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sexta-feira, 23 de março de 2012

2012 - BRASIL COM BONS SHOWS NESTE PRIMEIRO SEMESTRE

Pois é. Entramos definitivamente na rota de shows gringos. Desde 2010, a oferta de atrações internacionais que desembarcam em nossas terras é absurda. Tem para todos os gostos. Novidades, velharias, gente no auge, gente em decadência. Aparece de tudo.

A situação econômica do país ajuda. A paridade cambial facilita. Porém um grande fator que motiva esta avalanche de tours passando pelo Brasil é a necessidade de trabalhar. Sim, porque até alguns anos atrás muitos de nossos ídolos não se preocupavam tanto com turnês. Lançavam o disco (quando lançavam) e
depois era só esperar cair a grana fechada com as gravadoras. Só que com esta era de música livre, com os novos tempos da internet não dá mais para fazer isso. O negócio é tocar. O negócio é fazer show. Sorte nossa...

Em mais uma tentativa de tirar este amado blog de seu estado vegetativo, o post de hoje é um serviço. Não só para quem estiver lendo esta toscas linhas, mas para mim mesmo. No resumo abaixo, eu e você podemos encontrar a relação dos shows mais bacanas que irão acontecer no Brasil nos próximos meses.

Para o meu gosto, os obrigatórios são: os dois dias de Lollapalooza (o sábado está esgotado, mas sempre dá para dar um jeito), Mark Lanegan (leia aqui sobre o show de 2010) e o Nada Surf. Mas no mínimo eu também devo ir também no Jello Biafra (leia aqui o post sobre o show de 2010), no Vaccines, Meteors, James e Cursive.

Dos vários shows que já rolaram até agora, eu destaco dois. O Morrissey devidamente comentado num post específico (leia aqui) e Florence and The Machine, que eu infelizmente não pude ir.

Bom, veja se tem alguma balada esperando você:
  • Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine. Dia 24 de março (sábado) no Beco 203 em SP e 28 de março no Teatro Odisséia no Rio. Quanto: R$ 80,00.
  • Foo Fighters, TV on the Radio, Band of Horses, Joan Jett and The Blackhearts, Peaches, Cage The Elephant e outros. Dia 7 de abril (sábado) no Jockey Club (Lollapalooza festival) em SP. Quanto: R$ 300,00 (sold out).
  • Arctic Monkeys, Jane's Addiction, MGMT, Foster The People, Friendly Fires, Skrillex, Gogol Bordello e outros. Dia 8 de abril (domingo) no Jockey Club (Lollapalooza festival) em SP. Quanto: R$ 300,00.
  • The Damned. Dia 12 de abril (quinta-feira) no Clash em SP. Quanto R$ 120,00.
  • Thurston Moore e Kurt Ville. Dia 12 de abril (quinta-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto R$ 140,00.
  • Mark Lanegan. Dia 14 de abril (sábado) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 140,00.
  • Voodoo Glow Skull. Dia 15 de abril (domingo) no Hangar 110 em SP. Quanto: R$ 70,00.
  • Bob Dylan. Dia 15 de abril no Citibank Hall, Rio de Janeiro; 17 de abril em Brasilia; 19 de abril no Chevrolet Hall, BH; Dias 21 e 22 de abril (sábado e domingo) no Credicard Hall em SP e 24 de abril no Pepsi on Stage em Porto Alegre Quanto: de R$ 450,00 a R$ 900,00.
  • The Vaccines. Dia 18 de abril (terça-feira)  no Cine Jóia em SP e dia 19 de abril no Circo Voador, RJ. Quanto: R$ 160,00.
  • Anthrax e Misfits. Dia 22 de abril na Fundição Progreso no Rio, dia 25 de abril no Gigantinho em Porto Alegre e dia 27 de abril (sexta-feira) no HSBC Brasil em SP. Quanto: R$ 130,00.
  • Nada Surf. Dia 25 de abril (quarta-feira) no Cine Jóia em SP e dia 28 de abril no Music Hall em Curitiba. Onde:  em SP e no Rio. Quanto: R$ 120,00.
  • The Meteors. Dia 28 de abril (sábado) no Inferno em SP. Quanto: R$ 80,00.
  • Duran Duran. Dia 30 de abril no Citibank Hall, RJ e dia 2 de maio (quarta-feira) no Credicard Hall em SP. Quanto: R$ 140,00.
  • James. Dia 30 de abril (segunda-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 120,00.
  • Ting Tings. Dia 30 de abril no Circo Voador no Rio e dia 1 de maio (terça-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 110,00.
  • Noel Gallagher. Dia 2 de maio (quarta-feira) no Espaço das Américas em SP e dia 3 de maio no Vivo Rio. Quanto: R$ 180,00.
  • The Kooks. Dia 10 de maio no Circo Voador, Rj e dia 11 de maio (sexta-feira) no Via Funchal em SP. Quanto: R$ 100,00.
  • Bjork, Chromeo e outros. Dia 11 de maio (sexta-feira) no Anhembi (Festival Sonar) em SP. Quanto: R$ 250,00.
  • Mogwai, Cee Lo Green, Justice, James Blake e outros. Dia 12 de maio (sábado) no Anhembi (Festival Sonar) em SP. Quanto: R$ 250,00.
  • The Mission. Dia 27 de maio (domingo) no Cine Jóia em SP e dia 31 de maio no Rio de Janeiro. Quanto: R$ 90,00.
  • The Horrors. Dia 27 de maio (domingo) no Parque da Indepêndencia (á confirmar) em SP. Quanto: De graça.
  • Atari Teenage Riot. Dia 15 de junho (sexta-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 75,00.
  • Cursive. Dia 21 de junho (quinta-feira) no Studio SP e dia 22 de junho no Studio RJ. 
PS: os preços são referentes aos ingressos para SP com base em pista.

