THE KILLER (se tem estomago fraco, passe longe desse filme)

Há algum tempo atrás estava conversando com um amigo sobre a cultura pop oriental, e sua influencia na ocidental. Podemos citar a contribuição dos “Sete Samurais” (1954) do cineasta Akira Kurosawa para o filme “Os Sete Magníficos” (1960) do diretor americano John Sturghes. Temos num passado mais recente, os argumentos e referencias utilizadas em Kill Bill por Tarantino. E também no simples e crescente consumo de Sushi e Sashimi por todos nós.

Nessa conversa ele me perguntou: “- Você conhece Takashi Miike?” Eu respondi que não, que iria procurar.
Takashi Miike (24 agosto 1960 - japão) trabalhou , desde 1991, em mais de sessenta filmes . Em 1999 começou a chamar a atenção mundial com Audition. Mas o que assisti e achei absurdamente sangrento, emocionante, bizarro, até cômico em alguns momentos é “Ichi – The Killer”(2001). Baseado no Mangá de Hideo Yamamoto.

Sinopse: No Japão, Anjo, um chefe da máfia japonesa, desaparece com três milhões de yens. Membros de sua gangue , liderados pelo doentio Kakihara (interpretado pelo bom ator Tadanobu Asano) iniciam uma busca, porém a selvageria de seus métodos sangrentos não são bem vistos por membros da Yakuza. Kakihara , acredita que Anjo tenha sido sequestrado ou assassinado por rivais. Ao presenciar uma das torturas de Kakihara, Jiji, ex-policia envolvido com a Yakuza, resolve contratar Ichi, um exímio e problemático assassino, para dar fim aos planos de Kakihara.

Ichi – The Killer não é um filme fácil. Pesado, forte, violento ao extremo (violencia em todas suas formas) , mas que apesar de tudo, demonstra toda a força de seu idealizador.

Anselmo


ICHI - THE KILLER (se tem estomago fraco, passe longe desse filme)

Há algum tempo atrás estava conversando com um amigo sobre a cultura pop oriental, e sua influencia na ocidental. Podemos citar a contribuição dos “Sete Samurais” (1954) do cineasta Akira Kurosawa para o filme “Os Sete Magníficos” (1960) do diretor americano John Sturghes. Temos num passado mais recente, os argumentos e referencias utilizadas em Kill Bill por Tarantino. E também no simples e crescente consumo de Sushi e Sashimi por todos nós.

Nessa conversa ele me perguntou: “- Você conhece Takashi Miike?” Eu respondi que não, que iria procurar.
Takashi Miike (24 agosto 1960 - japão) trabalhou , desde 1991, em mais de sessenta filmes . Em 1999 começou a chamar a atenção mundial com Audition. Mas o que assisti e achei absurdamente sangrento, emocionante, bizarro, até cômico em alguns momentos é “Ichi – The Killer”(2001). Baseado no Mangá de Hideo Yamamoto.

Sinopse: No Japão, Anjo, um chefe da máfia japonesa, desaparece com três milhões de yens. Membros de sua gangue , liderados pelo doentio Kakihara (interpretado pelo bom ator Tadanobu Asano) iniciam uma busca, porém a selvageria de seus métodos sangrentos não são bem vistos por membros da Yakuza. Kakihara , acredita que Anjo tenha sido sequestrado ou assassinado por rivais. Ao presenciar uma das torturas de Kakihara, Jiji, ex-policia envolvido com a Yakuza, resolve contratar Ichi, um exímio e problemático assassino, para dar fim aos planos de Kakihara.

Ichi – The Killer não é um filme fácil. Pesado, forte, violento ao extremo (violencia em todas suas formas) , mas que apesar de tudo, demonstra toda a força de seu idealizador.

Anselmo


segunda-feira, 15 de junho de 2009

LARANJA MECÂNICA - Tesouro Escondido


"Loucura é achar que podemos viver num mundo sem violência" - Stanley Kubrick

Laranja Mecânica (escrito por Anthony Burguess 1917-1993) é uma obra que certamente tem influenciado o trabalho e a vida de muita gente até os dias de hoje. O exemplo disso é o último CD do Sepultura (A-Lex).
Tem um monte de Blogs, Sites de Cinema, Sites de Literatura que já analisaram e esmiuçaram o tema ao extremo. Porém, como não quero ser repetitivo, aí vai uma dica: leiam o livro! Vocês devem estar se perguntando por que, não é?

Bem rapaziada, o livro traz um capítulo que descreve o que acontece com o Alex depois que o “Governo” reverte o resultado/sintomas do “Tratamento Ludovico”, o que é sensacional. E traz também um “dicionário” com as palavras do dialeto dos personagens. Alguns exemplos: crove (sangue), debócheca (mulher), videar (ver), tolchoque (golpe, pancada), grude (seio), druco (amigo, companheiro), bratecheno (sacana), cancerilho (cigarro), etc. Podemos dizer que é um “pequeno tesouro” pra quem só assistiu ao filme, por uma dezena de vezes.

Significado de Laranja Mecânica: segundo a gíria "Cockney" (das arquibancadas dos estádios ingleses dos anos 50) "laranja mecânica" é algo como "porra louca", é o desajustado agressivo e desequilibrado, que odeia as instituições e os seres e os agride. Burguess usou termos desta gíria, palavras russas e expressões ciganas para compor uma linguagem especial no seu livro citado.
Anselmo

LARANJA MECÂNICA - Tesouro Escondido


"Loucura é achar que podemos viver num mundo sem violência" - Stanley Kubrick

Laranja Mecânica (escrito por Anthony Burguess 1917-1993) é uma obra que certamente tem influenciado o trabalho e a vida de muita gente até os dias de hoje. O exemplo disso é o último CD do Sepultura (A-Lex).
Tem um monte de Blogs, Sites de Cinema, Sites de Literatura que já analisaram e esmiuçaram o tema ao extremo. Porém, como não quero ser repetitivo, aí vai uma dica: leiam o livro! Vocês devem estar se perguntando por que, não é?

Bem rapaziada, o livro traz um capítulo que descreve o que acontece com o Alex depois que o “Governo” reverte o resultado/sintomas do “Tratamento Ludovico”, o que é sensacional. E traz também um “dicionário” com as palavras do dialeto dos personagens. Alguns exemplos: crove (sangue), debócheca (mulher), videar (ver), tolchoque (golpe, pancada), grude (seio), druco (amigo, companheiro), bratecheno (sacana), cancerilho (cigarro), etc. Podemos dizer que é um “pequeno tesouro” pra quem só assistiu ao filme, por uma dezena de vezes.

Significado de Laranja Mecânica: segundo a gíria "Cockney" (das arquibancadas dos estádios ingleses dos anos 50) "laranja mecânica" é algo como "porra louca", é o desajustado agressivo e desequilibrado, que odeia as instituições e os seres e os agride. Burguess usou termos desta gíria, palavras russas e expressões ciganas para compor uma linguagem especial no seu livro citado.
Anselmo

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