
Lendo o post que o Anselmo escreveu sobre o cineasta Beto Brant, deu uma baita vontade de assistir novamente o filme "O Invasor", que como eu descrevi nos comentários deste mesmo post, é um dos meus filmes nacionais preferidos.
Como tenho o filme em casa, o assisti neste último domingo. E é sempre uma satisfação, o tempo passa até mais rápido.
Mas o que me leva a este post aqui é uma pequena cena do filme. Trata-se da cena em que o invasor Anísio (numa interpretação surpreendente e maravilhosa do Paulo Miklos) tenta convencer seus novos "sócios" a investir na gravação de um disco de rap para um camarada dele. O camarada em questão é o Sabotage, interpretando ele mesmo. Por coincidência, eu até tinha comentado sobre esta parte do filme com o brother Alexandre algumas semanas atrás.
Mas vendo o Sabotage alí, na hora bateu uma puta tristeza. Eu que gosto e respeito bastante o rap nacional entendo que o Sabotage, exceção feita aos Racionais MCs que são um caso a parte, foi o melhor rapper nascido no Brasil.
Criado na favela Canão, na Zona Sul, Sabotage teve a infância e adolescência ligadas ao crime (foram 4 passagens pela Febem), trabalhando ativamente para o tráfico até os 19 anos e idade.
Desenvolveu o gosto pelo rap e conseguiu sair da vida bandida para ingressar na artística, onde rapidamente ganhou o respeito e admiração de todo o meio. Era um cara de fácil trato, muito carismático e com um grande talento. Fazia camaradas com facilidade,mesmo que fossem de outras classes sociais.
Ele pegou uma moral grande com um monte de gente que queria ajudá-lo (acho eu) a ser reconhecido por um número maior de pessoas ,ultrapassando o universo do movimento Hip Hop. Para as filmagens do citado filme "O Invasor", ele trabalhou como consultor do Paulo Miklos no desenvolvimento do personagem principal.
Mas se o cara era tão bom, porque a tristeza? Porque realmente o cara era bom. Em 2003, com 29 anos, Sabotage foi assassinado com 4 tiros perto da favela onde ainda morava. Eam 5:30 da manhã e ele voltava para casa, após ter levado sua mulher ao trabalho.
Lembro que na época eu senti que havia sido uma grande perda, mas hoje com o distanciamento dos anos passados, tenho certeza que a perda foi bem maior do que eu imaginava. Não surgiu nada que nem chegue perto a sua qualidade.
A notícia saiu nos jornais, tvs, mas ninguém da grande mídia soube entender que perdia-se um dos grandes artistas brasileiros (o mesmo ocorreu com o Chico Science).
Pena. Recomendo seu único disco de estúdio lançado em 2001 "Rap é Compromisso". Se vocês ouvirem com cuidado, verão que o cara era completamente diferenciado e f...!
Deixei abaixo a cena que eu citei e que me motivou a escrever o post. Deu também vontade de colocar um vídeo com uma música inteira do cara. Por ora vou deixar só a cena, mas talvez mais tarde eu sinta a necessidade de compartilhar "Um Bom Lugar" com vocês.
Sandro