Alguns exemplos do que nos espera...

Sandro

2012 - BRASIL COM BONS SHOWS NESTE PRIMEIRO SEMESTRE

Pois é. Entramos definitivamente na rota de shows gringos. Desde 2010, a oferta de atrações internacionais que desembarcam em nossas terras é absurda. Tem para todos os gostos. Novidades, velharias, gente no auge, gente em decadência. Aparece de tudo.

A situação econômica do país ajuda. A paridade cambial facilita. Porém um grande fator que motiva esta avalanche de tours passando pelo Brasil é a necessidade de trabalhar. Sim, porque até alguns anos atrás muitos de nossos ídolos não se preocupavam tanto com turnês. Lançavam o disco (quando lançavam) e
depois era só esperar cair a grana fechada com as gravadoras. Só que com esta era de música livre, com os novos tempos da internet não dá mais para fazer isso. O negócio é tocar. O negócio é fazer show. Sorte nossa...

Em mais uma tentativa de tirar este amado blog de seu estado vegetativo, o post de hoje é um serviço. Não só para quem estiver lendo esta toscas linhas, mas para mim mesmo. No resumo abaixo, eu e você podemos encontrar a relação dos shows mais bacanas que irão acontecer no Brasil nos próximos meses.

Para o meu gosto, os obrigatórios são: os dois dias de Lollapalooza (o sábado está esgotado, mas sempre dá para dar um jeito), Mark Lanegan (leia aqui sobre o show de 2010) e o Nada Surf. Mas no mínimo eu também devo ir também no Jello Biafra (leia aqui o post sobre o show de 2010), no Vaccines, Meteors, James e Cursive.

Dos vários shows que já rolaram até agora, eu destaco dois. O Morrissey devidamente comentado num post específico (leia aqui) e Florence and The Machine, que eu infelizmente não pude ir.

Bom, veja se tem alguma balada esperando você:
  • Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine. Dia 24 de março (sábado) no Beco 203 em SP e 28 de março no Teatro Odisséia no Rio. Quanto: R$ 80,00.
  • Foo Fighters, TV on the Radio, Band of Horses, Joan Jett and The Blackhearts, Peaches, Cage The Elephant e outros. Dia 7 de abril (sábado) no Jockey Club (Lollapalooza festival) em SP. Quanto: R$ 300,00 (sold out).
  • Arctic Monkeys, Jane's Addiction, MGMT, Foster The People, Friendly Fires, Skrillex, Gogol Bordello e outros. Dia 8 de abril (domingo) no Jockey Club (Lollapalooza festival) em SP. Quanto: R$ 300,00.
  • The Damned. Dia 12 de abril (quinta-feira) no Clash em SP. Quanto R$ 120,00.
  • Thurston Moore e Kurt Ville. Dia 12 de abril (quinta-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto R$ 140,00.
  • Mark Lanegan. Dia 14 de abril (sábado) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 140,00.
  • Voodoo Glow Skull. Dia 15 de abril (domingo) no Hangar 110 em SP. Quanto: R$ 70,00.
  • Bob Dylan. Dia 15 de abril no Citibank Hall, Rio de Janeiro; 17 de abril em Brasilia; 19 de abril no Chevrolet Hall, BH; Dias 21 e 22 de abril (sábado e domingo) no Credicard Hall em SP e 24 de abril no Pepsi on Stage em Porto Alegre Quanto: de R$ 450,00 a R$ 900,00.
  • The Vaccines. Dia 18 de abril (terça-feira)  no Cine Jóia em SP e dia 19 de abril no Circo Voador, RJ. Quanto: R$ 160,00.
  • Anthrax e Misfits. Dia 22 de abril na Fundição Progreso no Rio, dia 25 de abril no Gigantinho em Porto Alegre e dia 27 de abril (sexta-feira) no HSBC Brasil em SP. Quanto: R$ 130,00.
  • Nada Surf. Dia 25 de abril (quarta-feira) no Cine Jóia em SP e dia 28 de abril no Music Hall em Curitiba. Onde:  em SP e no Rio. Quanto: R$ 120,00.
  • The Meteors. Dia 28 de abril (sábado) no Inferno em SP. Quanto: R$ 80,00.
  • Duran Duran. Dia 30 de abril no Citibank Hall, RJ e dia 2 de maio (quarta-feira) no Credicard Hall em SP. Quanto: R$ 140,00.
  • James. Dia 30 de abril (segunda-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 120,00.
  • Ting Tings. Dia 30 de abril no Circo Voador no Rio e dia 1 de maio (terça-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 110,00.
  • Noel Gallagher. Dia 2 de maio (quarta-feira) no Espaço das Américas em SP e dia 3 de maio no Vivo Rio. Quanto: R$ 180,00.
  • The Kooks. Dia 10 de maio no Circo Voador, Rj e dia 11 de maio (sexta-feira) no Via Funchal em SP. Quanto: R$ 100,00.
  • Bjork, Chromeo e outros. Dia 11 de maio (sexta-feira) no Anhembi (Festival Sonar) em SP. Quanto: R$ 250,00.
  • Mogwai, Cee Lo Green, Justice, James Blake e outros. Dia 12 de maio (sábado) no Anhembi (Festival Sonar) em SP. Quanto: R$ 250,00.
  • The Mission. Dia 27 de maio (domingo) no Cine Jóia em SP e dia 31 de maio no Rio de Janeiro. Quanto: R$ 90,00.
  • The Horrors. Dia 27 de maio (domingo) no Parque da Indepêndencia (á confirmar) em SP. Quanto: De graça.
  • Atari Teenage Riot. Dia 15 de junho (sexta-feira) no Cine Jóia em SP. Quanto: R$ 75,00.
  • Cursive. Dia 21 de junho (quinta-feira) no Studio SP e dia 22 de junho no Studio RJ. 
PS: os preços são referentes aos ingressos para SP com base em pista.

Alguns exemplos do que nos espera...

Sandro

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

JELLO BIAFRA EM PASSAGEM HISTÓRICA PELO BRASIL

Hoje temos um fato bem diferente aqui no blog. Um post com dois textos sobre o mesmo assunto. Isso mesmo. Inicialmente a tarefa estava a cargo do meu ilustre parceiro Anselmo, que iria publicá-lo ontem. Como até o final do domingo não havia nada por aqui, resolvi mandar eu mesmo um post. O engraçado é que ele resolveu escrever outro ao mesmo tempo e acabamos terminando praticamente juntos. Para não dar uma de editor e acabar prejudicando a idéia, decidi colocar as duas opiniões neste mesmo espaço. Notem que a palavra felicidade aparece nos dois textos. Devemos fazer isso mais vezes, Anselmo!


Texto 1 - por Sandro:

Jello Biafra é um nome que dispensa apresentações para qualquer fã de punk rock.

Certamente ele merece um post específico, onde a gente possa contar mais sobre a trajetória desta referência mundial e explorar outras facetas que vão além do fato dele ter sido líder dos Dead Kennedys, uma das mais importantes e influentes bandas punk / hardcore de todos os tempos.

Devemos escrever sobre suas qualidades como compositor de letras muito inteligentes e com alto teor político. Sobre a Alternative Tentacles, a importante gravadora que ele montou para não dependender das majors, que foi responsável por lançar muita coisa boa. Sobre seus discos só com discursos políticos (o cara chegou a ser candidato a prefeito de São Francisco). Sobre sua participação em vários projetos musicais excelentes, etc.

Mas fica para outro dia. Hoje vamos registrar que este "tiozinho" tocou em São Paulo neste final de semana. Ele veio com seu mais novo projeto chamado Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine e as apresentações rolaram no Hangar 110.

Nós tivemos a felicidade de assistir ao show da sexta-feira e o que vimos foi impressionante. Além de passar muita energia e entusiasmo, Biafra faz uma espécie de performance teatral em cima do palco que é um barato. Ele meio que interpreta com gestos partes das letras que está cantando e seu apelo visual aparece até na sua roupa. De entrada ele estava vestido com um avental de médico todo manchado de "sangue", depois tirou esta capa e mostrou uma camisa com a bandeira norte-americana, que depois quando foi jogada para cima mostrou enfim a camiseta com que ele se apresentou e que fazia uma alusão a democracia com uma foto de um avião de guerra. Adepto a fazer introduções sobre a temática das letras antes de tocá-las, Biafra tentou fazer isso mesclando espanhol (quase um portunhol) e inglês, numa demonstração clara que ele deseja que as pessoas saibam sobre o que ele está falando. Ver o cara se jogar de forma inesperada no meio da galera durante a execução de "California Uber Alles" e ainda continuar com o vocal não tem preço.

Quanto ao show em si foi praticamente a reprodução das músicas do (único) disco deste projeto, "The Audacity of Hype", quase na ordem do CD. Tivemos também como presente a inserção de três clássicos dos Dead Kennedys, a citada "California Uber Alles", "Let's Lynch The Lanlord" e "Holiday in Cambodia".

Esta última merece um parágrafo especial. Era o primeiro som do bis, a galera estava alucinada, quando antes da metade da música acontece o inusitado. Um apagão toma conta do Hangar 110. Então o que era para ser o anti-climax completo torna-se um momento histórico. Ouvindo só a bateria, o público continuou a música e junto com o Jello Biafra, mesmo sem o microfone, levou o som até o final. Depois disso não houve mais show e ficamos sem ao menos mais uma ou duas músicas (nossa aposta é que ainda rolaria "Police Truck"). Soubemos depois que o apagão foi em todo o bairro, o que melou de vez qualquer chance de retorno.

De qualquer forma, foi uma honra ter presenciado a apresentação desta lenda viva em cima do palco. Vibrante, impactante e emocionante. Um show que certamente ficará marcado para todos que estavam presentes.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Texto 2 - por Anselmo:

Nessa última sexta-feira, dia 05 de novembro, o Minerva Pop teve o privilégio de testemunhar o show do último trabalho do eterno “frontman” do Dead Kennedys, Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine. Nascido Eric Reed Boucher (17 de junho de 1958), a importância de Biafra para o estilo punk e hardcore é histórico, são 30 anos de carreira com os DK, projetos musicais como o Lard, e o mais recente JBGSM, além da criação e administração do selo Alternative Tentacles.

A origem dessa banda é curiosa, pois em 2008 Jello chamou um grupo de músicos conhecidos para se apresentarem na festa de seu aniversário de 50 anos, daí surgiu a Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine, a banda gravou o primeiro álbum em 2009 chamado “Audacity of Hype”, segue em turnê desde seu lançamento. (na gravação o baixo é por conta de Billy Gould do Faith No More).

O show foi no Hangar 110, uma das melhores casas de shows de bandas underground no Brasil, e contou com a abertura do Ratos de Porão. Infelizmente, devido a problemas de logística, perdemos boa parte do show do Ratos, mas conseguimos “curtir” Aids, Pop, Repressão e Beber até Morrer, Asas da Vingança, Crucificados pelo Sistema.

Pouco antes do show de Jello Biafra, compramos algumas cervejas, e aguardamos o início do show principal da noite, o qual começou com a abertura de cortinas revelando um Jello Biafra com uniforme de médico e mãos sujas de sangue, e acompanhado dos primeiros acordes de "The Terror of Tinytown".

A seqüência das músicas foi praticamente a mesma que o disco de estréia, com destaque para as inserções de "California Über Alles" e "Let's Lynch the Landlord", com certeza pontos altos do show. Destaque também para "Clean As A Thistle" e “New Feudalism”, minhas preferidas do novo disco.

Porém o momento mais inusitado o destino reservou para o final. Durante o “bis” a banda toca “Holiday in Cambodia” e, logo nos minutos iniciais falta energia elétrica no Hangar, o que seria um desastre, mas que graças ao público que , acompanhados pelo som da batera, cantou a música até o final. O que foi emocionante.

Pra quem perdeu, lamento.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Abaixo vídeos que ilustram o que escrevemos acima. As duas primeiras músicas, "The Terror of Tinytown" e "Clean as a Thristle", a clássica "California Uber Alles" e "Holiday in Cambodia".


Sandro e Anselmo





JELLO BIAFRA EM PASSAGEM HISTÓRICA PELO BRASIL

Hoje temos um fato bem diferente aqui no blog. Um post com dois textos sobre o mesmo assunto. Isso mesmo. Inicialmente a tarefa estava a cargo do meu ilustre parceiro Anselmo, que iria publicá-lo ontem. Como até o final do domingo não havia nada por aqui, resolvi mandar eu mesmo um post. O engraçado é que ele resolveu escrever outro ao mesmo tempo e acabamos terminando praticamente juntos. Para não dar uma de editor e acabar prejudicando a idéia, decidi colocar as duas opiniões neste mesmo espaço. Notem que a palavra felicidade aparece nos dois textos. Devemos fazer isso mais vezes, Anselmo!


Texto 1 - por Sandro:

Jello Biafra é um nome que dispensa apresentações para qualquer fã de punk rock.

Certamente ele merece um post específico, onde a gente possa contar mais sobre a trajetória desta referência mundial e explorar outras facetas que vão além do fato dele ter sido líder dos Dead Kennedys, uma das mais importantes e influentes bandas punk / hardcore de todos os tempos.

Devemos escrever sobre suas qualidades como compositor de letras muito inteligentes e com alto teor político. Sobre a Alternative Tentacles, a importante gravadora que ele montou para não dependender das majors, que foi responsável por lançar muita coisa boa. Sobre seus discos só com discursos políticos (o cara chegou a ser candidato a prefeito de São Francisco). Sobre sua participação em vários projetos musicais excelentes, etc.

Mas fica para outro dia. Hoje vamos registrar que este "tiozinho" tocou em São Paulo neste final de semana. Ele veio com seu mais novo projeto chamado Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine e as apresentações rolaram no Hangar 110.

Nós tivemos a felicidade de assistir ao show da sexta-feira e o que vimos foi impressionante. Além de passar muita energia e entusiasmo, Biafra faz uma espécie de performance teatral em cima do palco que é um barato. Ele meio que interpreta com gestos partes das letras que está cantando e seu apelo visual aparece até na sua roupa. De entrada ele estava vestido com um avental de médico todo manchado de "sangue", depois tirou esta capa e mostrou uma camisa com a bandeira norte-americana, que depois quando foi jogada para cima mostrou enfim a camiseta com que ele se apresentou e que fazia uma alusão a democracia com uma foto de um avião de guerra. Adepto a fazer introduções sobre a temática das letras antes de tocá-las, Biafra tentou fazer isso mesclando espanhol (quase um portunhol) e inglês, numa demonstração clara que ele deseja que as pessoas saibam sobre o que ele está falando. Ver o cara se jogar de forma inesperada no meio da galera durante a execução de "California Uber Alles" e ainda continuar com o vocal não tem preço.

Quanto ao show em si foi praticamente a reprodução das músicas do (único) disco deste projeto, "The Audacity of Hype", quase na ordem do CD. Tivemos também como presente a inserção de três clássicos dos Dead Kennedys, a citada "California Uber Alles", "Let's Lynch The Lanlord" e "Holiday in Cambodia".

Esta última merece um parágrafo especial. Era o primeiro som do bis, a galera estava alucinada, quando antes da metade da música acontece o inusitado. Um apagão toma conta do Hangar 110. Então o que era para ser o anti-climax completo torna-se um momento histórico. Ouvindo só a bateria, o público continuou a música e junto com o Jello Biafra, mesmo sem o microfone, levou o som até o final. Depois disso não houve mais show e ficamos sem ao menos mais uma ou duas músicas (nossa aposta é que ainda rolaria "Police Truck"). Soubemos depois que o apagão foi em todo o bairro, o que melou de vez qualquer chance de retorno.

De qualquer forma, foi uma honra ter presenciado a apresentação desta lenda viva em cima do palco. Vibrante, impactante e emocionante. Um show que certamente ficará marcado para todos que estavam presentes.


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Texto 2 - por Anselmo:

Nessa última sexta-feira, dia 05 de novembro, o Minerva Pop teve o privilégio de testemunhar o show do último trabalho do eterno “frontman” do Dead Kennedys, Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine. Nascido Eric Reed Boucher (17 de junho de 1958), a importância de Biafra para o estilo punk e hardcore é histórico, são 30 anos de carreira com os DK, projetos musicais como o Lard, e o mais recente JBGSM, além da criação e administração do selo Alternative Tentacles.

A origem dessa banda é curiosa, pois em 2008 Jello chamou um grupo de músicos conhecidos para se apresentarem na festa de seu aniversário de 50 anos, daí surgiu a Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine, a banda gravou o primeiro álbum em 2009 chamado “Audacity of Hype”, segue em turnê desde seu lançamento. (na gravação o baixo é por conta de Billy Gould do Faith No More).

O show foi no Hangar 110, uma das melhores casas de shows de bandas underground no Brasil, e contou com a abertura do Ratos de Porão. Infelizmente, devido a problemas de logística, perdemos boa parte do show do Ratos, mas conseguimos “curtir” Aids, Pop, Repressão e Beber até Morrer, Asas da Vingança, Crucificados pelo Sistema.

Pouco antes do show de Jello Biafra, compramos algumas cervejas, e aguardamos o início do show principal da noite, o qual começou com a abertura de cortinas revelando um Jello Biafra com uniforme de médico e mãos sujas de sangue, e acompanhado dos primeiros acordes de "The Terror of Tinytown".

A seqüência das músicas foi praticamente a mesma que o disco de estréia, com destaque para as inserções de "California Über Alles" e "Let's Lynch the Landlord", com certeza pontos altos do show. Destaque também para "Clean As A Thistle" e “New Feudalism”, minhas preferidas do novo disco.

Porém o momento mais inusitado o destino reservou para o final. Durante o “bis” a banda toca “Holiday in Cambodia” e, logo nos minutos iniciais falta energia elétrica no Hangar, o que seria um desastre, mas que graças ao público que , acompanhados pelo som da batera, cantou a música até o final. O que foi emocionante.

Pra quem perdeu, lamento.


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Abaixo vídeos que ilustram o que escrevemos acima. As duas primeiras músicas, "The Terror of Tinytown" e "Clean as a Thristle", a clássica "California Uber Alles" e "Holiday in Cambodia".


Sandro e Anselmo





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